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O final de WandaVision acabou levantando diversas discussões sobre o Universo Marvel como um todo. A série gerou debates sobre algumas decisões da protagonista e também daqueles que a cercam. No texto anterior, falamos sobre como Tony Stark estava certo sobre alguns pontos, porém, isso não faz necessariamente com que Steve Rogers estivesse errado na discussão sobre os Vingadores e o Acordo de Sokovia. E é isso que iremos falar hoje.

Durante os episódios de WandaVision, fomos apresentados à versão da organização S.W.O.R.D. do Universo Cinematográfico da Marvel, fazendo um paralelo em relação à S.H.I.E.L.D., que era dirigida por Nick Fury. No começo, a série nos leva a acreditar que a organização estava atrás de Wanda, que teria invadido sua sede, roubado o corpo de Visão e segurado uma cidade inteira como refém. Quando o diretor Tyler Hayward chama Monica Rambeau para cuidar do caso, parecia que a ideia era investigar o que houve e ajudar a heroína em algum possível problema. Entretanto, a verdade era que a organização estava em busca do Visão, na verdade, de um segundo Visão.

A S.W.O.R.D., que foi fundada por Maria Rambeau após os eventos de Capitã Marvel, é chamada de Departamento de Observação e Resposta a Mundos Sencientes, servindo como uma agência de inteligência que deveria monitorar o espaço sideral. Sua jurisdição é o cosmos. Ainda em WandaVision, no episódio 4, Hayward explica que o foco da organização mudou de missões populadas por homens e refocou em nanotecnologia, robótica e Inteligência artificial, além de armas sencientes.

Entretanto, no Episódio 8, fomos apresentados ao que realmente aconteceu com Wanda quando visitou a sede da S.W.O.R.D.: Após ver Visão em pedaços, Wanda quebra a vidraça e vai até o corpo. A diferença é que, ao invés de roubá-lo, ela tenta sentir o seu amado e deixa a sala aos prantos… e sem o Visão. Hayward manipulou Monica, Jimmy e Darcy a acreditar que Wanda teria roubado o corpo do Visão, mas seu plano era simplesmente entender como reativar o sintozóide sem a Joia da Mente.

E o plano acaba dando certo: usando um drone imbuído de magia do caos, Hayward consegue reativar Visão, porém, bloqueando seu acesso às memórias, para que ele se tornasse uma arma senciente, mais fácil de controlar. E Visão, agora completamente branco, é usado em uma missão para conter Wanda, algo que foge totalmente da jurisdição e da missão da organização S.W.O.R.D..

Todos esses detalhes mostram os perigos que estar sob o controle de uma organização podem trazer para os super-heróis. O perigo de serem utilizados como armas para objetivos mesquinhos, longe da missão de salvar pessoas ou de realmente ajudá-las. Note que em nenhum momento Hayward se preocupou com os residentes de Westview; seu interesse era puramente o Visão, chegando a rastreá-lo durante todo o tempo.

Embora Steve Rogers não tenha chegado a instalar um diálogo com Tony Stark em Guerra Civil para poder chegar a um denominador comum, seu temor acabou se tornando real com o caso do Visão. Durante sua jornada no Universo Cinematográfico da Marvel, vemos como Steve vai abandonando a bandeira para defender unicamente o que ele acredita ser o certo. A própria S.H.I.E.L.D. acabou se mostrando uma organização infectada pelos vilões da Hidra. Talvez por ser um homem de outro tempo, Steve Rogers conseguiu ter uma percepção melhor do que qualquer outro naquela sala, de como o governo e as organizações podem se corromper por poder, inclusive sob a bandeira de estarem fazendo o justo ou o correto. O medo de Rogers em relação ao Acordo de Sokovia era que o fato de os Vingadores agirem apenas sob jurisdição do governo poderia ser muito perigoso quando esse mesmo governo cismasse que algum país vizinho teria armas nucleares demais ou não estaria respeitando o que é entendido como democracia.

Curiosamente, algo parecido aconteceu nos quadrinhos em Os Supremos 2, de Mark Millar e Bryan Hitch, quando os EUA passam a usar os heróis como armas de destruição em massa, desrespeitando a soberania de outros países com a desculpa de “ataque preventivo”. E é muito interessante observar na HQ como esses países atacados respondem a isso, criando suas próprias e distorcidas versões dos Vingadores/Supremos e jogando o mundo em uma guerra. Um cenário que Rogers provavelmente previu e queria evitar no cinema – afinal, estamos falando de um dos maiores estrategistas do Universo Marvel.

A discussão iniciada nesses dois vídeos e textos sobre WandaVision só nos mostram como o filme Capitão América: Guerra Civil funcionou ao mostrar os diferentes aspectos de um ponto que parece ser tão simples, levantando opiniões divergentes, mas, ao mesmo tempo, corretas em sua própria maneira.



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