Entenda a aproximação entre as duas obras.
Nunca, na história recente deste país, um quadrinho de super-heróis foi tão comentado e esperado como a minissérie Dinastia X/Poderes de X, de Jonathan Hickman, Pepe Larraz, R.B. Silva e companhia.
Aqui, ela está sendo publicada num novo volume da revista X-Men. Mas será que todo esse buzz e antecipação fazem jus ao conteúdo da revista? Sim, meus amigos, faz jus sim.

Estamos vivenciando uma reviravolta na forma como encaramos os filhos do átomo parecida com a revolução que Grant Morrison fez no início dos anos 2000, transformando a Escola Xavier em algo muito maior e transformando as equipes x em Corporação X.
Hickman transforma não apenas os X-Men – como já foi feito antes -, mas os mutantes em uma nação na minissérie Dinastia X e em Poderes de X ele reinventa o futuro dos mutantes, futuro este, que sempre foi pintado e repintados por diversos artífices, e Hickman vai além.
Uma das inspirações para este movimento, acredito eu, tenha sido a saga da Fundação de Isaac Asimov, que faz com que uma ideia repercuta anos e anos pela galáxia, mesmo com diversos obstáculos no seu caminho quase a apagando. Recomendo a leitura de Fundação para procurar algumas semelhanças. O trabalho de Isaac Asimov trata-se de uma das maiores e melhores, senão a maior e melhor obra de ficção científica de todos os tempos.

Fundação é um livro genial, um groundbreaker, mindblower, que te tira de um chão para te colocar em um outro e para mostrar como a massa e a sociedade são um Leviatã burro e cego que pode ser manipulado através do conhecimento. Mas que o conhecimento, ao mesmo tempo não é nada sem essa massa burra e cega para fazer sua manutenção. Então ficamos com uma faca de dois gumes na mão.
Fundação lida com dois fatores que nos fascinam: o primeiro por se tratar de previsões do futuro, de um futuro muito distante; e o segundo, por lidar com as massas, as mudanças sociais. Em Poderes de X temos algo parecido: os mutantes não são mais uma espécie mais uam ideia, uma forma de revolucionar, que se manteve ao longo dos anos. Se não com a opressão dos humanos no presente, com a opressão das máquinas no futuro.

Outra coisa que é preciso ser destacada da obra em diversos volumes de Isaac Asimor é que Fundação foi inspirada na Ascensão e Queda do Império Romano e aqueles pertencentes à sociedade secreta da Fundação fazem uso da psico-história uma forma de predizer o futuro. É algo parecido com o papel de Moira McTaggert nas histórias de Dinastia X/Poderes de X, já que a geneticista é o elo entre realidades e possibilidades, uma forma de fazer a ideia de humanidade mutante resistir unida e para sempre.
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As duas minisséries dos X-Men, além de trazer belos desenhos e conceitos de personagens desenvolvidos por Pepe Larraz e R. B. Silva, também contam com gráficos explicativos desenvolvidos por Hickman que tornam a leitura mais completa e mais profunda, da mesma forma que em Fundação temos interrupções nos capítulos pela Enciclopédia Galáctica. Uma série de TV está sendo produzida sobre fundação pela AppleTV, você pode conferir o teaser abaixo:
De qualquer forma, seja inspirado ou não por Fundação, Jonathan Hickman soube dar um passo além com os mutantes, que apreciam fadados à mesmice. Mas mais importante do que isso, ele soube capturar a atenção de novos e antigos leitores para suas histórias de uma maneira que agradou tanto público como crítica, mas principalmente à Marvel, que acabou lançando uma grande leva de títulos na onda desta nova empreitada.
Estava mesmo na hora de os X-Men retornarem com tudo depois de anos sendo boicotados pela própria Marvel, que dava mais respaldo para os Vingadores e até mesmo aos Inumanos devido aos direitos cinematográficos. Tomara que os próximos anos tragam um futuro brilhantes para os melodiosos mutantes da Marvel, assim como Hickman tem previsto por um bom tempo na sua linha do tempo do gene x.
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