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Não é segredo que X-Men ’97 passou por problemas de desenvolvimento durante a produção da 2ª temporada e, como você deve ter lido em nossa crítica, a produção sofre com isso. Há, entretanto, novidades muito empolgantes nos pontos altos dessa nova leva de episódios, e a Polaris é, sem sombra de dúvidas, uma delas. E isso tem tudo a ver com a energia que a atriz colombiana Carolina Ravassa traz para a personagem.
Se o nome não lhe for tão familiar, pense na piloto de fuga Taliana Martinez de GTA V, na Sombra de Overwatch ou na Raze de Valorant. Carolina tem um currículo vasto de atuação em games e séries e, com a Polaris, assumiu o seu papel mais complexo.
Eram 20h30 em Campina Grande, na Paraíba, quando o fundador do O Vício, Miguel Oliveira, foi surpreendido pelo português da radiantemente simpática Carolina Ravassa (ela fala bem inglês, espanhol e português!) do outro lado de uma chama no Zoom. Originalmente, Miguel conversaria com ela nos idiomas que ela mais usa, mas o papo acabou fluindo inteiramente em português.
“Eu sou colombiana com coração de carioca“, declara a atriz. “Eu morei no Rio de Janeiro por seis meses há muitos anos, e depois viajei… Já faz muito tempo, preciso voltar! Quero muito ir à CCXP“, completou, dizendo ainda que arrisca acordes de Bossa Nova no vilão, e demonstrando seu amor ao som de Djavan.
Não demorou para perceber que o astral e a sensibilidade dela foram a base para a construção dessa Polaris tão forte que X-Men ’97 apresenta.
Uma história de aceitação de sangue

Embora conheça os X-Men pelos filmes, Carolina não era fã dos mutantes na infância. Ela pôde construir a sua Polaris do zero, partindo apenas do ponto em que a personagem carregava raízes emocionais muito fortes.
“Eu fiz o teste com a cena com o Professor X. Foi uma cena vulnerável e íntima com ele“, contou Carolina. “Eu fiz a prova inicial com essa cena, então eu já sabia que era um papel muito íntimo, com muita emoção, mas eu não sabia o final do episódio 6, que ela ia usar o poder ao máximo daquele jeito.“
X-Men ’97 lida em grande parte com o arco de redenção de Magneto, abandonando o tom maniqueísta da série original. O vilão sempre foi alguém que queria o bem do próprio povo, mas agindo de maneira extrema. Partindo desse ponto, você não o tira exatamente da categoria de vilão, mas o humaniza. Portanto, era importante que a filha dele também entendesse esse ponto de vista, uma vez que carregava o peso de nunca aceitar a própria herança de sangue.
“Para mim, foi muito especial e muito legal ver que ela finalmente aceita quem ela é — a filha do Magneto — e termina com muita confiança, com muita força. Eu acho que ela finalmente aceitou a sua realidade.“, declarou a atriz.
Essa dualidade entre o peso do legado genético e a busca por um norte moral é o que afasta a Polaris de outras personagens fortes de Carolina, como Raze e Sombra . A mutante caminha por um território mais melancólico e humano.
“A Polaris não tem medo de falar sobre as inseguranças e medos que tem com o Professor X“, reflete a atriz, comparando suas personagens. “Ela está tentando encontrar o seu norte, tentando entender os poderes herdados do pai — embora ela não goste dele. Ela tem um passado sombrio, mas um coração enorme e está buscando conexão. O Professor X a ajuda a aceitar o pai para finalmente usar seu poder ao máximo.“
Uma trabalho de dois idiomas

Além de ser a referência de voz original para a Polaris, Carolina Ravassa também dubla a versão da personagem para a América Latina. Um dos pontos altos do trabalho dela é essa versatilidade de idiomas, como você já deve ter percebido. Para conseguir interpretar essas duas versões da mesma personagem, ela precisou recalibrar sua sensibilidade artística na dublagem.
Ao gravar a dublagem em espanhol neutro um mês antes da exibição do episódio, ela percebeu que a técnica exigia uma entrega dramática própria, diferente da versão original em inglês, gravada anos antes. “Eu precisava carregar um pouco mais na emoção em algumas cenas, porque sinto que o público que assiste a X-Men em espanhol espera isso“, explicou.
O que o futuro reserva para a Polaris em X-Men ’97 é algo que ainda vamos descobrir, mas dá para dizer que a jornada de Carolina está apenas no começo. A nova versão da personagem conquistou uma legião de fãs, e esse mérito, impulsionado pela energia da atriz, fará com que a filha de Magneto ganhe cada vez mais espaço na cultura pop.
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Perguntas e respostas completas

A Polaris agora acabou de ter um destaque muito maior no episódio Danger.exe. Qual foi a sua reação quando você leu o rpteiro pela primeira vez?
Eu fiz o teste com a cena com o Professor X. Foi uma cena vulnerável e íntima com ele. Eu fiz a prova inicial com essa cena, então eu já sabia que era um papel muito íntimo, com muita emoção, mas eu não sabia o final do episódio 6, que ela ia usar o poder ao máximo daquele jeito. Para mim, foi muito especial e muito legal ver que ela finalmente aceita quem ela é — a filha do Magneto — e termina com muita confiança, com muita força. Eu acho que ela finalmente aceitou a sua realidade.
Eu acho que você já deve ter percebido, desde que assumiu o papel, que a Polaris tem uma base de fãs muito forte agora, e está crescendo bastante. Você sentiu algum tipo de pressão ao assumir esse papel sabendo que houve uma outra atriz na primeira versão do desenho?
Sempre pensei nela apenas como uma personagem interessante, forte e meio louca. Quando eu entendi que era X-Men, eu pensei: “Nossa Senhora!”. Mas, enquanto eu gravava, a diretora [Emi Yonemura] ajudou muito, a equipe é muito, muito especial, os roteiristas estão sempre ouvindo e ajudando. Senti que tínhamos uma equipe muito forte nos apoiando, então não senti tanta pressão.
Você faz a Polaris em inglês e espanhol, o que é sensacional. Tem alguma diferença na sua performance? Como você já fez a voz em inglês e depois vai fazer em espanhol, você imprime alguma diferença nas duas versões?
Eu senti diferença, sim. Primeiro, porque não é usual fazer isso, mas eu perguntei: “Posso fazer um teste para dublá-la em espanhol?”. Eles disseram que iam falar com a equipe do México, e a equipe mexicana aceitou. Sou muito grata a eles, eles trabalharam comigo de forma maravilhosa. Nós estamos usando um espanhol neutro, que — não sei se é assim em português — não é de uma região específica, como carioca ou paulista; é neutro.
Então, eu pratiquei para fazer esse sotaque neutro, mas senti que a diretora sempre me ajudava a encontrar as nuances que o público de língua espanhola espera. Não era exatamente igual ao que fiz em inglês. Eu precisava carregar um pouco mais na emoção em algumas cenas, porque sinto que o público que assiste a X-Men em espanhol espera isso. Então há uma diferença, não é idêntico.
A diferença de tempo é muito grande entre a gravação em inglês e a em espanhol? Porque, se não me engano, a em inglês é feita antes mesmo de a animação estar pronta, não é?
Eu comecei a trabalhar em inglês há dois anos. Eu gravava, mas eles reescreviam, mudavam coisas, refaziam a animação, então a gente voltava para regravar. Já a dublagem em espanhol eu fiz há um mês. O episódio estreou no dia 1 de julho, e eu gravei por volta de 10 de junho. A dublagem é feita sempre no final, quando já está tudo pronto.
Essa experiência de ter gravado em inglês há dois anos ajuda na hora da dublagem em espanhol, já que você basicamente já sabia o que ia acontecer?
Um pouquinho, mas eles também mudam muita coisa. Às vezes, eu gravava uma cena em inglês que acabava nem existindo mais na versão final, então a gente não dublava. Mas eu já conhecia e entendia bem a personagem, o que ajudou bastante.
O destino da Polaris mudou muito desde a primeira vez que você gravou até a voz original para a personagem?
Não muito, mas às vezes a história segue um caminho e depois decidem: “Não, ela não vai falar com essa pessoa, vai fazer tal coisa aqui”, ou cortam a cena inteira por falta de tempo. O que eles costumam fazer bastante é mudar a ordem dos episódios. Por exemplo, o meu episódio 6 ia ser o primeiro, mas como os cronogramas mudam o tempo todo, acaba não seguindo a ordem estritamente cronológica.
Qual foi a reação mais memorável dos fãs que você viu na internet até agora?
Eu tive a sorte de ir à San Diego Comic-Con, onde fui cosplayer da Polaris, com o cabelo verde, e havia outras cinco Polaris no público! Para mim foi muito especial ver as pessoas com as fantasias. E também ver os memes que a internet está compartilhando; é muito especial. As pessoas se identificam muito com a Polaris.
Você assistiu à série original antes, para estudar mais o papel?
Na Colômbia não, quando eu estava crescendo eu não assistia. E, quando comecei a gravar o revival, só vi a primeira temporada de ’97, mas evitei ver a série clássica. Como algumas coisas mudaram, eu preferi não ter tanta informação antiga na cabeça para conseguir ficar bem focada.
Você não era fã de infância de X-Men?
Não, olha… Eu vi os filmes quando o Hugh Jackman começou a fazer o Wolverine, acompanhei os live-actions. Adoro o James McAvoy como Professor X e o Patrick Stewart também. Aliás, esbarrei com o Patrick Stewart outro dia num estúdio de gravação; ele tem 84 anos e é fofinho demais! Conheço os X-Men muito mais pelos filmes do que pelos quadrinhos ou animações clássicas.
Eu acho muito legal esses personagens na sua estante atrás de você [apontando para Sombra e Raze]. Você joga videogame?
Jogo sim! Gosto muito da Blizzard, sou super fã dos jogos deles. Joguei muito não só Overwatch, mas também World of Warcraft e Diablo. Gosto bastante.
Qual é a diferença na energia da Raze e da Sombra em relação à Polaris?
A Raze é muito explosiva; a Sombra é bem misteriosa e forte. Sinto que a Polaris não tem medo de falar sobre as inseguranças e medos que tem com o Professor X. Ela está tentando encontrar o seu norte, tentando entender os poderes herdados do pai — embora ela não goste dele. Ela tem um passado sombrio, mas um coração enorme e está buscando conexão. O Professor X a ajuda a aceitar o pai para finalmente usar seu poder ao máximo. Já a Sombra é muito séria e nunca fala de sentimentos. A Raze tem muitos sentimentos, mas expressados de forma bem intensa. São todas muito diferentes.
Se você não fosse a Polaris e a Marvel te oferecesse qualquer outro papel no universo deles, qual personagem você gostaria de interpretar?
Nossa, eu adoro a Hela! Eu adoro a Cate Blanchett, ela é o topo para mim. E é da mesma cor, verde também! Mas a Hela é muito séria, muito intensa, muito… ai, não sei, muito sexy. É a minha preferida.
Eu fiz vários testes para Marvel Rivals no passado, mas nunca para a Hela. Cheguei a fazer para… ai, estou esquecendo agora… Sylvie, Loki fêmea, algo assim. Agora estou torcendo para que a Polaris entre em Marvel Rivals para eu poder fazer o teste para ela também!
Eu vi que você também gosta de música, não é? Tem um violão — ou guitarra — e um teclado ali.
É, eu tenho dois. Eu estava praticando Garota de Ipanema. Eu adoro música, adoro Bossa Nova, meu Deus! É bom demais.
E é difícil de tocar?
Não, estou tocando uma versão bem fácil, não muito complicada. Mas eu também gosto de Djavan! Nossa, há muita música brasileira maravilhosa. Eu sou colombiana com coração de carioca.
Você já veio ao Brasil?
Eu morei no Rio por seis meses há muitos anos, e depois viajei… Já faz muito tempo, preciso voltar! Quero muito ir à CCXP.
Aqui também tem um evento muito legal que acontece aqui no meu estado, que é o ImagineLand, que eles também trazem muitas vozes. Eu acho que seria bem legal também. Aqui é no Nordeste, não sei se você conhece o Nordeste brasileiro, é muito lindo.
Não conheço, não. Qual cidade?
Tem João Pessoa, que é uma das cidades mais bonitas do Brasil, uma das praias mais bonitas do Brasil. Depois procura “João Pessoa Praia” no Google, você vai adorar. Vai adorar, pode ter certeza.
Então eu não quero ir para esse evento.
*As respostas foram editadas para uma melhor fluidez na leitura.






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