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O psicodelismo no cinema pode ter várias vertentes. Seja na atmosfera ou na subversividade da narrativa, tais filmes aderem a uma estética peculiar que torna a experiência de se assisti-los encantadora, pelo menos, quando são bem feitos.

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Hoje, listarei o que considero os 10 filmes mais psicodélicos do cinema. É importante avisar que filmes abstratos ou surrealistas, fazem parte de uma categoria própria e que se fossem considerados, esta lista teria que ser bem maior, portanto, não estranhem a falta de cineastas como Andrei Tarkovsky, Lindsay Anderson, entre outros.

Muito bem, vamos começar.

Menção Honrosa Especial: 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968) dir. Stanley Kubrick

Considerado por inúmeros críticos e amantes do cinema (Inclusive esse que vos fala) como o maior filme da história do cinema, competindo com poucos pelo posto, o longa de ficção científica de Stanley Kubrick opta por deixar todas as explicações e possíveis significados a serem decifrados pelo espectador, dando mais foco as concepções visuais e música, utilizando de clássicos da antiguidade como “O Grito das Lamentações” e “Also Sprach Zarathrusta”.

Como se não bastasse, o filme se conclui com o que muitos afirmam ser “O mais próximo de uma alucinação de LSD que se pode alcançar sóbrio”, sendo só este segmento suficiente para sua entrada na lista. Mas para dar espaço a alguns filmes menos óbvios quando se fala de psicodelismo, optei por cita-lo a parte. Fique agora com a lista selecionada.

10- Doutor Estranho (2016) dir. Scott Derrickson.

Fazendo jus a trajetória do personagem nos quadrinhos, a adaptação para os cinemas de Doutor Estranho homenageou toda a atmosfera e catarse visual tida por Steve Ditko e ecoada para os ilustradores que o precederam, através de efeitos visuais extremamente dinâmicos que elevam ao cubo vários dos conceitos tidos em “A Origem(2009)”, tivemos um dos filmes mais memoráveis esteticamente do cinema contemporâneo. O único lamento foi que tal criatividade estonteante do visual não estivera presente na história, que se manteve bem genérica.

9- O Grande Lebownski (1998) dir. Irmãos Coen.

Além da inesquecível cena ao som de “Just Dropped In” de Kenny Rogers, o psicodelismo do filme está presente em sua atmosfera. Ao acompanharmos uma trama desconexa pelo ponto de vista de um pacato maconheiro remanescente da era hippie, o filme avança em seu próprio ritmo e lógica, tornando o elemento “psicodélico” do roteiro quase que sensorial.


8- Trainspotting (1996) dir. Danny Boyle.

Devo admitir que não sou nenhum fã de Trainspotting, longe disso, se um dia houver uma lista dos que considero mais superestimados filmes da história, esse com certeza estará presente. Mas não é isto que se está sendo avaliado, e digo que dentro da categoria psicodelismo, o longa de Danny Boyle é um dos exemplos mais auto-esclarecidos do cinema. Em uma atmosfera extremamente subversiva e energética, o filme migra entre várias camadas de ideologia e insensatez através do surreal e do subjetivo, fazendo do filme ao menos uma experiência entorpecente interessante.

7- The Wall (1982) dir. Alan Parker

Nascido da perturbada e anárquica mente de Roger Waters, a obra “The Wall” em toda sua trajetória transverte toda a ideologia de massa e procura encontrar o ser interno de cada “muro” que se é criado ao redor das almas humanas no ciclo social cotidiano. Com forte viés político e filosófico, principalmente pautada no existencialismo, a adaptação cinematográfica, apesar da polarização entre fãs e críticos (E dos próprios membros da banda), transmite com genialidade toda a melancolia e insanidade presente no disco, tornando-se tão chocante e intenso quanto na obra original.

Com um uso impressionante do simbolismo e surrealidade, o filme ainda conta com as geniais animações do cartunista político Gerald Scarfe, que até hoje são reencenados nas apresentações do álbum ao redor do mundo.

6- Monty Python: O Sentido da Vida

A série do final dos anos 60 “Flying Circus” era quase que incessantemente insana, subversiva, surreal e absurda, sendo uma das experiências mais peculiares que a cultura pop já proporcionou. Já na parte do cinema, apesar dos filmes sempre terem tido um pezinho no psicodélico graças as animações extremamente inimagináveis de Terry Gilliam, eles nunca haviam criado algo a altura da insanidade da série no cinema.

Mas isso mudou com o lançamento de “O Sentido da Vida”. Desde o curta metragem de Terry Gilliam sobre os piratas da bolsa de valores, passando pela introdução grandiosa ao som de Eric Idle, chegando até as brilhantes esquetes sobre a morte, guerra e a inesquecível “Galaxy Song”, também composta e interpretada por Eric Idle, “O Sentido da Vida” é um prato tão cheio quanto o do Sr.Creosote para amantes do inacreditável e viajante.

5- The Doors (1991) dir. Oliver Stone.

Oliver Stone é conhecido como um dos mais subversivos e psicodélicos diretores do cinema mainstream contemporâneo, tendo isso evidente em filmes como ”Assassinos por Natureza” e “Nascido em 4 de Julho”. Mas é em “The Doors” que seus maiores demônios internos se libertaram totalmente em sua direção.

Ao narrar a trajetória do líder da banda mais catártica e imersiva do rock psicodélico, Stone não poupa monólogos subjetivos e imersivos, paisagens oníricas, alucinações sensitivas, além de contar com a metódica atuação de Val Kilmer (Tendo aqui o auge de sua carreira) e é claro, a transcendente trilha sonora da banda que dá título ao filme.

4- Sonhos (1990) dir. Akira Kurosawa.

O projeto mais íntimo do consagrado diretor japonês Akira Kurosawa, que através de seu costume de pintar quadros baseados nos sonhos que tinha, decidiu transformá-los em um longa-metragem, já na fase mais avançada de sua carreira.

O resultado não poderia ter sido mais perfeito, ao longo dos 8 sonhos exibidos, somos tragados por uma aura de incompreensível beleza cinematográfica, com a mistura de um ritmo melancólico e ao mesmo tempo pelas estonteantes paisagens imaginativas de Kurosawa, “Sonhos” é um dos filmes definitivos da cultura oriental, e uma das mais brilhantes obras de um dos mais importantes diretores que o cinema já teve.

3- Cidade dos Sonhos (2001) dir. David Lynch.

Outro diretor sinônimo de psicodelismo e surrealismo, David Lynch cria em “Cidade dos Sonhos” o seu mais complexo, extravagante e imersivo trabalho. Em uma série de alternâncias entre sonhos e realidades desconexas e irreais, somos convidados a decifrar a loucura viajante desenvolvida pelo diretor. Um dos mais desafiantes e criativos filmes do cinema moderno.

Ken Russell’s TOMMY will play at a tribute screening hosted by Peaches Christ at the 55th San Francisco International Film Festival, April 19 – May 3, 2012.

2- Tommy (1975) dir. Ken Russel

Agora chegamos no que considero a dupla dinâmica definitiva do psicodelismo no cinema. Pra começar, em segundo lugar, a adaptação para o cinema da opera rock da consagrada banda de rock progressivo inglesa, “The Who”. Some uma história extremamente insana, a um gênero que já é absurdamente extravagante por si só, a uma equipe criativa formada de astros pop dos anos 70 (Como Elton John, Eric Clapton e Tina Turner, além é claro da banda protagonista).

Totalmente entorpecente e energético, o musical é a indicação perfeita para aqueles que procuram uma experiência ao mesmo tempo estranha e chamativa, uma obra que tem seu charme intrínseco na sua loucura aterradora. Definitivamente não é um filme a ser apreciado por todos, mas que vale o risco que se corre ao dar-lhe uma chance.

1-The Beatles: Yellow Submarine (1968) dir. George Dunning & Dennis Abey

Enfim chegamos a magnum opus da psicodelia. Com uma história que ao mesmo tempo é lúdica e completamente absurda, acompanhado das deixas que o roteiro cria para encaixar as mais viajadas e insanas músicas dos garotos de liverpool, somado ainda as mudanças repentinas de estilos de animação entre recortes, quadro-a-quadro e alternações de negativo/positivo da revelação das cenas, o filme é uma das mais peculiares e inesquecíveis animações da história do cinema.

Consegue ao mesmo tempo entreter crianças e alucinar os adultos. Por essas e outras, considero Yellow Submarine o filme mais psicodélico da história do cinema.

Menções Honrosas –  Filmes que por pouco não entraram: A Origem (2009), A Viagem de Chiriro (2001), Matrix (1999), Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981), A Caixa (2009), Solaris (1972), Astronauta Americano (2001), Requiem Para um Sonho (2000), Fantasma do Paraíso(1973).



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