Estimated reading time: 6 minutos
No final dos anos 90, o futuro do subgênero de Super-Heróis nos cinemas parecia incerto e até pouco confiável para os grandes estúdios. Afinal, o fracasso de Batman & Robin (1997) da Warner Bros., fez gerar um descrédito entre os estúdios e o público. Do outro lado, a Marvel ainda não tinha conseguido tantos sucessos, sendo Blade (1998) a grande execeção, mas sendo visto praticamente como um caso isolado, já que muita gente nem sabia que ele era baseado em um herói dos quadrinhos.
Entretanto, tudo muda em julho de 2000, quando o primeiro filme dos X-Men estreia nos cinemas. Dirigido por Bryan Singer e lançado pela 20th Century Fox, o filme trouxe a equipe dos X-Men, um dos grupos mais populares da Marvel, adaptando personagens como Wolverine, Magneto, Professor X, Ciclope, Jean Grey e Tempestade.
Além da ação apresentada, o filme trazia temas sociais profundos como preconceito, aceitação e identidade, elementos que fazem parte da mitologia dos X-Men desde sua criação nos quadrinhos por Stan Lee e Jack Kirby em 1963.
A Grande Virada

Com um orçamento considerado modesto, principalmente em relação aos filmes de hoje, contando com apenas 75 milhões de dólares, o longa conseguiu arrecadar 300 milhões de dólares em todo o mundo. X-Men conseguiu provar que o cinema de Super-Heróis ainda tinha chance e poderia se tornar algo muito mais sério.
O longa mostrou que era possível construir narrativas com personagens complexos e dilemas reais, sem recorrer a piadas forçadas ou caricaturas de personagens dos quadrinhos. O sucesso abriu espaço para uma nova era, aquela que chamamos de A Era Moderna dos filmes de heróis, onde a origem dos quadrinhos é respeitada, mas existe uma preocupação em manter a comunicação com o grande público, não apenas os fãs de HQs.
Nasce uma nova fórmula

Parte do impacto de X-Men veio com sua abordagem realista dentro de um mundo claramente fantasioso. A primeira cena é ambientada em Auschwitz, onde vemos o jovem Erik Lehnsherr (o Magneto) em um contexto histórico pesado e que muitos filmes ainda nem tinham coragem de explorar.
A ideia era mostrar que este não era mais um filme de fantasia descartável. Bryan Singer queria que os personagens dos X-Men fossem tratados como pessoas reais, com motivações críveis, ainda que apresentassem superpoderes.
David Hayter (sim, aquele David Hayter), era o roteirista que trabalhava na produção apenas como assistente, mas acabou assumindo a reescrita do roteiro com base em seu conhecimento profundo nos quadrinhos dos X-Men. Ele trabalhou ao lado de Singer e do produtor Tom DeSanto, além de um jovem e inexperiente Kevin Feige, que mais tarde se tornaria o arquiteto do MCU. Hayter ajudou a encontrar o tom ideal entre a fidelidade aos quadrinhos e a apelo cinematográfico que o filme trouxe.
Um tom mais sério

Ao contrário das adaptações anteriores de filmes de quadrinhos, X-Men evitou o tom mais leve e colorido que os filmes de super-heróis apresentavam até aqui. A equipe não contava com colantes coloridos ou bordões, o visual era muito mais sóbrio e eles contavam com trajes pretos, além de um foco maior na relação entre os personagens. A rivalidade entre Charles Xavier e Magneto ganhou o destaque merecido e Wolverine, vivido por Hugh Jackman, virou praticamente um protagonista.
Com limitações de orçamento, a produção foi forçada a priorizar o diálogo ao invés de grandes sequências de ação desenfreada e isso acabou sendo o grande trunfo do filme. As cenas de ação eram mais pontuais, mas sempre carregadas das emoções dos personagens envolvidos e não apenas focadas em destruição visual e grandes explosões sem sentido.
O legado dos X-Men

Eu sei, você pode até não acreditar, entretanto, se hoje temos o sucesso do MCU começando com Homem de Ferro e Vingadores, parte disso se deve ao primeiro filme dos mutantes. Afinal, foi com os X-Men que os estúdios perceberam que existia uma grande mina de ouro ainda não explorada na Marvel, bastava criar filmes com mais inteligência.
A partir dali, o gênero se reinventou totalmente: o universo dos mutantes se expandiu com as sequências de X-Men e os demais estúdios começaram a investir pesado em filmes de super-heróis. Mais do que isso: foi a partir de X-Men que os filmes de heróis começaram a tratar de temas sérios sem perder o tom de entretenimento.
Os roteiros dos filmes passaram a equilibrar a introdução de personagens dos quadrinhos com ação, subtexto político e discussões de maneira muito mais orgânica, gerando debates entre os fãs. E não se engane: isso também acabou influenciando os filmes da DC.
Se você quer comemorar os 25 anos do primeiro X-Men, o filme está disponível no catálogo da Disney+.






Comentários