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Desde que começou a transformar a Skydance em uma das grandes empresas de mídia de Hollywood, David Ellison teve apenas uma grande derrota: a saída de Taylor Sheridan (criador de Yellowstone) da Paramount para a NBCUniversal, que só vai se concretizar totalmente em 2029. Invariavelmente, a fusão da Paramount com a Warner vai gerar uma série de demissões, mas Ellison tentará manter parte do corpo criativo da Warner — que é, de fato, muito bom. Ao que parece, no entanto, a Universal está disposta a tomar mais gente dele.
A verdade é que Hollywood é uma indústria regida por vaidade e poder. A imagem é deusa em Los Angeles, e qualquer grande empresa de mídia quer garantir os melhores nomes do mercado sob o seu guarda-chuva. Não é preciso ser nenhum insider para saber que o sonho da vida de Ellison é trabalhar com Christopher Nolan um dia, por exemplo. Mas esse a Universal não vai largar fácil, especialmente depois de A Odisseia ter arrecadado quase US$ 2 bilhões globalmente.
A Skydance vai dominar os holofotes da imprensa por vários dias em outubro. Afinal, é a novidade do momento. E é justamente enquanto isso acontece que Donna Langley, presidente da NBCUniversal Entertainment, decide ostentar estrategicamente a capacidade de oferecer um acordo muito mais atraente para um dos meninos de ouro da Paramount.
“Via uma oportunidade pela disrupção e instabilidade na Paramount (época em que Ellison estava esperneando para comprar a Warner). Foi uma questão de olhar para o mercado e ver se existe uma vantagem competitiva.“, explicou Langley no Screentime, evento da Bloomberg. “Minha conversa com o Taylor começou pelo cinema, porque eu sabia que ele tinha um acordo de cinema na Paramount, mas era apenas um contrato de preferência. Não tinha o mesmo peso nem a mesma força do contrato de televisão dele. Foi assim que começou, aí fomos conversando e uma coisa levou à outra.“
O recado é evidente. Olhem aqui, criativos da Warner e do mercado em geral: nós não temos apenas tanto ou mais dinheiro que a Skydance, mas também estabilidade. Escolham a gente.
O resultado dessa disputa descobriremos em breve, pois há muito o que acertar na Skydance — a começar por uma estruturação executiva mais sólida. Mike De Luca e Pam Abdy podem ter colecionado fracassos com alguns filmes enquanto presidiam a Warner Bros. Pictures, mas são infinitamente mais talentosos e influentes com grandes nomes do que Josh Greenstein e Dana Goldberg, que serão os novos reis do cinema na empresa de David Ellison.
Outro problema a ser superado, é que, há mais de 20 anos na indústria, Ellison sempre demonstrou dificuldade de atrair os grandes talentos para seus projetos. Não há quem o descreva como uma pessoa ruim, mas ele também nunca foi convincente. Agora, ele tenta com uma montanha de dinheiro comprar essa relação melhor com a indústria.
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Sobre Taylor Sheridan, ele certamente é mais lembrado pelas séries que criou para o Paramount+, como Operação: Lioness, Yellowstone e tantas outras. No entanto, costuma-se esquecer que sua projeção original veio do cinema, assinando os roteiros de obras como Sicario: Terra de Ninguém (2015) e Terra Selvagem (2017) — além de ter recebido uma indicação ao Oscar pelo excelente A Qualquer Custo (2016).
Parte de sua frustração de Sheridan com a Paramount envolveu o veto de Josh Greenstein e Dana Goldberg ao seu projeto sobre a corrida espacial, Capture The Flag. O longa trazia críticas contundentes à interferência corporativa nas políticas públicas norte-americanas, traçando paralelos diretos com figuras ligadas a David Ellison — como Elon Musk — e até com o próprio pai do executivo, Larry Ellison, já que a corporação antagônica do filme se chamava Oracle.
A Skydance tem pelo menos mais três filmes escritos por Taylor Sheridan para lançar em breve: F.A.S.T. (2027), um suspense de combate às drogas estrelado por Brandon Sklenar (1923); Call of Duty, uma adaptação da franquia para os cinemas que se passa no mundo de Modern Warfare; e Sicario 3, que ainda não tem muitos detalhes.
Fonte: Variety






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