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O Universo Absolute da DC Comics completou um ano de publicação e, agora, já é seguro dizer que o projeto é um grande acerto editorial. Eu iria até além: é o maior acerto editorial do século nos quadrinhos de super-heróis, desde o Universo Ultimate original da Marvel.
Já tem algum tempo que a DC Comics, como um todo, vive uma sinergia editorial surpreendente, que resulta em uma fase muito frutífera.
Os melhores nomes do mercado norte-americano estão na DC e, o que é melhor, estão lá à vontade, e não apenas para estabelecer o nome no mercado e beliscar um slot para um título autoral na Image.
É evidente que Scott Snyder vislumbrou o Universo Absolute como o “Ultimate da DC“, e é uma grande coincidência que ele tenha surgido ao mesmo tempo em que a Marvel criou um novo Universo Ultimate com Jonathan Hickman. As similaridades, no entanto, param por aí.

Enquanto o Universo Ultimate promete desde sua gênese um evento pretensioso que vai mudar para sempre a estrutura do Universo Marvel, o Absolute se limita a ser um estudo sobre super-heróis clássicos, submetidos a contextos diferentes que refletem o tempo distorcido em que vivemos.
O Universo Absolute não foi manipulado em pontos importantes para ficar distorcido; ele é hostil desde sua gênese devido à influência de Darkseid. Não tem a ver com a vontade do vilão, mas sim com sua essência.
As histórias dessa Terra alternativa se manifestam no melhor modelo artístico possível, que é o de provocar sentimentos.
Ninguém precisa dizer ao leitor que as coisas estão fora de lugar e os valores estão invertidos; o leitor sente isso. Aliás, pior: ele sente que, na verdade, o conceito de verdade e justiça está deturpado desde o início, e isso reflete perfeitamente o sentimento global atual.
Totalmente sustentado nisso, Absolute Evil talvez seja uma das publicações mais fortes dos quadrinhos de super-heróis nesta década.

A obra reúne os principais vilões desse universo, não para gerar uma equipe caricata de seres malignos que querem dominar o mundo, mas para contar uma história sobre pessoas poderosas se articulando para manter esse domínio.
Não só para eles, mas também para as pessoas comuns desse mundo, essa é a lei: o mais forte explora o mais fraco, e quem tentar lutar contra isso não vai ter a menor chance de vencer.
Isso é sobre heróis e vilões, mas também sobre capitalismo, sobre a lógica de vencedores e perdedores do Sonho Americano, e sobre a natural busca do homem por conforto que dá origem ao mal. É o tipo de história que não poderia ser mais atual.

Confesso que não sou fã de todos os títulos. O Batman do Scott Snyder, embora tenha muitos devotos, é “massavéio” demais para mim. Absolute Superman e Absolute Lanterna Verde também não acho grande coisa. Caçador de Marte, Flash e Mulher-Maravilha, no entanto, estão entre as melhores publicações em curso nos Estados Unidos.
O ponto é que, embora eu também goste do que está sendo feito no Universo Ultimate, reconheço que o Absolute está quilômetros à frente no quesito qualidade. E isso não tem a ver só com as equipes criativas, pois o Deniz Camp trabalha nas duas linhas, e seu trabalho na DC é tão melhor e diferente do da Marvel que ele nem parece o mesmo roteirista.
Essa diferença tem a ver não apenas com a liberdade dada pela DC, mas também pelo incentivo que a fase atual da editora dá a seus criativos.
O Universo Absolute reúne alguns dos nomes mais talentosos da indústria, todos em seu auge criativo e com liberdade para brincar com as possibilidades, sem precisar se alinhar a qualquer visão editorial motivada por cinema ou outra mídia. É intimista, atual e provocativo. É a arte em sua essência, e por isso está dando tão certo.
Atenção: Este texto é baseado inteiramente na opinião de seu autor e não necessariamente reflete a opinião do site.






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