Comentários

Estimated reading time: 5 minutos

Há um reboot dos X-Men a caminho, e com ele a Marvel Studios tem a chance de fazer a atualização mais relevante da franquia nos cinemas em muito tempo, após a decisão da Fox de passar anos produzindo filmes de época sobre os mutantes.

Este ano, Superman (2025) foi destaque não apenas por reconstruir a imagem do maior super-herói da história, mas também por colocá-lo no centro das discussões sobre as redes sociais, usando a veia jornalística de Clark Kent para falar sobre a atual crise na mídia.

Existem temas básicos que X-Men sempre tem que seguir, como preconceito, discriminação, tolerância, aceitação e, principalmente, o conflito ideológico entre a assimilação por diálogo e a revolução separatista.

Esses são pilares que sustentam a franquia e precisam estar presentes. O reboot, no entanto, ganhará um teor mais interessante se seguir os passos de Superman (2025), vinculando esses temas básicos a alguns dos principais dramas da juventude atual.

Pensei sobre o assunto por alguns dias e destravei este texto após uma conversa com uma psicóloga — que por acaso é minha irmã — sobre as principais ameaças à saúde mental dos jovens atualmente, que poderiam ser associadas ao contexto dos X-Men.

Crise da dopamina

Reprodução/Marvel Comics

Com informação ultrassónica na palma da nossa mão, estamos sendo o tempo todo estimulados, e isso está causando uma grave crise da dopamina, principalmente nos jovens.

Como maturado nos milhões de anos de evolução, nosso corpo tende a evitar a dor. A velocidade das informações, então, torna-se uma armadilha, resultando em jovens mais frustrados e com menor desenvolvimento cognitivo.

Basicamente, há menos paciência para o processo, e o estímulo rápido dá pequenas doses da satisfação do resultado, que nunca serão suficientes.

Um exemplo prático: todo mundo que se prepara para uma prova tem como objetivo passar, mas estudar não é tão satisfatório quanto rolar a barra dos reels do Instagram. Com isso, o resultado aguardado não chega e você se torna um escravo dos rápidos estímulos digitais.

Nos quadrinhos dos X-Men, o processo é um elemento central, pois estamos falando de jovens que precisam aprender a conviver com as mutações do próprio corpo enquanto o mundo, e até seus familiares, os rejeita.

Nessa realidade digital de estímulos que diminuem o desenvolvimento cognitivo e a capacidade de desenvolver o pensamento crítico, esses jovens mutantes tendem a ser mais manipuláveis.

Identidade na era digital

Reprodução/Marvel Comics

Desde que o mundo é mundo, a busca por pertencimento é um drama central. Mais manipuláveis por causa dos estímulos, muitos jovens vivem uma busca desenfreada para serem influenciados.

Percebendo isso, megacorporações e instituições políticas se aliam a influenciadores para vender as “narrativas corretas”, independentemente de serem verdadeiras ou não.

A identidade na era digital é uma bagunça: muitos jovens deixam de se encontrar em quem são para viver o que o mundo quer que eles sejam.

No contexto dos X-Men, esse tema poderia resultar em mutantes tentando se adaptar a diferentes grupos sociais, e negando à própria identidade para se moldar no mundo digital.

Desta forma, a jornada de cada personagem seria sobre encontrar um equilíbrio entre sua identidade mutante e sua identidade social.

A Marvel precisa ir além do básico

Reprodução/Disney

Há ainda temas mais óbvios que podem ser abordados, como o crescente sentimento de ansiedade, a velocidade dos julgamentos nas redes sociais e o ódio online. A Marvel pode seguir por vários caminhos, mas precisa ir além do básico se quiser que os jovens se sintam parte do reboot dos X-Men.

Quais personagens e tramas dos quadrinhos especificamente poderiam ser adaptados para os temas que escrevi neste artigo? Bem, há pessoas ganhando milhões de dólares para descobrir isso. Não serei eu a dar ideias de graça.

Leia mais sobre X-Men:

O reboot dos X-Men conta com Michael Lesslie (Jogos Vorazes) como roteirista e Jake Schreier (Thunderbolts*) como diretor.

O desenvolvimento está avançado, e há a expectativa da produção começar ano que vem. Por enquanto, não há data de estreia.