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O final de um filme pode ser considerado sua parte mais importante. Muitos filmes medianos conseguem se redimir a ponto de se tornarem clássicos apenas por causa de um final icônico. Em contrapartida, filmes ótimos podem se tornar irrelevantes e decepcionantes se tiverem um final mal pensado.

Pensando nesse tema, hoje listarei os que considero os 15 melhores finais da história do cinema. Vale ressaltar, não tratam-se dos 15 finais mais surpreendentes ou algo assim. Um final para ser perfeito não precisa de uma grande reviravolta ou plot twist, e veremos isso ao longo da lista.

Obviamente, existem muitos spoilers à seguir.

15- Sociedade dos Poetas Mortos


Após uma das mortes mais chocantes e cruéis do cinema, em que o jovem protagonista do filme se suicida por não ter a aceitação de seus pais naquilo que ele realmente desejava fazer, o “Capitão” interpretado por Robin Williams, é injustamente mandado embora da escola. Ele era a única pessoa que representava algum escapismo para felicidade em meio à autoridade do lugar. Então, quando achamos que está tudo acabado e os alunos estão de volta ao método de sempre, todos se levantam pronunciando seus ensinamentos. O que traz final emocionante e extremamente memorável.

14- Réquiem Para um Sonho


Um final extremamente triste, mas também reflexivo e paradoxal. Durante o longa acompanhamos o vício dos protagonistas e sua destruição por meio das drogas, até que chegamos ao momento final, onde os personagens todos vão encolhendo-se em posição fetal. A cena mostra uma grande dicotomia entre o mundo de ilusões, drogas, sexo e crime em que os personagens estão, e a inocência que ainda permanecia no fundo de cada um.


13- Star Trek II: A Ira de Khan


Vemos aqui a morte de um dos melhores personagens já criados, conduzida de uma maneira genial. O diálogo entre Kirk e Spock em lados opostos do vidro, onde a morte é certa mas que nada pode ser feito, a emoção aflorando na mente de um ser racional, seguida de uma linda cena de funeral ao som de “Amazing Grace” em pleno espaço sideral.

Todos sabemos que depois o personagem foi ressuscitado, o que acabou tirando muito do peso da cena, mas ainda assim, é uma das mais belas cenas dos filmes de ficção científica.

12- Chinatown


Roman Polanski disse uma vez que Chinatown tinha que ser especial, e isso não aconteceria com um final feliz. E realmente, muito dos impactos que os finais nos causam vem de sua crueldade e pessimismo, finais como os de “O Nevoeiro” e “Brazil” (Que ficaram de fora, mas vale a menção honrosa).

Aqui, após um mistério que acompanhamos por duas horas, chegamos a um terrível e trágico desfecho. Quando o nosso detetive propõe aos colegas para que façam algo a respeito para evitar uma injustiça, eles lhe dizem: “Isso é Chinatown”. Percebemos, assim como o protagonista, que tudo que vimos foi apenas uma gota em meio a um oceano de corrupção e morte que existe por baixo de nossos narizes, mas que não podemos fazer nada a respeito.


11- A Star Wars Story: Rogue One


Talvez o item mais controverso da lista, justamente por ser tão recente, mas convenhamos, o final de Rogue One foi simplesmente genial. O filme em si, é mediano, mas o final nos entrega um equilíbrio entre uma crueldade que raramente se vê em blockbusters do tipo, e o mais puro entretenimento.

Aqui, vemos as consequências da guerra de uma maneira nunca vista nos outros filmes da saga. Todos os protagonistas morrem, após isso, uma incrível cena com Darth Vader que lembra o suspense de mestres como Brian Di Palma. Para fechar com chave de ouro, Carrie Fisher nos diz “Esperança”, dando a deixa perfeita para o lugar onde tudo começou e marejando os olhos de qualquer fã da franquia que se preze.

10- Crepúsculo dos deuses

Após a repentina morte de nosso protagonista, vemos uma das mais geniais sequências do cinema, com uma das maiores interpretações femininas da história. Gloria Swanson, totalmente tomada pela loucura envolta de um estrelismo falso, pronuncia seu monólogo enquanto desce as escadas, acreditando estar em seu tão sonhado filme, quando na verdade está prestes a ser presa.

Termina então com a icônica frase, “Estou pronta para meu close-up!”. A cena além de extremamente triste por vermos como a loucura cria fantasias absurdas na mente das pessoas. Ela nos questiona a respeito de tudo que o filme tratou, uma ótima junção de desfecho linear com significado dúbio.


9- Quanto mais quente melhor

Dois filmes de Billy Wilder seguidos, mas com justiça. “Quanto Mais Quente Melhor” é sempre citado como uma das melhores comédias de todos os tempos, e também uma das mais copiadas. Contudo, o final aqui continua irretocável e único até hoje, o que só reforça a versatilidade cômica do filme.

No final, para fugirem dos mafiosos, a dupla aproveita-se do milionário que havia se apaixonado por um deles quando vestido de mulher para escapar. Para tentar evitar o casamento, Jerry, vestido como Daphne, começa a citar todos os motivos para que o homem não se casasse com “ela”. Ao ver que nenhum dos motivos o convenceu, Jerry tira a peruca e diz “Mas eu sou homem!”. Ao invés de surpreendê-lo, o homem continua no mesmo estado de antes e diz, “Ninguém é perfeito”. Simples, hilário e genial!

8-Banzé no oeste

Ao final do melhor filme de um dos maiores comediantes americanos da história do cinema, Mel Brooks, temos uma das quebras de quarta parede mais insanas e brilhantes do cinema.

No meio de uma batalha final entre os moradores de uma cidadezinha do Velho Oeste com o exército inimigo que quer expulsá-los, a briga toma uma proporção tão absurda que começa a invadir os estúdios dos filmes ao lado. O vilão então corre para um Taxi para escapar, e se esconde em um cinema que está exibindo qual filme? Exatamente, o próprio Banzé no Oeste! Após rendê-lo, nossos protagonistas se perguntam o que farão agora, e um deles diz, “Vamos ver o final do filme”.

7-Luzes da cidade


Um dos finais mais belos e inocentes do cinema, onde Chaplin após sair da prisão, do qual foi preso injustamente, reencontra a mulher cega pelo qual havia se apaixonado, e que agora, graças a sua ajuda, estava enxergando novamente.

Ficamos naquela tensão se ela o reconhecerá, e quando isso acontece, é simplesmente lindo. Pode-se argumentar que é um tanto agridoce ou melodramático, mas as vezes é apenas isso que precisamos em um filme.

6- 2001- Uma Odisseia no Espaço

Stanley Kubrick foi o mestre dos finais geniais, não é exagero dizer que em um top 30 entrariam ao menos 10 filmes dele, mas dois se sobressaem.

Esse é o primeiro deles. Após uma das viagens mais insanas e plurissignificativas da história do cinema, o terceiro ato se desfecha com a imagem ao mesmo tempo bela e perturbadora do “Space Baby”. Ele olha no fundo de nossos olhos enquanto contempla a terra, em uma espécie de quebra subjetiva da quarta parede (Recriada de maneira quase idêntica no recente “O Regresso”). A incompreensão dessa cena misturada ao fascínio causado por ela, torna o filme um pergaminho a ser decifrado. Que nos faz questionar a respeito de existencialismo, nascimento, vida e universo.

5- Monty Python: Em Busca do Cálice Sagrado

Parecido com o final de “Banzé no Oeste”, mas aqui, de uma maneira estranha, o filme pode render inúmeras interpretações dentro de sua própria insanidade cômica.

Durante toda a sátira da idade média pelo grupo inglês, vemos relances de piadas com anacronismo, isso é, coisas modernas colocadas em contextos da antiguidade. Em determinado momento temos a genial piada em que um apresentador de documentários de idade média, trajado de terno, é morto por um cavaleiro medieval. Até aí, mais uma das inúmeras piadas aleatórias que compõem essa genial comédia, e nunca se espera consequências ou desenvolvimentos de idéias já que o filme é criado sob um mar de non-sense generalizado.

Mas eis que no final, quando o filme parece que finalmente vai encontrar seu desfecho em uma grande batalha, a polícia aparece e prende todos os personagens do filme pelo assassinato do documentarista.

Completamente genial e surpreendente, o final gera debates entre os fãs até hoje se na verdade o filme todo não se passaria em um hospício com homens que acreditam que estão na idade média. A verdade é que nada disso importa, afinal, estamos falando de Monty Python.

4- A Rosa Púrpura do Cairo

A genialidade aqui está na contradição entre a amargura e crueldade do final, com toda a fantasia e inocência do resto do filme.

Durante essa obra-prima de Woody Allen, acompanhamos o incrível romance entre um personagem que saiu da tela de seu filme para se envolver com uma grande fã que o assistia todos os dias. O interessante é a forma como o filme trata o acontecimento de maneira estranhamente realista. O ato fantasioso gera consequências reais, e o ator que o interpretou tem que ir a cidade para evitar uma difamação de sua imagem.

Fica-se entendido que o ator também se apaixonou pela mulher, o que a faz ter de decidir entre a fantasia e a realidade, ela escolhe a realidade, e então temos o nosso final.

Ao ir de encontro no lugar combinado pelo ator para que viajassem juntos para sua cidade, nossa protagonista descobre que ele já havia ido embora. Vemos que tudo não passou de uma farsa para que o ator se livrasse de alter-ego cinematográfico, então ao final de uma linda história de amor impossível, somos surpreendidos por um final terrivelmente realista, de como a vida é cruel na realidade.

3- Monty Python: A Vida de Brian

Eu sei, mais um de Monty Python no top 5 da lista, mas com justiça, os caras eram brilhantes, e se fosse uma lista maior pode ter certeza que até “O Sentido da Vida” entraria.

Aqui, após as inúmeras tentativas patéticas de tentarem tirar Brian do crucifixo, lá está ele desolado, quando o rapaz da cruz ao lado decide lhe cantar uma canção para não se preocupar.

Temos então uma das melhores composições da história do cinema, escrita pelo genial Eric Idle, que também é seu vocalista, temos nela uma letra ao mesmo tempo hilária e extremamente linda. Ela nos ajuda a repensar os problemas da vida e nos dá uma forma de como suportá-la e que sempre, por pior que pareçam os problemas, devemos sempre olhar para seu lado bom.

Junte isso ao fato dela ser acompanhada da incrível cena dos homens crucificados dançando e cantando felizes, satirizando completamente os grandes épicos bíblicos de finais dramáticos, e temos um final perfeito.

2- Barry Lyndon

Aqui está o que eu considero melhor final do mestre Kubrick, e isso é algo a se considerar quando falamos do homem que além do de “2001”, nos proporcionou finais como os dos filmes “Laranja Mecânica”, “Spartacus”, “O Iluminado”, “O Grande Golpe”, “Dr. Fantástico” e “Glória Feita de Sangue” (Pequena área de menções honrosas pro mestre).

O Final aqui é extremamente simples, após toda a história passada na era vitoriana ter sido contada, entra um pequeno texto na tela dizendo que, independente da conduta dos personagens, os bons e maus, os bonitos ou os feitos, os que você gostou ou não, “Hoje eles estão todos no mesmo lugar”, ou seja, mortos.

Irônico, simples e genial. Apesar de dizer o óbvio, o final surpreende por ser algo que nunca pensamos de fato, no final de todos os filmes, independente do que aconteça, tudo sempre acabará da mesma forma.

1- Blow-Up: Depois Daquele Beijo

Um dos filmes mais indecifráveis da história, tem um final que faz jus a este posto.

Nele, após as inúmeras desventuras deslocadas e anticlimáticas de Thomas, temos a cena em que o protagonista está caminhando sem rumo, quando vê se aproximar o grupo de mímicos do início do filme, Eles então começam a jogar uma partida de tênis imaginária, tal estranho jogo chama a atenção do nosso protagonista que fica parado assistindo. Quando um dos mímicos acaba acertando a “bola” com muita força e ela aparentemente cai para fora do campo.

Os mímicos então gesticulam para Thomas jogar a bola de volta, Thomas reluta um pouco no início mas decide entrar na brincadeira, ele se afasta, pega a bola de mentira e a joga de volta. Temos então um plano fechado em seu rosto, quando aos poucos podemos ouvir ao fundo o som da bola de tênis sendo rebatida entre os mímicos, outro plano de cima mostra o personagem em meio ao campo, mas dessa vez com o campo bem maior e vazio, o personagem vai embora, e o filme chega ao fim.

Pode se extrair tantos significados e interpretações dessa cena, que renderia um artigo inteiro só dedicado a ele. Como me alongar não adiantará, pois é necessário bem mais que um parágrafo ou dois para analisar a complexidade da cena, direi apenas para que todos assistam e tirem sua conclusão.

Um verdadeiro enigma cinematográfico, por sua complexidade e surrealismo, podemos considerar o final de Blow-Up, o melhor da história do cinema.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.