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Hoje (21), o mundo comemora o Batman Day. Para entrar no clima, preparei um ranking dos filmes do Homem-Morcego que foram lançados nos cinemas, do pior ao melhor.
Alguns deles, inclusive, estão em exibição nos cinemas novamente. Batman: O Filme (1989) e Batman (2022) foram relançados neste fim de semana. Siga nesta lista, baseada na minha opinião, e descubra os lugares que eles ocupam no ranking:
12º Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Batman (2022), de Matt Reeves, tem um papel muito importante na história recente da cultura pop, pois discute o simbolismo do personagem. O filme nos lembra que, em sua essência, ele é um herói, e não o vigilante ou anti-herói que algumas produções recentes pintaram.
O filme de Reeves até reconhece que algumas iterações dos quadrinhos, especialmente as do Frank Miller, dão margem — embora sejam condizentes ao ícone — para que pessoas interpretem o Homem-Morcego errado. Como representação disso, a história chama o Charada de Paul Dano para ser esse ponto de conflito que muda a conduta do herói.
O vilão é apenas um fã que acredita estar fazendo justiça pelos mais fracos, assim como o Batman. Seus métodos extremos, no entanto, provam que ele entendeu completamente errado o símbolo do Homem-Morcego, que não é sobre fazer justiça a qualquer custo.
Ao ver o quanto sua comunicação através do medo estava influenciando as pessoas de forma errada, aquele Batman de Robert Pattinson, inicialmente inspirado nas iterações mais agressivas de Frank Miller, percebe que precisa mudar sua abordagem para fazer a população de Gotham entender que ele está ali para ser seu guia moral, um símbolo peculiar de esperança.
Se metralhasse carros pelas ruas de Gotham, marcasse criminosos a ferro quente e não tivesse pudor em tirar vidas, o Batman não teria diferença alguma do Charada, que é um serial killer! Com essa conduta, ele jamais seria um símbolo de esperança para a população de Gotham, mas sim de medo.
Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) tenta partir da pergunta: “E se o Homem de Aço surtar, o que seria do mundo?“. A famigerada sequência do pesadelo é a resposta. Há, no entanto, uma outra pergunta deixada involuntariamente, que jamais foi discutida a fundo: “Se esse Batman assassino e cheio de recursos surtar, o que seria de Gotham?“.
O filme de Zack Snyder parece esquecer que, em 85 anos de história, independente da iteração, o Batman sempre foi e sempre será um herói clássico, e um herói clássico salva as pessoas e respeita sua conduta moral.
Tecnicamente, Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) nem é pior que Batman & Robin (1997), mas quando se trata da representação do ícone do Homem-Morcego, este filme é um completo desastre.
O Bruce Wayne assassino e sádico de Ben Affleck pode ser qualquer personagem, exceto o Batman.
Se é que chegou perto de um quadrinho do Homem-Morcego um dia, o diretor Zack Snyder só ‘leu as figuras’ ou entendeu o herói tão bem quanto o Charada de Paul Dano.
11º Batman & Robin (1997)

O que falar sobre Batman & Robin (1997) que já não tenha sido falado muitas vezes antes? Um filme engraçado, mas pelos motivos errados, cheio de atuações exageradas, piadas sem graça, diálogos risíveis e cinematograficamente paupérrimo.
Não bastasse ser uma adaptação muito fraca do universo de histórias do Homem-Morcego, a produção tem ainda problemas graves de decupagem e continuidade, que fazem montagem e fotografia soarem como resultado de um trabalho amador.
É ofensivo ler ou ouvir que Batman & Robin (1997) é uma homenagem à icônica série estrelada por Adam West. Honestamente, até Bátima: Feira da Fruta soa como um tributo mais eficiente do que este filme, que só não é o pior do personagem porque ao menos respeita a postura dele como herói clássico.
10º Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Por muito o pior e mais desinteressante filme da consagrada carreira de Christopher Nolan, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) envelhece pior a cada ano que se passa. Entre os três filmes do diretor com o personagem, este é, certamente, o que mais evidencia a falta de habilidade que ele tinha, na época, para conduzir sequências de ação.
A busca constante de Nolan por realismo tira completamente o brilho de algumas boas ideias para sua trama, que tem tendência ao épico. O diretor pega elementos de Terra de Ninguém e incorpora alguns conceitos visuais muito interessantes de Akira, mas ao se afastar estilisticamente dos quadrinhos, faz com que essas ideias soem como qualquer coisa.
A lamentável adaptação da cena em que Bane quebra a coluna do Batman desperdiça todo o seu potencial de impacto. O diretor a enquadra em um plano inteiro muito mal iluminado, que não destaca seu peso dramático. A cena passa tão rápido que, o que deveria ser memorável, vira um simples momento de indiferença. Só percebemos a fratura da coluna do Homem-Morcego pelo som de ossos quebrando na mixagem.
Veja, não tenho o realismo como um vilão. Acredito que seja um recurso válido, mas, se tratando de adaptar quadrinhos para o cinema, é um grande desperdício negar a linguagem característica desse tipo de mídia.
Um exemplo recente de ultrarrealismo bem executado é O Assassino (2023), de David Fincher. Apesar de eliminar as cores, que são o que de mais bonito há em seu material original, o filme aproveita muito bem a linguagem dos quadrinhos em sua montagem e roteiro.
O visual de O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) não é desinteressante apenas por ser realista, mas por cinematograficamente ser totalmente sem inspiração.
Por outro lado, um grande mérito do filme é a forma emocionante que acontece a transição do Batman de cavaleiro das trevas para símbolo de esperança. Embora esteja longe de ser o melhor, este filme desenvolve melhor o personagem que seu antecessor de 2008.
Não acho O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) um filme terrível, ou até mesmo ruim. No entanto, sinto que assistir a ele é como comer uma bolacha de água e sal acompanhada de um copo d’água: até dá uma tapeada na fome, mas não tem sabor algum.
9º Batman Eternamente (1995)

Iluminado por belas luzes neon e aclimatado com uma tensão sensual corpulenta, Batman Eternamente (1995) tem uma das fotografias mais estonteantes de toda a franquia do Homem-Morcego.
Se por um lado soa estranho com um Tommy Lee Jones exagerado e completamente fora do tom, por outro, o filme de Joel Schumacher encontra carisma na atuação serena de Val Kilmer e na anarquia de Jim Carrey.
Este foi o primeiro projeto live-action a tentar se aprofundar mais na psique de Bruce Wayne, e, embora não vá muito adiante nisso, consegue atingir seu objetivo.
Assim como Batman: O Retorno (1992), Eternamente (1995) transforma Gotham em um grande circo, mas trocando os elementos góticos por cores vivas.
Embora o filme de Joel Schumacher não faça o melhor retrato possível do Homem-Morcego, é muito simpático e agradável em seu estilo único.
8º Batman Begins (2005)

Assim como O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012), Batman Begins (2005) também não resistiu bem ao teste do tempo, apresentando problemas semelhantes. No entanto, permanece como um estudo de personagem de Bruce Wayne bastante poderoso.
Christopher Nolan, embora seja um dos grandes nomes de sua geração, tem alguns vícios que incomodam muito. Além de parar muito para se explicar, como se tivesse vergonha do que está fazendo, o diretor tem um tique narrativo estranho de conduzir seus diálogos quase que totalmente por perguntas e respostas.
Em alguns momentos, esse tique narrativo até gera diálogos interessantes, como: “Por que caímos, Bruce? Para aprendermos a levantar”. No entanto, lá para a 100ª repetição do recurso, é como se o diretor e seu parceiro criativo, o roteirista David S. Goyer, tivessem tentando fazer seu filme soar mais inteligente do que é.
Apesar desses incômodos, Batman Begins (2005) é, em saldo geral, um bom filme sobre o homem por trás da máscara do herói, além de ser uma ótima adaptação de Ano Um, clássico do Frank Miller.
7º Batman: O Filme (1989)

O Batman (1989) de Tim Burton definitivamente não faz o melhor recorte do que é o Homem-Morcego dos quadrinhos, mas tem uma assinatura visual riquíssima, cujo impacto cultural é sentido até os dias de hoje.
Além de ter sido uma importante atualização da franquia, o longa clássico de 1989 conta com momentos realmente marcantes, com Michael Keaton e Jack Nicholson impagáveis em seus papéis.
Em Batman (1989), o estilo gótico sobressai a narrativa boba e pouco desenvolvida, e mesmo assim o filme funciona.
6º Batman: O Homem Morcego (1966)

É comum que pessoas perto do fim da infância tenham ânsia por serem levadas mais a sério, o que as faz ignorar algumas coisas simples e bonitas da vida. Particularmente, essa foi minha experiência com Batman: O Homem-Morcego (1966) ao longo do tempo.
De forma inocente, o filme estrelado por Adam West respeita muito a mística do Homem-Morcego como herói clássico, sob um estilo visual muito aconchegante.
Sem ter vergonha alguma de ser brega, Batman: O Homem-Morcego (1966) é tecnicamente apurado para sua época, além de ser um filme divertidíssimo. Se permita desfrutar disso e veja a mágica acontecer.
5º Batman: O Retorno (1992)

Se o filme de 1989 não é tão atraente narrativamente, Batman: O Retorno (1992) traz um Tim Burton mais maduro com algo interessante a falar sobre Gotham City.
O tema da cidade corrompida e gananciosa que cria seus próprios demônios foi explorado a fundo nos cinemas pela primeira vez aqui.
Transformando a cidade em um grande circo gótico de horrores, Tim Burton entrega uma fantasia belíssima e extremamente sombria, que discute diferenças de classes e capitalismo de forma pouco convencional para obras de grandes estúdios de sua época.
É admirável a coragem que Burton teve nos anos 90, principalmente porque a ousadia teve um alto preço: o diretor foi demitido da franquia após a repercussão do filme.
Fato é que, em Batman: O Retorno (1992), Tim Burton precisou andar para que Christopher Nolan e Matt Reeves pudessem correr.
4º LEGO Batman: O Filme (2017)

Em LEGO Batman: O Filme (2017), Chris McKay incorpora perfeitamente a atualização séria da figura do personagem ao tom divertido do filme de 1966.
Embora seja voltado para um público infantil e tenha um tom de paródia, o longa animado tem muito mais a falar sobre os traumas, a solidão e a mente fragmentada do Homem-Morcego do que a maioria dos live-action, incluindo a trilogia de Nolan.
LEGO Batman: O Filme (2017) é lindo tanto visualmente quanto narrativamente, e ainda é engraçado do começo ao fim.
3º Batman (2022)

Matt Reeves tinha a missão de recuperar a credibilidade e a imagem do Batman como herói, após o dano causado na era Zack Snyder. Para alcançar esse objetivo, ele se propôs a discutir o status heroico do personagem, inspirando-se na ótima história Batman: Ego, de Darwyn Cooke.
Através de um estudo de personagem brilhante, o diretor pegou o herói de um local próximo ao qual muitas pessoas passaram a acreditar que ele pertencia, e criou um conflito psicológico para devolve-lo para onde ele nunca deveria ter saído.
Ao se anunciar como “vingança” e espancar extensivamente aquela gangue no metrô, o Batman se aproxima da figura controversa e sanguinária retratada por algumas iterações recentes. No entanto, ao confrontar o impacto psicológico de suas ações, ele percebe a necessidade de uma nova abordagem. O filme não poderia terminar de forma mais poética como com o Batman em um telhado ao amanhecer, salvando cidadãos da inundação de Gotham.
Utilizando um arquétipo pouco explorado em adaptações anteriores, Matt Reeves apresenta um Batman que atua como um verdadeiro detetive. De forma sutil e bem escrita, o filme conduz o público moderno, familiarizado com a imagem do Batman como “vingança“, a reconhecê-lo como um símbolo de “esperança“.
Se no início Batman invade o clube do Pinguim pela porta da frente, no final, ele aborda um tom um pouco mais tático para desarmar e imobilizar os capangas do Charada, usando apenas a força necessária. Se na introdução o herói se define como um ser das sombras, no final, ele é o guia luminoso da população que está debaixo d’água.
Esse processo de evolução é tirado diretamente da essência de Batman: Ego, obra que traz o personagem superando seus demônios internos para enfim se tornar um herói, encontrando um novo propósito para sua vida.
O filme, além de carregar essa mensagem muito importante sobre o verdadeiro papel de um herói, é lindo visualmente e tem uma das fotografias mais bonitas de toda a franquia. Isso prova que realismo não é sinônimo de falta de inspiração.
A fantasia sempre será bem-vinda, mas as coisas não devem ser confundidas. Dá sim para fazer um filme realista e bonito ao mesmo tempo. Se algum diretor não souber como fazer isso, pode pedir dicas a Greig Fraser e Matt Reeves, pois eles certamente sabem.
Sob a perspectiva de correção de rota, Batman (2022) é tão importante para a franquia quando o filme de 1989 de Tim Burton.
2º O Cavaleiro das Trevas (2008)

O que talvez seja o melhor trabalho da careira de Christopher Nolan, O Cavaleiro das Trevas (2008), assim como Batman (2022), se propõe a discutir a real influência que o personagem tem em Gotham, mas toma uma conclusão oposta. O filme termina com o Homem-Morcego abraçando o status de vigilante, ao se recusar a ser admirado.
Na sequência de Batman Begins (2005), a desconstrução do ícone é a única trajetória real que esse Bruce Wayne em crise existencial atravessa. Nolan definitivamente não trabalhou o personagem como um herói clássico, até seu último filme. O diretor usa toda uma trilogia para cumprir o mesmo arco que Matt Reeves seguiu anos mais tarde em apenas um longa.
Esse Batman desiludido e pessimista poderia ser um problema, mas essa abordagem é muito bem trabalhada em O Cavaleiro das Trevas (2008), e fica ainda melhor quando sabemos o impacto que os eventos do filme têm no final da trajetória dessa versão personagem.
O filme, no entanto, não vai tão profundo na figura do Homem-Morcego, além dessa discussão sobre seu impacto na população de Gotham. O Batman nem parece ser o grande tópico do filme, que é muito mais interessado em contar uma grande história sobre o caos como uma faceta da civilização humana.
Não é por acaso que o ótimo trabalho de Christian Bale é menos reconhecido do que o de Heath Ledger. O Coringa é o representante do caos nessa história sobre anarquia, e como um sol, acaba fazendo todo o resto girar ao redor dele. O resultado é magnífico.
No fim, quando o Coringa acredita ter vencido, o filme, até então pessimista, entrega uma mensagem otimista sobre a existência de bondade em Gotham.
A forma como o arco de desilusão do Batman é concluído também é muito interessante. Mesmo que tenha assumido o título de vigilante ao forçar toda Gotham a caçá-lo pela morte de Harvey Dent, o personagem assume indiretamente a postura de herói ao sacrificar a própria reputação pelo bem maior, que é a esperança da população de Gotham.
Aqui, Nolan faz uma aplicação clara do Dilema do Bonde: imagine que você é um operador ferroviário, conduzindo um bonde em velocidade máxima, quando é surpreendido com cinco pessoas amarradas no trilho à sua frente. Você pode salvar essas pessoas se puxar a alavanca e mudar o rumo do bonde, mas não sem tirar a vida de um funcionário que está trabalhando no outro trilho.
Você puxaria a alavanca? O Batman de Christian Bale puxou. Mas o que estava no outro trilho não era um funcionário, e sim sua reputação como herói de Gotham.
Como adaptação, O Cavaleiro das Trevas (2008) tem menos virtudes que outras obras do Cruzado Encapuzado, mas é o filme live-action mais equilibrado de toda a franquia.
1º Batman: A Máscara do Fantasma (1993)

Explorando profundamente a mente de Bruce Wayne, Batman: A Máscara do Fantasma (1993) entregou uma excelente tragédia sobre o nascimento do ícone, muito antes de Nolan e Matt Reeves sonharem em tentar fazer isso um dia. Os filmes de ambos têm muitas influências dessa animação de Eric Radomski e Bruce Timm.
Denso e visualmente impactante, este filme tem algumas das melhores cenas já produzidas com o Batman. Costumo dizer que, dificilmente algum outro projeto conseguirá um momento tão icônico quanto o de Batman e Coringa lutando em cima da maquete de Gotham. É uma metalinguagem incrível sobre a cidade ser o brinquedo deles.
O visual só não chama mais atenção do que os diálogos, que são escritos com uma elegância surpreendente.
“A vingança escurece a alma, Bruce. Eu sempre temi que você se tornasse igual aos que combatia. Você caminha pela beira desse abismo toda noite, mas ainda não caiu e eu agradeço a Deus por isso.”, diz Alfred no final.
Com 1h16 de duração, Batman: A Máscara do Fantasma (1993) é o filme mais complexo e completo já feito sobre esse super-herói.






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