A série de The Last of Us, um dos jogos mais aclamados e premiados de todos os tempos, está chegando no HBO Max neste fim de semana, e já aparece em algumas críticas iniciais da imprensa especializada como “a melhor adaptação de games de todos os tempos”.
O game é incrível, a série promete ser um enorme sucesso, mas muita gente ainda pode estar por fora do que realmente é The Last of Us. Pensando nisso, no vídeo de hoje trazemos alguns pontos que são relevantes para você se preparar para o que verá na telinha.
Fungo real
The Last of Us lida com um mundo onde fungos transformam seres humanos comuns em monstros. Claro, é ficção científica, mas é muito, muito próximo de um fato científico. O próprio fungo, por exemplo, é real. A única diferença é que ele não afeta os humanos – ainda não, pelo menos.

Ophiocordiceps unilateralis, o fungo do jogo que transforma homens e mulheres em bestas predatórias, é bem conhecido entre cientistas e fãs de terror como a substância que produz zumbis reais. O Cordyceps se reproduz infectando insetos, assumindo o controle de seus sistemas nervosos, e lentamente substituindo sua carne por esporos até que não reste nada da criatura original.
A criatura hospedeira começará a agir de forma anormal – seus movimentos podem se tornar erráticos, ela parará de comer e, em muitos casos, subirá até um ponto alto, como uma planta ou galho. Isso é feito para que o fungo tenha o melhor alcance possível quando libera seus esporos. Bizarro.
É bem perturbador, tornando-o perfeito para o mundo sombrio de The Last of Us. A equipe de produção do game aprendeu sobre o fungo Cordyceps enquanto assistia a um episódio do documentário sobre a natureza da BBC, “Planeta Terra”. Assim que assistiu ao programa, Neil Druckmann pensou: “E se isso afetasse humanos?”
Sarah e o Relógio
A morte da filha de Joel, Sarah, é o primeiro impacto no jogador, ali nos primeiros 15 minutos de gameplay. Somos apresentados a Joel por meio de sua filha, quando ela lhe dá um relógio de aniversário. Desde os primeiros momentos do jogo, a vida que Joel e Sarah construíram juntos é, embora modesta, claramente algo que eles apreciam.
Então, é claro, tudo dá errado quando o mundo desmorona – noticiários terríveis, explosões distantes e Joel sendo obrigado a atirar em seu vizinho infectado. Enquanto eles fogem, o jogador assiste através de Sarah o surto tomando conta. Ela se apresenta como a personagem principal deste jogo, aquela através da qual o jogador vivenciará o mundo. E então… ela morre.

É um momento de partir o coração que não parece real a princípio. É cru e terrível, deixando claro a realidade do surto e que tipo de jogo será esse. Também marca o momento em que o mundo de Joel realmente se despedaça, junto com seu relógio. Conforme o jogo avança, fica claro que esse relógio aparentemente inócuo significa mais para Joel do que ele deixa transparecer.
Se os jogadores prestarem atenção, poderão perceber que, em momentos de estresse ou alta emoção, Joel tem o hábito de tocar o relógio, como se estivesse se ancorando em sua conexão com sua filha perdida. Mesmo 20 anos depois, quando sua vida antes do surto é algo do passado, o relógio permanece.
Os Povos do Apocalipse

Como na maioria das situações pós-apocalipse, os sobreviventes de The Last of Us formaram vários grupos na esperança de criar uma nova vida para si mesmos. A FEDRA é um grupo militar federal que é uma combinação do exército e da FEMA que existia antes do surto, formando um sistema que governa as zonas de quarentena do país. O grupo atua como um antagonista de fundo ao longo do jogo; eles exercem poder absoluto sobre as zonas que controlam. Além de mentir sobre o número de pessoas infectadas além dos muros da zona de quarentena, a FEDRA e os militares executam qualquer um que se pense estar infectado.
Os Vagalumes, por sua vez, se levantaram contra os militares; eles discordaram do uso do poder absoluto sobre os cidadãos das zonas de quarentena e pediram o restabelecimento do governo. Com o tempo, os Vagalumes conseguiram tomar várias zonas da FEDRA, incluindo uma em Salt Lake City, que se tornou sua principal base de operações. Liderados por Marlene, os Vagalumes exortam as pessoas que vivem nas zonas de quarentena a se rebelarem contra a FEDRA e os militares, na esperança de ultrapassar as zonas e implementar um novo governo.

Algumas zonas se voltaram contra os Vagalumes com medo de que fossem ainda mais oprimidos, com os cidadãos formando grupos de caçadores e sobreviventes. Outras comunidades, como a Frente de Libertação de Washington, permanecem aliadas aos Vagalumes. Enquanto esses dois grupos principais estavam na vanguarda da luta do país contra os Cordyceps e controlavam os cidadãos do país, outros grupos também se formaram; facções e comunidades menores que pretendiam sobreviver juntas após o surto, algumas delas de bandidos, outras de caçadores.
Joel, Ellie e Marlene
No mundo de The Last Us, as linhas entre o bem e o mal são mais do que tênues; para muita gente, a moralidade simplesmente morre no fim do mundo. Para outros, dedicar-se a salvar a humanidade é a única coisa que vale a pena fazer, independentemente das consequências. Os Vagalumes estão empenhados em devolver o mundo ao normal, e estão dispostos a fazer o que for preciso para atingir seus objetivos, desde espalhar propaganda até matar pessoas inocentes.

A grande chance de retornar o mundo ao normal vem quando Marlene, a líder dos Vagalumes, descobre que a garota Ellie é imune ao Cordyceps, tendo inclusive sido mordida por um infectado sem sofrer qualquer alteração. Por um acaso do destino, acaba caindo nas mãos de Joel a responsabilidade de levar a garota até a base dos Vagalumes, algo que ele considera – pelo menos inicialmente – apenas mais um serviço de contrabando. Ao longo da jornada de cerca de um ano, Joel e Ellie acabam se aproximando, e a garota desperta nele os sentimentos paternos enterrados há tantos anos.
O ápice dessa relação acontece justamente quando Marlene manda Ellie para uma cirurgia para remover o fungo alterado em seu cérebro, que causa sua imunidade. Isso poderá finalmente criar uma cura para a humanidade, mas consequência desta operação é que Ellie morrerá. É um momento crucial para Marlene e para Joel, que estão em lados opostos dessa escolha.

Para Joel, é um momento de clareza sobre o quanto Ellie significa para ele e o que ele está disposto a fazer por ela. Para Marlene, é uma aceitação de que seus próprios sentimentos pessoais não importam no grande esquema de parar o surto. Onde Joel se recusa a deixar Ellie morrer para criar uma cura que pode não funcionar, Marlene se recusa a arriscar a possibilidade de uma vacina para salvar a menina que ajudou a criar.
Tommy, a antítese de Joel
Tommy é o irmão de Joel, que estava com ele na noite em que Sarah morreu e que não aparece novamente no jogo até que Joel e Ellie o encontrem em Jackson, a comunidade que ele e sua esposa reconstruíram. Embora Tommy e Joel inicialmente tenham permanecido juntos durante o surto, os dois se desentenderam, resultando em caminhos separados; Tommy queria fazer mais do que apenas “sobreviver”, esperando realmente viver a vida e superar a dor que o surto havia causado.

Onde Joel está preso no passado, assombrado pela morte de sua filha, Tommy representa seguir em frente; ele não esquece Sarah ou a tragédia que se abateu sobre ela, mas é capaz de crescer e fazer algo mais com as cartas que a vida lhe deu. Ele se casa e ajuda a reconstruir a comunidade de Jackson, criando um lugar de refúgio e reavivamento.
Mais do que apenas uma antítese da estagnação de Joel, Tommy é parte integrante da história; ele tem um histórico com os Vagalumes e tem informações que podem ajudar Joel e Ellie em sua busca. Quando Joel e Tommy finalmente se reencontram, sua dor compartilhada pela morte de Sarah o torna a pessoa que finalmente consegue falar com o irmão sobre ficar com Ellie, colocando Joel no caminho da cura.
A sexualidade de Ellie
Riley é uma personagem extremamente importante em The Last of Us, embora apareça pouco. Ela é a primeira de uma série de mortes pelas quais Ellie se sente responsável; no final do primeiro jogo, Ellie admite a Joel que ela “ainda está esperando sua vez”, referindo-se à sua culpa de sobrevivente e ao fato de que, embora ela e Riley tenham sido mordidas ao mesmo tempo, apenas Riley “se transformou”. Ellie se sente responsável pela morte de Riley, e assim ela sente que é seu dever usar sua imunidade para ajudar os outros, não importa o custo. Mas a importância de Riley na narrativa vai muito além de desenvolver o sentimento de culpa de Ellie.

The Last of Us não gasta muito tempo investigando a sexualidade de Ellie. Ela e Joel estão muito ocupados tentando sobreviver, afinal. A expansão do game, “Left Behind”, no entanto, é outra história. Na breve aventura, que ocorre muito antes do jogo principal, Ellie passa um dia em um shopping abandonado com sua melhor amiga, Riley. Mas Riley é mais do que apenas uma amiga: no final da DLC, Ellie dá um beijo de despedida em Riley. Quando Ellie se desculpa, Riley apenas sorri e questiona pelo que ela está se desculpando.
Imediatamente, a comunidade de fãs entrou em ação. Esse beijo significava que Ellie era homossexual, ou era simplesmente um momento de ternura entre duas amigas? De acordo com Neil Druckmann, isso nunca deveria ter gerado dúvidas. Ele declarou que, ao escrever a cena, a ideia era mostrar que Ellie era gay e, quando as atrizes gravaram, elas estavam trabalhando com a ideia de que ambas se sentiam atraídas uma pela outra. A homossexualidade de Ellie foi mais desenvolvida na sequência do game, The Last of Us Part II, onde se apaixona e inicia um relacionamento com Dina.
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