2021 é definitivamente o ano de Shaman King, principalmente para nós, brasileiros. Além da estreia do novo anime na Netflix, marcada para 9 de agosto, a editora JBC está relançando o mangá no país, agora em uma edição definitiva.
Aproveitando o hype, aqui vamos falar sobre a história de Shaman King, curiosidades e seu controverso histórico de publicação. Você sabia que o mangá foi cancelado sem um final e que o autor só conseguiu concluir a série anos depois? Pois é.
A trama
Shaman King começou a ser publicado em 1998 nas páginas da Shonen Jump, a mesma revista de sucessos como Dragon Ball, One Piece e Naruto, sendo uma criação de Hiroyuki Takei. Logo no começo do mangá, somos apresentados ao medroso Manta, um garoto que uma dia, meio que por acaso, vê um misterioso rapaz interagindo com espíritos no cemitério. Manta fica aterrorizado, mas não mais do que fica no dia seguinte, quando descobre que esse rapaz, Yoh Asakura, é o novo aluno de sua turma.
É quando a história começa de fato. Yoh é um xamã, uma pessoa que serve como ponte entre o mundo dos humanos e o mundo espiritual. Um xamã pode ser aliar a uma espírito, que irá lhe conceder todas as suas habilidades de luta. No caso de Yoh, seu espírito aliado é Amidamaru, um poderoso samurai.
Mesmo morrendo de medo de espíritos, Manta acaba fazendo amizade com Yoh, e o início da obra é sobre a relação dos dois, enquanto Yoh usa seus poderes para ajudar pessoas. No entanto, logo descobrimos que Shaman King não é sobre isso, e que tem algo maior rolando.

Somos apresentados ao conceito do Shaman Fight, um torneio realizado uma vez a cada 500 anos entre xamãs para escolher aquele que ganhará o tão aspirado título de “Rei Xamã”, capaz de contatar o Grande Espírito. O vencedor ganha a habilidade de remodelar o mundo da maneira que desejar. Anna Kyoyama, a noiva de Yoh, logo entra em cena e prescreve um regime de treinamento brutal para ao rapaz, a fim de prepará-lo para o torneio. Assim começa o enredo que levará Yoh em uma viagem que o levará a conhecer personagens marcantes como Ryu, Ren Tao e Horohoro, dentre outros.
O cancelamento
Atualmente, ainda que tenha os seus problemas, a Shonen Jump é muito mais complacente do que já foi um dia. É normal vermos, por exemplo, mangás de sucesso como Promised Neverland e Demon Slayer tendo liberdade de ser encerrados quando o autor quer, algo que até uns anos atrás era um cenário difícil. A Jump queria que as obras de sucesso fossem esticadas o máximo possível, o que muitas vezes prejudicou demais o mangá, como foi o caso de Bleach. Shaman King foi publicado em uma das piores fases da Jump, onde a revista passava por uma queda de vendas altíssima devido aos encerramentos de Dragon Ball e Slam Dunk, e precisava desesperadamente de um novo sucesso – e rápido.
Esse período, que inclusive foi quando One Piece surgiu também, foi bastante cruel para os autores, pois para manter um ciclo e testar o máximo possível de mangás até um sucesso conquistar de fato o público, mangás que não recebiam avaliações suficientes dos leitores eram cancelados sem pena, para das espaço a novas ideias.
Quando obras como Naruto, One Piece e Hunter x Hunter começaram finalmente a conquistar a atenção do público, deixando Shaman King para trás, Hiroyuki Takei recebeu a triste notícias dos editores: seu mangá seria cancelado e ele tinha apenas 8 capítulos para encerrar a história. Sabendo seria impossível dar um final digno para sua história em apenas 8 capítulos, Takei decidiu fingir que nada tinha acontecido e simplesmente usou os capítulos restantes para seguir contando a história da forma que queria. O mangá foi cancelado, e Shaman King não teve um final.
Porém, cinco anos depois, veio a boa notícia: A Sueisha, editora da Shonen Jump, começou a lançar uma versão definitiva do mangá de Shaman King, em volumes de luxo, e deu a Takei a oportunidade de concluir a história como um final de verdade – algo que ele fez em 15 capítulos. Essa versão do mangá, aliás, é a que a JBC está lançando agora no Brasil. Anteriormente, havia sido lançado no país apenas a primeira versão, sem final.
Os animes (o antigo e o novo)
Em 2001, Shaman King ganhou um anime pelo estúdio Xebec, que foi exibido na TV Tokyo e durou 64 episódios. Porém, sabendo o destino do mangá, você deve imaginar qual foi o do anime. A versão animada de Shaman King acabou seguindo um caminho diferente do mangá, terminando com uma luta entre Yoh e seu irmão maligno, Hao. No Brasil, o anime foi exibido completo pela Fox Kids na TV fechada, enquanto que na TV aberta a Red Globo tinha os direitos de exibição, mas por medo do conservadorismo do público devido ao tema de espíritos, acabou exibindo apenas os primeiros episódios.
Mesmo com todos os percalços em seu caminho, Shaman King sempre teve uma fiel base de fãs, que sonhava com um novo anime, dessa vez adaptando de forma correta o mangá – que finalmente tinha um final. E o autor, Hiroyuki Takei, também era um grande defensor desse sonho. Porém, ele tinha algumas exigências das quais não abria mão para que isso acontecesse: Takei queria usar as mesmas músicas do anime original e também o mesmo elenco de vozes. O autor chegou a recusar a proposta de um estúdio, pois o remake contaria com uma nova produção do zero.
Porém, Takei finalmente conseguiu realizar seu sonho, pelo menos em partes. Sim, o novo anime, que estreia aqui no Brasil pela Netflix em 9 de agosto, conta com a grande maioria do elenco japonês retornando aos seus personagens. Com produção do Studio Bridge, o mesmo responsável por Fairy Tail Zero e Yu-Gi-Oh Sevens, o novo anime de Shaman King terá 52 episódios, de acordo com seu site oficial, cobrindo todo o mangá. Entendeu agora por que 2021 é o ano de Shaman King? Deixa aí nos comentários se você tá empolgado para o novo anime, e se vai também pegar a edição definitiva do mangá pela JBC. Clique aqui nesse link para comprar o volume 1 na Amazon.