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Conhecido por sua contribuição como diretor criativo de Far Cry 4 e Assassin’s Creed III, Alex Hutchinson acredita que a Ubisoft se tornou “alérgica” à criação de novos jogos, e se mantém em uma zona de conforto com suas propriedades intelectuais estabelecidas.
O desenvolvedor, em entrevista ao site do PC Gamer, comentou sobre sua saída da companhia em 2017, além daquilo que considera ter sido um esvaziamento de talentos nos últimos anos.
“É uma pena. Acho que várias coisas aconteceram”, afirmou. “O estilo de desenvolvimento que nós criamos permitia gerenciar grandes equipes deixando que funcionassem como grupos individuais, com autonomia sobre suas próprias partes… e assim, jogos maiores seriam feitos com agilidade. Mas então, com o boom recente, houve um período estranho de cinco anos com muito investimento de private equity e aportes que nunca tínhamos visto antes. Muitos profissionais seniores deixaram a Ubisoft e fundaram estúdios ou se dividiram. Houve uma fuga de talentos.”
Na visão dele, a saída de funcionários experientes, somada ao tamanho massivo da companhia, contribuiu para o momento atual.
“Se você tem uma equipe de 800 pessoas, é muito difícil gerenciar, mesmo que estejam no mesmo prédio”, acrescentou. “Se elas não estão vindo ao trabalho, como você supervisiona? Como garante que o que precisa acontecer está acontecendo? E os desenvolvedores juniores não aprendem, porque gostam de trabalhar de casa e não gostam de fazer perguntas. Acho que eles também perderam esse embalo.”
Sobre a escassez de IPs, Hutchinson afirmou que a Ubisoft sempre teve um histórico de apostar em continuações de franquias consolidadas, mas também costumava investir em projetos inéditos.
“Eles sempre tiveram um histórico de fazer sequências das franquias, mas também de ter algumas coisas novas surgindo. Eles ficaram muito alérgicos às novidades e acabaram cancelando várias das nossas ideias, como quando eu estava trabalhando em Pioneer. Não havia nada novo vindo por aí,” completou.
Vale lembrar que, em janeiro, a Ubisoft confirmou “um amplo processo de reestruturação“, descrito como um “grande reset”. Múltiplos jogos foram cancelados, incluindo Prince of Persia: The Sands of Time Remake, e adiamentos estratégicos também aconteceram.
No total, seis títulos até então em desenvolvimento não seguirão adiante, incluindo quatro ainda não anunciados (três novas propriedades intelectuais e um mobile).
Os estúdios de Halifax e Estocolmo acabaram encerrados, reforçando o enxugamento da estrutura global da empresa.
Outra mudança significativa ficou por conta da adoção de um novo modelo operacional, baseado em cinco Casas Criativas.
Cada uma delas terá liderança própria e responsabilidade “de ponta a ponta” sobre seus respectivos portfólios, com o objetivo de acelerar decisões, melhorar a eficiência e garantir maior coerência criativa dentro de cada grupo de franquias.
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Fonte: PC Gamer