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Naoki

A mentalidade sobre os quadrinhos mudou. As pessoas olham com outros olhos e sabem que existe autores nacionais que hoje conseguem viver com quadrinhos, e isso foi um passo gigantesco que alcançamos. Mas ainda há quem diga que mangás “não podem ser levados a sério”, e que “são apenas histórias fantasiosas e sem sentido”. O fato é que esse tipo de preconceito deve ser quebrado, e para isso, nada melhor do que recomendar a leitura das obras de um dos melhores autores quando se fala de “histórias cabeça” e que possui sempre uma temática mais adulta nas tramas, envolvendo mistérios, crimes, investigações e lições de vida. Estou falando de Naoki Urasawa, mangaká premiadíssimo e que já está a mais de 30 anos fazendo histórias de alto nível. Aqui vai um TOP 5 das melhores histórias do artista:

5 – Yawara! (1987)

Yawara Inokuma é uma judoca talentosa criada e treinada por seu avô Jigoro. Seu avô diz que ela deveria tornar-se a esperança da equipe japonesa de Judô em Seul no ano de 1988, mas ela tem planos diferentes: quer terminar o seu ensino médio, encontrar um namorado e ter uma vida normal como todos os seus amigos. Mas ser uma garota normal e uma campeã olímpica são duas coisas diferentes. Vamos descobrir qual caminho ela irá escolher.

Em 1990, Yawara! Recebeu o 35° prêmio de melhor mangá em geral da editora Shogakukan. Isso já mostra todo o talento que Urasawa demostrava desde as primeiras obras. E Yawara! possui algo realmente particular e que a diferencia das outras. Primeiramente notamos que a protagonista é uma mulher, mas não uma mulher encontrada nos mangás convencionais, ela é decidida, forte e sabe o caminho que deve seguir para viver feliz. E ela faz uma jornada inversa do que é corriqueiro. Ao invés de ser uma garota frágil e com vários medos que busca ficar forte, ela já possui essa força, tanto física como psicológica, mas ela não quer ser rotulada apenas por isso, ela quer buscar viver uma vida comum e normal.

O que mais chama atenção é que Urasawa foi encontrando seu estilo no meio da série. Ele parece focar no início nas famosas exclamações que existem na maioria dos mangás shonen (as gritarias constantes) e nas cenas de correria e pancadaria. Mas no decorrer da história vemos que o foco realmente é o rico enredo e a maneira como ele conduz a história dos personagens, tornando-se um belo seinen.

Vale muito a pena conferir, mas infelizmente não veio ainda para o Brasil e é uma obra difícil de encontrar capítulos traduzidos.

4 – Billy Bat (2008)

Billy Bat é o mangá que está sendo lançado atualmente por Naoki Urasawa e já conta com 18 volumes. Conta a história de Kevin Yamagata, um quadrinista nipo-americano que trabalha num quadrinho chamado “Billy Bat”, em 1949, contando a história do detetive morcego que luta pela justiça nos EUA. No início, Kevin é abordado por dois detetives, e um deles reconhece o quadrinho de Kevin e diz que já o viu no Japão. Kevin fica indignado pensando se ele havia copiado o trabalho de alguém inconscientemente. Ele resolve ir para o Japão, lá ele acaba se envolvendo em uma conspiração relacionada a um pergaminho que talvez seja a arma mais poderosa do mundo. Com isso, descobrir a origem do morcego se tornar algo extremamente complicado e assustador.

Mesmo após lançar títulos que se tornaram clássicos dos mangás (como veremos nas próximas posições), Naoki Urasawa continua fazendo histórias de tirar o chapéu. Billy Bat ainda não chegou ao fim para tirarmos uma conclusão mais precisa sobre o contexto geral da obra, mas vale muito a pena conferir tudo que saiu até o momento. A história apresenta várias linhas de suspense e a trama vai ficando cada vez mais densa e rica em detalhes.

A jornada de Kevin parece enfatizar ainda mais um apreço de Urasawa por se aprofundar em todos os detalhes dos protagonistas. O leitor se coloca a todo momento do lugar de Kevin e não desgruda da obra até saber como tudo se resolve. Billy Bat ainda não chegou no Brasil, mas deve ser questão de tempo, dependendo do número de volumes que terá no Japão, mas é facilmente encontrada nos sites brasileiros que traduzem mangás. Você pode adquirir Billy Bat, clicando aqui!

3 – 20th Century Boys (1999)

Se inspirando na virada do século, Urasawa nos brinda com uma das histórias mais aclamadas entre os títulos adultos e com um enredo de encher os olhos. 20th Century Boys trata de um grupo de amigos que em sua infância, na década de 70, se divertiam imaginando planos e aventuras sobre como eles salvariam a Terra de uma ameaça que provocaria a destruição do mundo. Vinte anos se passam e cada um segue seu rumo. Porém surge um certo mistério quando uma seita liderada por um homem intitulado “Amigo” começa a realizar esses mesmos planos de dominação e destruição do mundo, assim como descritos nas histórias do grupo. Assim, Kenji busca reunir os mesmos amigos para descobrir a identidade do “Amigo” e os inúmeros atentados que a seita lidera no mundo inteiro.

Já para mostrar o poder que a obra possui no mundo inteiro, ela é sempre lembrada no prêmio nacional HQ Mix desde seu lançamento pela Panini, seja na disputa de melhor história estrangeira ou de artista estrangeiro para Naoki Urasawa.

O mangaká consegue apresentar com riqueza todos os detalhes dos principais personagens tanto na infância como na fase adulta, e com isso o leitor acredita ser impossível descobrir a identidade do “Amigo”. E a história mostra grandes evoluções no decorrer dos volumes, mesmo com uma narrativa não linear. E como toda história de suspense feita por Urasawa, 20th Century Boys tem uma capacidade enorme de prender qualquer um, e é sem dúvida uma das coisas mais geniais já escritas nas mãos de qualquer mangaká. Você pode comprar a  primeira edição, clicando aqui!

2 – Monster (1994)

Monster talvez seja o título mais famoso de Urasawa e é considerado para a grande maioria a obra prima do mangaká. Monster acompanha o excelente neurocirurgião Kenzou Tenma, que trabalha no hospital de Dusseldorf, na Alemanha. Em certa noite, chegam ao hospital dois irmãos gêmeos em estado grave, Johan Liebert, um garoto com uma bala na cabeça, e sua irmã Anna Liebert. As crianças eram os únicos sobreviventes de um massacre que tinha vitimado os pais. Quando Tenma está para começar a cirurgia de Johan, o prefeito da cidade aparece no hospital, beirando a morte. Os superiores de Tenma dão-lhe ordens para deixar o menino e começar a operar o político, mas a sua ética pessoal, contrariando a ética do hospital, o obriga a continuar com Johan, que acaba sobrevivendo, e acaba por deixar o político para outro médico, que não conclui a cirurgia com êxito. Nove anos se passam e Tenma descobre que o garotinho que ele havia salvado antes se tornou um assassino.

A sinopse já fascina e faz entender toda a problemática que surge durante a história. Tenma é carregado por uma culpa sem fim por ter salvado o que depois se tornaria um verdadeiro monstro, e por isso ele vai tentar acabar com esse mal usando suas próprias mãos.

Mas Monster é muito mais que tudo isso. Mais uma vez Urasawa cria uma obra onde você não consegue desapegar e não consegue prever nada do que vai acontecer. O constante suspense enriquece a obra de forma que o leitor fica atento a todos os detalhes, porque cada um deles pode ser o diferencial para que tudo se resolva nos capítulos.

Eu particularmente me emocionei muito enquanto lia Monster (sim, cheguei a chorar mesmo). Os vários personagens secundários que aparecem na trama, e que aos poucos se tornam protagonistas num todo, são muito bem trabalhados e cada um tem um papel primordial na sequência da história.

Detalhe: Monster foi escrito simultaneamente com 20th Century Boys durante dois anos. Só um grande mestre para manter a produção de duas grandes obras. No Brasil teve primeiramente as 10 primeiras edições lançadas pela Conrad, e depois foi lançada integralmente pela Panini (o volume 18 foi lançado em Maio/2015). É uma obra muito difícil de encontrar já que a quantidade de fãs é enorme e ficava sempre esgotada em banca. Adquira a coleção completa, clicando aqui!

1 – PLUTO (2003)

Na minha lista de melhores obras já feitas (incluindo quadrinhos em geral, e livros também), PLUTO está indiscutivelmente no TOP 3, ficando no nível de Sandman por exemplo. Porque é uma história que entrega tudo que precisamos receber de uma grande história: diverte, intriga, prende, encanta (muito com a ajuda da arte soberba de Urasawa).

A série é baseada na obra Astro Boy, que foi um grande marco na história dos mangás, e criada pelo grande mestre Osamu Tezuka (inclusive a obra é assinada como Urasawa x Tezuka, e Macoto Tezuka, filho de Osamu Tezuka, supervisionou a série). Urasawa foca especificamente no arco “The Greatest Robot on Earth”, que possui como vilão principal o personagem Pluto.

Em PLUTO, acompanhamos o detetive robô Gesicht, que começa a investigar o crime do assassinato de “Mont Blanc”, um robô da Suíça que era amado por todo o mundo, conhecido por seu grande poder, bondade, amor e esforço em proteger as florestas e a natureza. Pouco tempo depois, um dos humanos responsáveis pela criação das constituições e direitos dos robôs também é morto, e apresenta uma semelhança incrível com o crime cometido contra “Mont Blanc”: um par simbólico de chifres foi deixado acima de ambas as cabeças. Então, para a surpresa dos investigadores, assim como de Gesicht, o suspeito principal deve ser um robô.

Não consigo expor em palavras o que realmente PLUTO representa para os mangás. O melhor que posso dizer é LEIAM! É um marco alcançado de maneira imprevista por Urasawa. A edição da Panini pode ser encontrada aqui!

Então é isso, espero que gostem e fiquem no aguardo para os próximos TOP 5 de mangás!

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.