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Anunciado como um dos jogos da PS Plus de outubro de 2020, Vampyr foi lançado em 2018 e é uma produção da DONTNOD, a mesma de Life is Strange, jogo que acabou dando um certo holofote para a desenvolvedora.

Vampyr é um Action-RPG sobre um homem chamado Jonathan Reid, um médico que serviu na Primeira Guerra Mundial e que retorna para Londres, encontrando seu lar totalmente massacrado pela gripe espanhola. Reid é transformado em um vampiro, o que muda completamente sua vida. Agora, ele luta para conciliar suas duas identidades: a de um médico que usa a ciência para ajudar pessoas e a de uma criatura sobrenatural, com sede de sangue. Para gerenciar isso, ele precisará da sua ajuda.

A premissa do jogo é fascinante e a ideia de introduzir uma narrativa focada em personagem com Action-RPG não é algo totalmente inovador, já que é o que vimos em Mass Effect. Entretanto, a ideia de decidir entre salvar os londrinos ou se alimentar deles é bacana. O jogo tem mais de 60 personagens, todos possuem personalidades próprias e backstories. Se um deles morrer, toda a região ao redor dele irá reagir a isso. Como estamos falando de uma crise sanitária, os personagens estão sempre adoecendo, muita gente morrendo e aí é uma oportunidade para curar pessoas ou apenas se alimentar delas e fingir que foi a doença.

Este tipo de mecânica parece simples à primeira vista, mas o jogo adiciona tantas camadas que faz com que isso seja bem mais complicado do que parece. Em Vampyr, você ganha um pouco de experiência ao derrotar inimigos. Uma quantia quase zero. Você ganha um pouco mais ao completar quests, temos várias e bem legais. Mas, ao matar cidadãos, você ganha toneladas de XP. Ou seja, o jogo também faz com que o jogador se sinta atraído a deixar o seu lado sombrio tomar o controle. Ao mesmo tempo, se você matar ou deixar os cidadãos morrerem em um distrito, ele se fecha e você perderá a XP e as quests daquele lugar. Logo, você precisará de muita inteligência e estratégia para equilibrar tudo.

O brilho do jogo mesmo está na bússola moral que ele possui. Mesmo que você se foque em evitar se alimentar, você perceberá que, eventualmente, os inimigos começarão a ficar muito fortes e você terá que se alimentar para poder vencê-los. Daí vem aquela ideia: E se eu me alimentar apenas dos malvados? Afinal, o jogo possui assassinos, ladrões e outros vilões humanos. Ao matá-los, você ganhará muita XP e desbloqueará novas habilidades. E isso te fará se sentir mais poderoso. Você vencerá mais inimigos, mas logo aparecerão inimigos ainda mais ofrtes e… bem… as pessoas más acabaram… Que tal pegar os cidadãos que já fizeram algo malvado no passado? Mas os inimigos continuam aparecendo… Então, que tal pensar em pessoas que não tem muita chance de viver? Enfim, a mecânica é brilhante e te fará pensar bastante sobre isso.

O que realmente faz ela funcionar é o cuidado com o desenvolvimento dos personagens, os NPCs possuem histórias e parecem pessoas de verdade. Cada um deles tem várias opções de diálogo e é prazeroso conversar dentro do jogo. Ao conhecer mais sobre cada personagem, é uma boa ideia tomar nota logo sobre o que cada um pensa, o que cada um fez, afinal, você decidirá o futuro deles no jogo.

Outro ponto importante é que cada personagem contribui, de certa maneira, para a história do mundo do jogo. Logo, matar um deles trará sérias repercussões para sua história. Entretanto, para o grande arco central, apenas alguns são realmente indispensáveis, o que te dá espaço para fazer alguns lanchinhos sem ficar com muito peso na consciência. Sim, alguns personagens são mais importantes que outros no jogo e isso não dá para considerar como um problema, já que temos um universo de 60 personagens.

Enquanto se alimentar é algo bem complexo, salvar pessoas doentes é meio que trabalhoso demais. As pessoas saudáveis podem adoecer e as doentes podem ficar ainda pior. Um ponto importante é que matar pessoas saudáveis dá mais XP do que matar pessoas doentes. E também há o risco das pessoas morrerem das doenças se não forem tratadas logo. Se várias pessoas morrerem desses problemas, o distrito entra em colapso e acontece o que eu já expliquei antes. Para evitar isso, você investirá muito tempo em sua atividade como médico, principalmente porque as pessoas que você já curou, podem adoecer novamente. E isso é meio frustrante. Em certos pontos, chega a ser meio chato mesmo. E isso aumenta ainda mais a tentação de só matar essas pessoas para evitar horas de tédio.

Sobre a história do jogo, podemos dizer que ela é bem interessante e te fará ficar bem investido. Afinal, estamos falando de uma empresa que se foca em desenvolver narrativa. A lore é bem desenvolvida e mostra que existem diferentes tipos de vampiros, o que te faz ver que a forma como eles interagem com humanos é bem curiosa. Infelizmente, não existem muitas subespécies, mas é legal que tenham pensado nisso.

O grande problema mesmo está no mapa, você logo terá passeado inteiramente por ele e isso te dá uma sensação de ‘prisão’. Já o combate oferece bem mais opções e mecânicas. Você usa a XP recebida nos combates para desbloquear novas habilidades e isso tem um ótimo fator de customização, já que você pode escolher em que gastar, dependendo do seu estilo de jogo. Como o ganho de XP é praticamente ligado às suas ações vampíricas, podemos dizer que cada jogador terá uma experiência bem diferente. O jogo também possui um sistema de craft e upgrade de armas, o que é bem bacana.

Agora, como pontos negativos, podemos destacar principalmente os visuais e também as loading screens. Elas são beeeeeeem longas. E, bem, a menos que você já tenha um PS5, você vai sofrer um pouco com elas durante sua jogatina. Eu já contei uma com cerca de 70 segundos de duração, ou seja, 1 minuto e 10 segundos.

E aí? Vale a pena?

Uma coisa que vale dizer é que suas ações no jogo irão determinar um final diferente para ele. No meu, eu consegui um final ruim, pois acabei me alimentando além da conta. Ainda assim, a experiência com o jogo foi bastante positiva e eu fiquei feliz com tudo que fiz nele. As mecânicas são bem pensadas, a lore é interessante e o gameplay é divertido. Existem problemas bem chatos no game, mas podemos dizer que ele deve te garantir umas 30 horas de diversão. É um jogo bem ambicioso e que vale a pena para jogar, principalmente por ser distribuído para assinantes.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.