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Desde que teve a Joia da Mente arrancada por Thanos, o Visão entrou numa jornada complicado no MCU, que o levou até os eventos da recente série VisionQuest. Essa série tem o mesmo título de um famoso arco nos quadrinhos, onde fomos apresentados ao Visão Branco.

Mas afinal, como o Visão se tornou branco nos quadrinhos e o que isso representou para os Vingadores? E aliás, como ele conseguiu recuperar suas emoções e voltar ao normal? É sobre isso que vamos falar no vídeo de hoje.

Antes do Visão Branco

Para compreender o surgimento do Visão Branco, é necessário voltar alguns anos na história do personagem. Em determinado momento, após sofrer problemas relacionados ao funcionamento de seus poderes e à sua estrutura mental, o herói passou por uma transformação psicológica. Sua personalidade foi comprometida, levando-o a tentar controlar os sistemas de computadores do planeta e assumir o domínio da humanidade.

A ameaça foi neutralizada pelos próprios Vingadores, mas o episódio deixou consequências profundas. Temendo que o androide voltasse a representar um perigo mundial, autoridades governamentais passaram a monitorar suas atividades.

Vision Quest

A história conhecida como Vision Quest começa em West Coast Avengers #42, quando o Visão é sequestrado por agentes ligados a uma operação governamental. A iniciativa estava relacionada ao temor de que o androide voltasse a utilizar seus poderes para controlar a humanidade.

O problema é que a operação não tinha como objetivo simplesmente neutralizar suas habilidades. Os responsáveis decidiram desmontar completamente o corpo do herói, separando suas peças e apagando sua programação. O procedimento foi tão radical que o Visão deixou de existir como indivíduo consciente.

A situação provocou uma reação imediata entre os Vingadores da Costa Oeste, especialmente Wanda, que se recusava a aceitar o desaparecimento do marido. A equipe iniciou uma investigação para descobrir o que havia acontecido e recuperar os componentes do androide.

Quando finalmente conseguiram localizar o que restava de seu corpo, os heróis descobriram a dimensão da destruição. O Visão havia sido literalmente desmontado, e reconstruí-lo exigiria um trabalho extremamente delicado.

Foi então que Hank Pym assumiu a responsabilidade de reconstruir o companheiro. Utilizando seus conhecimentos científicos, ele conseguiu remontar o corpo do androide e recuperar parte de sua programação. Entretanto, havia um problema que a tecnologia disponível não conseguia solucionar. O Visão havia perdido algo muito mais importante do que suas lembranças: sua capacidade de experimentar emoções.

O Visão Branco

Hank Pym explicou que a reconstrução havia recuperado as funções básicas do sintozoide, mas não sua personalidade original. Isso acontecia porque a consciência do Visão possuía uma característica muito particular: sua matriz cerebral havia sido construída a partir dos padrões mentais de Simon Williams, o Magnum, antigo integrante dos Vingadores.

Quando Ultron criou o Visão, utilizou esses padrões cerebrais para conceder ao androide uma personalidade própria. A influência de Simon foi fundamental para que ele desenvolvesse sentimentos, empatia e a capacidade de estabelecer relações afetivas.

Por isso, Hank acreditava que precisava utilizar novamente os padrões mentais do Magnum para restaurar completamente a personalidade do Visão. O problema era que Simon não estava disposto a colaborar.

O herói havia passado por experiências traumáticas envolvendo a utilização de seus padrões cerebrais sem seu consentimento. Durante muito tempo, sua própria existência havia sido manipulada por outras pessoas, e ele não queria permitir que sua mente fosse utilizada novamente para reconstruir alguém.

Embora considerasse o Visão um irmão, Simon decidiu respeitar os próprios limites e recusou o pedido de Hank. A decisão teve consequências devastadoras. O Visão reconstruído não reconhecia Wanda como sua esposa, não demonstrava carinho pelos companheiros e sequer compreendia por que as pessoas esperavam que ele reagisse emocionalmente a determinadas situações. Para Wanda, a situação era particularmente cruel: seu marido estava fisicamente vivo, mas a pessoa que ela amava parecia ter desaparecido.

Victor Shade

Apesar de ter perdido sua personalidade original, o Visão não estava disposto a simplesmente aceitar uma existência sem propósito. Ele sabia que havia algo diferente em seu funcionamento e começou a investigar maneiras de compreender melhor a humanidade. Essa busca ganhou destaque em Avengers Spotlight #40, na história intitulada Re/Vision.

Durante sua investigação, o androide conhece Miles Lipton, um cientista especializado em inteligência artificial que havia perdido o filho, Alex. Os dois desenvolvem uma relação de confiança, e Lipton percebe que o Visão precisa de uma nova matriz cerebral humana para estabilizar determinadas funções de sua programação.

O cientista também fornece ao herói um dispositivo holográfico capaz de alterar sua aparência, permitindo que ele assuma uma identidade humana. Assim, o Visão passa a utilizar o nome Victor Shade, uma identidade que lhe permite circular entre as pessoas sem chamar atenção por sua aparência artificial.

Sob essa nova identidade, ele começa a experimentar atividades comuns da vida humana, como frequentar estabelecimentos, assistir a filmes, acompanhar partidas esportivas e observar o comportamento das pessoas.

Posteriormente, durante os acontecimentos da história, Lipton decide utilizar os padrões cerebrais de seu filho falecido, Alex, para ajudar a estabilizar a mente do androide. A incorporação desses padrões permite que o Visão recupere parte de sua capacidade emocional e empática. Ele não volta a ser exatamente quem era antes de sua desmontagem, mas começa a desenvolver uma nova personalidade, construída a partir de experiências e referências diferentes.

O Anti-Visão

A próxima grande transformação na trajetória do Visão acontece durante a saga envolvendo os Coletores, um grupo de indivíduos provenientes de diferentes realidades e liderado por Proctor. Entre os integrantes dessa organização estava uma versão alternativa e maligna do próprio Visão, conhecida como Anti-Visão.

Diferentemente do herói da Terra-616, essa contraparte possuía uma personalidade cruel e representava uma ameaça aos Vingadores. Proctor decidiu utilizar a semelhança entre os dois para executar um plano de infiltração.

Durante os acontecimentos de The Avengers #360, o Visão é capturado e acaba envolvido em uma operação que resulta na troca de suas consciências com as do Anti-Visão. Com isso, a consciência do herói original passa a ocupar o corpo de sua contraparte, enquanto o Anti-Visão assume sua antiga estrutura física.

A mudança tem uma consequência bastante significativa para a aparência do personagem. O corpo alternativo possuía as cores tradicionais do Visão, permitindo que o herói voltasse a apresentar seu conhecido visual vermelho, verde e amarelo.

A situação é resolvida ao longo dos capítulos seguintes, especialmente em The Avengers #361–363, quando os Vingadores enfrentam as consequências da infiltração e conseguem lidar com a ameaça representada pelos Coletores. O Visão original permanece com o corpo de sua contraparte, encerrando sua fase de aparência inteiramente branca.

O retorno da personalidade

Mesmo depois de recuperar uma aparência semelhante à original, o Visão ainda precisava resolver os conflitos existentes em sua mente. A situação se torna o tema central da minissérie Vision, publicada entre 1994 e 1995.

Durante essa história, os padrões cerebrais de Simon Williams começam a ressurgir na consciência do androide, entrando em conflito com os padrões de Alex Lipton que haviam sido incorporados anteriormente.

Ao longo da minissérie, o herói finalmente consegue estabelecer um equilíbrio entre os diferentes padrões mentais que compõem sua consciência. O resultado é particularmente importante: o Visão recupera sua capacidade emocional e também os sentimentos associados às lembranças de sua vida anterior, incluindo seu antigo amor por Wanda.

Assim, a reconstrução de sua identidade chega a um novo estágio. Ele não é simplesmente uma cópia de Simon ou Alex, mas um indivíduo com uma personalidade própria, construída a partir de diferentes influências.

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Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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