Comentários

A Panini Comics não perde tempo. Depois de arrebanhar para si Marvel, DC Comics, Turma da Mônica, diversos mangás, uma fatia considerável da Disney e da Bonelli, agora ela tomou para debaixo de seu guarda-chuva também Asterix, o Gaulês e seu universo de álbuns em estilo europeus. As histórias de Asterix misturam noções de História Antiga com paródias e humor sobre os costumes dos povos em que Asterix e seus intrépidos amigos visitam. Os quadrinhos de Asterix podem ser ótimas ferramentas educacionais para o ensino de História, Geografia, e até de Sociologia e Filosofia integrando os alunos ao espírito crítico e dando vazão ao pensamento em prol das diversidades de culturas, de povos e de etnias. 


Antes de continuar: Participe do nosso grupo de Whatsapp e receba ofertas diárias de Quadrinhos com desconto. Para participar, basta clicar aqui!


Mas quem é Asterix? E o que suas histórias tem de tão especiais que conquistaram gerações desde o final dos anos 1950 e mesmo depois de seus criadores principais, René Goscinny e Albert Uderzo já terem falecido e os álbuns dos personagens serem feitos por outros artífices herdeiros de sua verve crítica, satírica e dos desenhos que ajudaram a compor e dar corpo ao estilo de quadrinhos conhecido como “linha clara”?

“O ano é 50 antes de Cristo. Todos os povos da Europa foram dominados pelo Império Romano. Todos? Nãooo! Uma aldeiazinha no norte da Gália (a França) resiste bravamente!” Essa é, em linhas gerais, a introdução de todos os quadrinhos de Asterix, que ajuda o leitor a se situar temporal e espacialmente no enredo de Asterix. Mas e por que aquela aldeiazinha gaulesa, cercada por diversas centúrias ainda resiste bravamente? A resposta é uma poção mágica feita por um druida chamado Panoramix, que de tempos em tempos a oferece para os cidadãos da aldeia para que eles ganhem uma força descomunal. Menos, é claro, para Obelix, o minerador de menires, que é proibido de tomar a poção mágica porque caiu no caldeirão da mesma quando ainda era um bebê. 

Asterix é o mais valente dos guerreiros da aldeia, mas possui uma estatura diminuta, por isso seu nome vem de Asterisco, um símbolo gráfico que dá continuidade a uma nota de rodapé. E, como uma nota de rodapé, aliado a Asterix está seu cachorrinho Ideiafix, que não fala, mas tem os pensamentos mais lúcidos de toda a aldeia gaulesa, promovendo, então as tais notas de rodapé que o asterisco prevê. Além disso, Ideiafix é um cachorrinho ecologista, porque sempre chora quando uma árvore é derrubada, serrada ou arrancada.  Essa motivação de Ideiafix o aproxima de Panoramix e da missão dos Druidas, que é a de preservar as florestas, se utilizar das ervas e produzir mágicas. 

Todos os personagens da Gália, a França da antiguidade, têm o nome que acaba com o sufixo -ix. Já os romanos, têm um nome que acaba em -s como Claudius Faustus ou Julius César o César Augustus. Julius César, inclusive, é o grande inimigo dos gauleses Asterix, Obelix e companhia, e vai e volta, os nossos heróis entram em combate com o Império Romano, com Obelix  colecionando capacetes e batendo o dedo na cabeça dizendo “São doidos esses romanos!”. Existem lances geniais acontecendo dentro da própria linguagem dos quadrinhos nos álbuns do Asterix, como por exemplo povo bárbaro dos Godos falarem sempre usando caracteres góticos. Ou ainda, os ingleses usarem expressões invertidas como delicioso chá e não chá delicioso, o que provoca momentos de gargalhadas, como só Goscinny e Uderzo souberam criar. 

Você pode encontrar alguns exemplares da coleção de álbuns de Asterix neste link.

As peculiaridades de costumes de algumas nações são motes para a criação da maioria dos álbuns da coleção de Asterix, como por exemplo quando vão ao Egito e encontram Cleópatra, ou quando vão à Grécia participar dos Jogos Olímpicos. Mas existem outras culturas menos visadas, que Asterix, Obelix e Ideafix também vão visitar e servem de porta de entrada para os leitores entenderem como aqueles povos da antiguidade evoluíram para os povos atuais. Alguns exemplos são os Belgas, os Holandeses, os Escoceses, os Portugueses, entre outros. Os leitores, sejam crianças em idade escolar, ou adultos que querem entender os conflitos mundiais, passam e ter uma noção lúdica de como os europeus enxergam uns aos outros e porque, num espaço tão pequeno de terras existem costumes tão diferentes que costumam se chocar uns contra os outros por besteiras como identidade nacional.  

Asterix e Obelix são extremamente populares desde a França até o mundo inteiro, passando, é claro, pelo Brasil. Já ganharam diversas animações e pelo menos quatro filmes, com Obelix sendo interpretado pelo virtuose do cinema francês Gérard Depardieu. Eles possuem até mesmo um parque temático nos arredores de Paris. Agora, como nosso post já está acabando, vamos fazer como no final da grande maioria dos álbuns de Asterix e sua turma: vamos preparar um banquete, com muitos javalis assados para que Obelix coma pelo menos uma dúzia, o chefe Abracurcix propondo um brinde e o bardo Chatotorix, portador das odes mais chatas e desafinadas do mundo, amarrado e amordaçado em um canto do quadrinho. Um brinde, então, à Asterix e vida longa na casa nova (mesmo configurando, cada vez mais, monopólio!) Viva! Viva!



Comentários