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Blue Lock é uma das maiores séries shonen do momento e recentemente foi classificado como o mangá mais vendido de 2023. Todo esse sucesso veio da sua combinação maluca de futebol, battle shonen e uma ideologia exagerada sobre o egoísmo.
Chainsaw Man e Oshi no Ko eram grandes apostas como os mangás mais vendidos desse ano por terem sido os animes de mais destaque entre 2022 e 2023, mas o anime de Blue Lock levou os fãs a conhecerem o mangá de Muneyuki Kaneshiro e Yusuke Nomura, que apresenta uma ideia de esporte fora dos padrões. Conheça mais sobre Blue Lock nesse artigo e veja como sua história hipnotiza os leitores com uma arte alucinante.
A história de Blue Lock

A história de Blue Lock se passa no Japão, o país que sofreu uma derrota humilhante na Copa do Mundo de 2018. Os empresários que financiam e lideram a Associação de Futebol Japonesa se contentaram com a derrota e não acreditam que um dos seus jogadores possa trazer a vitória. Porém, uma pessoa entre eles discorda e apresenta uma solução ao problema, o projeto Blue Lock.
A ideia do projeto é recrutar 300 jogadores jovens e talentosos do Japão para competirem entre si em uma instalação supervisionada pelo técnico Jinpachi Ego. Entre os jogadores selecionados, conhecemos o protagonista Isagi Yoichi, um jovem que sonha em se tornar um grande atacante de futebol.
O objetivo de Ego é colocar todos esses jogadores em uma série de treinos intensos para criar o melhor atacante do mundo, pois só esse jogador poderá trazer a vitória ao Japão. Os 5 melhores jogadores terão a chance de entrar para a equipe da seleção japonesa sub-20, mas todos que forem eliminados no processo perderam o direito de jogar na seleção por toda sua vida.
Ego enfatiza desde o começo que os melhores jogadores precisam ser egoístas, então ele criou um ambiente extremamente competitivo e rigoroso para levar os selecionados ao limite. Quando todos se reúnem pela primeira vez, ele até faz um discurso impactante, dizendo que os jogadores da seleção japonesa são fracos por focarem no coletivo ao invés do individualismo.
Ele até usa frases de grandes jogadores, como Pelé, para comprovar o seu ponto: os melhores jogadores são egoístas e só se importam em fazer gols. Esse discurso mexe profundamente com todos os jovens, principalmente Isagi, que decidem entrar de cabeça no Blue Lock para terem a chance de se tornar o melhor.
O exagero de sua história
Desde o primeiro capítulo, Blue Lock deixa claro que levará os personagens a competições extremas de futebol, e o seu diferencial é apresentar isso da forma mais exagerada possível. O exagero dramático fica bem evidente em cada jogada, expressão e frase dos personagens.
Quando um jogador expressa raiva, as suas veias ficam bem visíveis na testa e parecem que vão explodir. Quando ficam determinados ou analíticos, suas pupilas viram espirais, que refletem a psicopatia dos personagens pela vitória. Os desenhos de suas jogadas são acompanhados por efeitos especiais que tornam um mero chute em um ataque explosivo e poderoso.
Com esses adicionais, os autores desejam deixar o cenário o mais dramático possível para enfatizar que é uma disputa feroz pelo título de melhor atacante. Além disso, a série vai pelo caminho oposto do shonen que sempre prioriza as relações de amizade para trazer personagens que priorizam sua própria vontade.
Os animes/mangás de esportes sempre priorizam a amizade do time como um incentivo para os jogadores ficarem cada vez melhores. Essa lógica é fundamental para os times porque não é possível jogar no campo sem o trabalho em conjunto. Por outro lado, Blue Lock quebra essa lógica, dizendo que o jogador não pode ser o melhor enquanto se importa com os outros.
A princípio, Isagi e os outros jogadores ficaram tão obcecados por isso que era impossível para eles jogarem em equipe. Todos os times colidiram entre si mesmos na tentativa desesperada de roubar a bola para marcar o gol. Nenhum dos jogadores quer ser o cara que só passa a bola, todos querem ser o melhor, então aqueles que demonstram o seu ego logo de cara se destacam mais.
Seria impossível criar partidas de times com todo mundo brigando entre si, mas Isagi percebe que os mais habilidosos dominam o campo, fazendo todos os outros acompanharem suas jogadas. Nesse sentido, o trabalho em equipe acontece por meio de competições internas pela bola, eles praticamente se aproveitam das habilidades dos companheiros para os seus próprios benefícios.
Isagi faz grandes amigos no Blue Lock, como Bachira, Chigiri e Kunigami, mas nenhum deles pensa em ficar para trás pelos companheiros que falharam. Eles avançam mesmo que tenham que destruir os sonhos de um amigo.
A sua narrativa visual incrível
A narrativa visual de Blue Lock sempre entrega cenas impactantes devido a forma que o ilustrador do mangá utiliza a perspectiva e enquadramento nos desenhos. O traço dos personagens não é algo que fica acima do padrão, mas a perspectiva de futebol no mangá chega a um nível impressionante e se diferencia pelo seu toque único do exagero.
No momento das grandes jogadas, sempre vemos os personagens posicionados para atacar em um ângulo fechado ou médio. Essas jogadas de perspectiva são muito utilizadas em mangás como Haikyuu e Slam Dunk para simular a visão de uma jogada realista de esporte aos leitores.
Entretanto, Blue Lock entrega isso com efeitos especiais para criar uma visão selvagem dos seus personagens. Isso pode parecer poderes especiais, mas são apenas efeitos visuais para simular uma batalha shonen. Ao destacar os jogadores em um ângulo próximo, eles atingem uma posição de soberania perante os outros.
Isagi domina o campo com sua visão analítica, Bachira passa pela defesa com seus dribles rápidos, Chigiri ultrapassa todos com sua velocidade, o mangá enquadra a peculiaridade de cada personagem de uma forma específica para cada um ter o seu próprio método de destaque.
Além disso, os autores decidiram simular as partidas como uma batalha shonen ao invés de futebol. Existe até um debate entre o fandom se Blue Lock pode ser considerado uma série de esporte por causa disso, mas Kaneshiro já disse em entrevista que sua intenção não era criar uma história só para aqueles que acompanham animes/mangás de futebol.
A ideia estranha de Kaneshiro conquistou a atenção de Nomura, que aceitou ajudá-lo com o mangá como seu ilustrador. Nomura revelou que também não costuma assistir futebol, mas conseguiu se adaptar ao gênero por ter liberdade para desenhar cenas no estilo de uma batalha.
Os resultados de alcance de público deixam claro que essa maluquice de Blue Lock se tornou o seu maior atrativo como mangá, ele consegue trazer a empolgação de uma partida de esporte misturada com a fantasia de batalhas sobrenaturais.
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Blue Lock já recebeu o prêmio de Melhor Shonen na 45ª edição do Manga Awards. A adaptação em anime com direção de Tetsuaki Watanabe foi um grande sucesso da Temporada de Outono em 2022, com a Copa do Mundo ajudando a impulsionar a audiência.
No Brasil, a obra foi lançada pela Panini em 2022. A edição brasileira conta com 200 páginas em papel offwhite, capa cartão, lançamento mensal e preço de R$ 33,90.
O anime produzido pelo estúdio 8-bit (That Time I Got Reincarnated as a Slime) está disponível na Crunchyroll com a opção de dublagem em português.