William Gibson é um dos autores mais importantes da ficção científica, autor da obra que solidificou muito do que é considerado indispensável para o gênero e a estética cyberpunk. Apesar de não ter sido um autor tão prolífico quanto outros nomes na ficção científica, seus romances foram todos aclamados pela qualidade, isto quando não chegavam a influenciar tendências culturais inteiras.
A obra mais importante de Gibson sem dúvida é Neuromancer, romance que é considerado um dos pilares do gênero e que, mesmo não tendo criado todos os conceitos e termos comuns ao estilo, estabeleceu o que seria o seu principal arquétipo. De início, Neuromancer não foi um grande sucesso de público, ou teve grandes divulgações, mas foi sendo transmitido pelo boca-a-boca, sendo muito influente no underground da ficção científica.
A ideia romantizada de hackers – ou cowboys de console, como o livro coloca as vezes – provavelmente não existiria sem as obras de Gibson. Termos como netsurfing (surfar na rede), ICE, Jack in/jack out e implantes neurais acabaram ganhando fama por causa de Neuromancer, embora alguns já houvessem sido utilizados em obras de outros autores. Já cyberspace (ciberespaço) foi lançado ao mercado de ideias pelo próprio Gibson, palavra que recebeu diversas outras variantes e é usada até mesmo no meio acadêmico.
Foi ele também quem utilizou pela primeira vez a palavra Matrix para se referir ao conjunto interligado de máquinas formando uma rede de realidade virtual que pode ser acessada e manipulada. Como era de se esperar, o fenômeno das irmãs Wachowski deve muito à Neuromancer, não só devido a criação do conceito, mas também de toda estética cyberpunk que o livro estabelece. Esses conceitos também foram usados mais tarde no mangá Ghost in the Shell, publicado recentemente no Brasil pela JBC.
Neuromancer ganhou duas sequencias, Count Zero e Monalisa Overdrive, que apesar de não terem sido tão famosos quanto o primeiro, têm o seu papel em estabelecer o mito criado por Gibson. Neo e Trinity têm certa influência dos protagonistas dessas sequencias, e as obras contribuem muito para criar a imagem do Sprawl high-tech e low-life que se tornou um ícone cultural. Dois contos completam a série, Johnny Mnemônico, New Rose Hotel e Queimando Cromo, com os dois primeiros tendo sido adaptados para as telonas, embora sem se ater tanto ao original.
A segunda trilogia do autor, a Trilogia Bridge (com Virtual Light, Idoru e All Tomorrow’s Party, além do conto “Skinner’s Room”) também lida com ficção científica, embora seja menos atrelada ao cyberpunk “clássico” de Neuromancer. Nela, Gibson busca explorar questões sociais, morais e filosóficas envolvendo a tecnologia em um futuro próximo à época que foi lançado (que já ficou para trás, em 2006), sendo muito mais “pé no chão” do que Neuromancer. O mesmo acontece com a Trilogia Blue Ant (Reconhecimento de Padrões, Território Fantasma e História Zero), que pende ainda mais para o realista e o contemporâneo, lidando com temas como a internet, o relacionamento da humanidade com o meio digital, culto a personalidade, cultos digitais e a ânsia de se procurar por padrões. Uma saída do cyberpunk retro-futurista e lidando com os problemas e consequências atuais da tecnologia. Foi com Blue Ant que Gibson se tornou um best seller.
O autor também possui dois romances fora de trilogias. Em Máquina Diferencial, não contente em ser um dos bastiões do cyberpunk, Gibson se junta a Bruce Sterling e escreve um dos livros mais influentes do steampunk (você pode conferir nossa resenha dele aqui). Já a sua nova obra, The Peripheral (lançada em 2014 e ainda não publicada no Brasil) o autor retorna de cabeça à ficção científica, com direito a nuvens de nano-robôs e duas linhas temporais.
Atualmente, quem publica William Gibson no Brasil é a Editora Aleph. A editora lançou a trilogia do Sprawl e a Blue Ant completas. Neuromancer recebeu três edições por ela, uma com a capa preta e simples, onde figura uma imagem da personagem Molly, uma edição especial de 30 anos que está difícil de se achar a venda e conta com a presença de três contos do autor (Johnny Mnemônico, Hotel New Rose e Queimando Cromo) e uma mais nova toda colorida num estilo retrô e muito cyberpunk mostrando o protagonista conectado à Matrix.
Abaixo uma lista dos livros, quase todos com desconto. No momento alguns da Trilogia Sprawl são encontrados no formato e-book, enquanto os da Trilogia Blue Ant e Máquina Diferencial são encontrados facilmente. No passado, Idoru foi lançado pela Editora Conrad, mas sua edição já não é fácil de se conseguir.
| Título | |
|---|---|
![]() | Neuromancer (edição nova) |
![]() | Neuromancer - 30 anos |
![]() | Neuromancer |
![]() | Count Zero |
![]() | Mona Lisa Overdrive |
![]() | Reconhecimento de Padrões |
![]() | Território Fantasma |
![]() | História Zero |
![]() | A Máquina Diferencial |














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