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A indústria de mangá está passando por várias mudanças devido a migração das revistas digitais, o que possibilita um alcance de audiência ainda maior, além do Japão. No meio dessa mudança, Kagurabachi teve uma repercussão inimaginável, chegando a virar tendência de assunto entre o público internacional.
A recepção inicial foi tão grande que Kagurabachi ficou conhecido como o mangá do momento e até o sucessor de Naruto e One Piece. Mas, às vezes, a fama descomunal que vemos em cima de uma série nova é apenas uma bola neve desenfreada criada pela internet. Pensando nisso, será que Kagurabachi realmente é um mangá fora dos padrões ou sua fama não passa de um meme?
A estreia de Kagurabachi

A Shueisha já sabia que Jujutsu Kaisen e My Hero Academia estavam perto de acabar antes mesmo de 2024, então os editores precisavam encontrar mangás que assumam a próxima geração o mais rápido possível. Em setembro de 2023, a Shonen Jump publicou a edição JUMP NEXTWAVE, que incluía o lançamento de três mangás novos: Kagurabachi, MamaYuyu e Two on Ice.
A equipe editorial fez uma grande divulgação para as edições desse mês, pois foi a estreia de três ganhadores do Prêmio Tezuka na revista. MamaYuyu e Two on Ice acabaram sendo cancelados em menos de um ano, e apenas Kagurabachi permaneceu em andamento.
O autor de Kagurabachi

O autor de Kagurabachi é Takeru Hokazono, o mangaká novato que mais se destacou na Shonen Jump nos últimos anos. Segundo Takuro Imamura, o editor do autor, Hokazono sempre foi um fã de mangás, com o desejo de publicar na Jump. Entre suas inspirações, Naruto é a sua maior influência na carreira profissional.
A maioria dos mangakás famosos desenham desde criança, mas Hokazono começou a desenhar para valer em 2020, quando teve que ficar em quarentena. Antes de Kagurabachi fazer sua estreia, o autor ganhou o Prêmio Tezuka em 2020, teve 3 one-shots publicadas na Jump Giga em 2021 e mais duas na Shonen Jump em 2022.
Ou seja, ele já conseguiu uma serialização na maior revista de mangás do Japão, mesmo sendo um iniciante com apenas 5 anos de experiência. Seus leitores ficaram surpresos com a trajetória rápida do autor, visto que mangakás veteranos, como Masashi Kishimoto e Eiichiro Oda, passaram por muitas dificuldades para conquistar uma serialização.
História de vingança

Kagurabachi é uma história de vingança que se passa em um Japão paralelo e dominado por espadachins e feiticeiros. O protagonista, Chihiro Rokuhira, busca vingança contra o Hishaku, uma organização criminosa formada pelos feiticeiros mais perigosos e poderosos do Japão
Eles mataram o pai de Chihiro para tomar as Youtous, espadas que ficaram famosas na última guerra pelos seus poderes mágicos. Nas mãos erradas, as Youtous podem tirar muitas vidas inocentes. Então, empunhando a última espada forjada pelo seu pai, Chihiro caça os membros do Hishaku para recuperar o que eles roubaram.
A princípio, Imamura achou que o tema de Kagurabachi não era o ideal para uma revista shonen, mas ele resolveu apostar na ideia de Hokazono, já que história de vingança é sua especialidade. Esse tema também foi abordado em suas one-shots, e o autor insistiu para sua série seguir o mesmo caminho. Ele explorou várias referências para dar vida ao seu mangá, incluindo Naruto, Chainsaw Man, Attack on Titan, Ajin: Demi-Human e filmes de ação como John Wick.
O impulso da internet

O mercado de mangás e animes atualmente tem uma consideração maior pela opinião do público ocidental por causa do consumo nas plataformas digitais. Contudo, é importante destacar que a audiência japonesa ainda é a prioridade deles. Por exemplo, Hokazono desenvolveu Kagurabachi, pensando apenas nos leitores da Jump, sem levar em conta o impacto que teria no ocidente.
Em entrevista, seu editor disse: “Como ele está criando com a intenção de ganhar popularidade na revista Jump, não tínhamos considerado como o mangá iria se sair internacionalmente. Quando ouvi que estava bombando no exterior depois que a serialização começou, fiquei surpreso, pensando: ‘Espere, é popular lá?’ Foi uma resposta agradavelmente inesperada, como um erro de cálculo feliz.”
Em seus primeiros capítulos, a repercussão de Kagurabachi no MANGA Plus foi muito além do comum. O mangá estreante superou Jujutsu Kaisen, Boruto, Spy x Family e muitos outros veteranos nos rankings digitais do ocidente. Todo esse impulso ganhou força na internet após o primeiro capítulo atingir mais de um milhão de visualizações em apenas alguns dias.
Seu nome foi crescendo cada vez mais, com os cortes de TikTok, YouTube e comentários que diziam “Kagurabachi está carregando a Shonen Jump”. O problema é que muitos desses comentários eram memes que acabaram assumindo os holofotes. As pessoas comentavam sobre o mangá sem ao menos ler um capítulo e usavam apenas o hype do momento como base de assunto. Desse modo, Kagurabachi ficou mais famoso pelo meme do que a história em si.
Além disso, sua repercussão inicial no Japão não teve o mesmo estrondo que vimos aqui no ocidente. Na opinião dos leitores japoneses, os primeiros capítulos tiveram um bom ritmo de ação, as páginas duplas tem um grande impacto visual e é possível notar algumas referências de Naruto e Bleach. Mas eles também destacaram alguns pontos que deixaram a desejar, como a qualidade do traço.
Kagurabachi é a aposta da Shueisha

Depois que a febre do meme passou, Kagurabachi começou a crescer gradualmente no ocidente pela qualidade da sua história, assim como foi no Japão. O mangá correu risco de entrar na linha do cancelamento, quando os capítulos ficaram em posição baixa no TOC (sistema de votação da Shonen Jump).
Entretanto, os fãs do ocidente fizeram uma campanha para impedir que Kagurabachi seja cancelado. Essa campanha chamou atenção ao ponto de jornais e programas de TV japoneses destacarem o sucesso de Kagurabachi no exterior. Nesse ritmo, o mangá ganhou mais notoriedade por influência do público e da Shueisha.
Hokazono teve sua história elogiada por Takehiko Inoue (Slam Dunk e Vagabond), Kohei Horikoshi (My Hero Academia), Kishimoto (Naruto), além de carregar grandes expectativas do departamento editorial.
Quando chega a adaptação em anime?

Recentemente, surgiram especulações de que Kagurabachi irá ganhar uma adaptação de anime em parceria com as produtoras CyberAgent e Shochiku.
CyberAgent é conhecida pela produção de Oshi no Ko, enquanto Shochiku tem notoriedade na produção dos filmes de Violet Evergarden, Fullmetal Alchemist, Cardcaptor Sakura e muitos mais.
Caso a produção esteja em andamento, a adaptação deve sair até 2026.
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O mangá criado por Takeru Hokazono alcançou 1,3 milhão de cópias em circulação, e é serializado na revista semanal Shonen Jump desde setembro de 2023.
Os novos capítulos são disponibilizados gratuitamente na plataforma MANGA Plus aos domingos com tradução em português.
Chihiro, um garoto que almeja forjar espadas, foi treinado pelo seu pai que também é um ferreiro. Um pai brincalhão e um filho silencioso. Eles achavam que seus dias felizes jamais acabariam, mas… Num certo dia, a tragédia bateu em sua porta. Laços manchados de sangue e uma rotina que jamais voltaria. O garoto arde de ódio e abriga as chamas da sua determinação em seu coração.





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