
Início de Tyranny
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Tendo conseguido alguns trocados, acabei comprando um jogo novo, um lançamento, embora um que talvez não chame muita atenção dos gamers: Tyranny. Bom, para ser sincero, não conseguido trocado algum. O que aconteceu é que descobri que podia dividir em doze vezes na loja da Nuuvem e acabei indo lá e comprando o jogo em dez parcelas de uns sete reais. O que dizer, sou mais comprador de livros e hqs do que de jogos.
Em todo o caso, Tyranny é um CRPG aos moldes clássicos. Completamente inspirado no saudoso Baldur’s Gate. Na verdade, Tyranny é tão “aos moldes clássicos” que é de criação da Obsidian Entertainment, empresa onde trabalham muitos dos ex-funcionários da Black Isle, que participou de Baldur’s Gate, criou Fallout, Planescape: Torment e Icewind Dale.
Não é a primeira incursão da Obsidian nesse estilo de jogo maravilhosamente retrô. O primeiro foi o aclamadíssimo Pillars of Eternity, projeto viabilizado através de financiamento coletivo que tinha todos os esquemas e bases que um fã dos CRPGs antigos poderia querer. Tyranny, então, é uma evolução natural ao Pillars of Eternity. Mesma engine, mesmo padrão, mas com mudanças mecânicas que melhoraram muito o fluxo do jogo.
As mudanças também vieram no tom e no tema da história. Em Pillars of Eternity o pessoal da Obsidian deve ter sido mais comedido. Fizeram uma história clássica de alta fantasia. Bem escrita, sim, mas também muito familiar, pouco ousada. Isso muda bastante em Tyranny, que apresenta uma ambientação não medieval, mas num estilo que aponta para o início do Império Romano, sem armas de aço, só de ferro e bronze e outras peculiaridades.
Mas o ponto principal é que em Tyranny o personagem criado pelo jogador começa no lado dos vilões. Na verdade, os vilões ganharam o mundo. O (ou A) Overlord Kyros dominou praticamente o mundo inteiro, e seu último esforço de conquista tirânica foi tomar as terras da pequena península de Tiers. Como parte principal de seus exércitos estão os Archons (Arcontes) seres poderosíssimos, quase que divinos e detentores de magia da pesada que disputam entre si em várias intrigas e praticamente passam tanto tempo de picuinha interna quanto combatendo os inimigos de Kyros.
Dois desses Arcontes comandam o grosso do exército de Kyros nos Tiers. Graven Ashe está à frente dos Disfavored, um grupo de soldados competentes, xenófobos, racistas, escravocratas e que tem algo como um senso de ordem e honra. Enquanto The Voices of Nerat é o líder do Scarlet Chorus, uma horda selvagem de assassinos porra-louca que prezam a liberdade de matar e de morrer e não fazem escravos porque deixam as pessoas ingressarem suas fileiras para, em liberdade, matarem e morrerem na linha de frente desse grupo desvairado.
Não é preciso dizer que os grupos e seus líderes se odeiam. E o protagonista, personagem criado pelo jogador (no caso, moi), fica justamente entre a cruz e a espada entre esses dois grupos babacas e seus líderes traiçoeiros. Acontece que tem um terceiro Arconte com muita influência, Tunon, que é quem aplica as leis de Kyros e executa sentenças aos criminosos e resolve divergências entre os súditos. Esse Arconte possui uma série de agentes chamados de Fatebinders (Juramentadores?), que andam por aí resolvendo disputas e aplicando leis e ocasionalmente proclamando os Éditos de Kyros.
A história começa justamente com a proclamação de um desses Éditos. E aqui não estamos falando apenas de alguma ordem ou alguma lei ou qualquer coisa do tipo. Em Tyranny, um Édito de Kyros é uma magia super-poderosa, destruidora e devastadora. Ela fica latente em forma de pergaminho, e quando alguém a proclama, geralmente um Fatebinder, essa magia com o potencial de arrasar uma região inteira é desencadeada e, a depender da situação, seu efeito destruidor existirá de forma contínua até que alguma condição pré-estabelecida seja cumprida.
E é justamente com um desses Éditos que o jogo se inicia. No entanto, Kyros não enviou o Édito para massacrar seus inimigos, mas para punir os seus servos. Depois que um grupo rebelde conseguiu conquistar a região de Vendrien’s Well, os Disfavoreds e o Scarlet Chorus passou dias tentando reconquistar o lugar, mais brigando entre si do que com o inimigo. Então o Édito de Kyros diz que se os rebeldes não forem derrotados em oito dias, todos na região irão morrer. Claro que isso faz com que se acirrem ainda mais as farpas entre os dois grupos e seus Arcontes.
Durante essa parte do jogo, existem várias missões que, a depender de como são realizadas pode gerar Favor ou Wrath (Ira) com as diferentes facções, inclusive os rebeldes. É até possível ir equilibrando as coisas, ora favorecendo um lado, ora decidindo que o outro está mais correto. Eu fui tomando minhas escolhas baseado na ideia de que eu era um Fatebinder e deveria fazer o que me parecesse justo. No entanto, um ponto negativo do jogo é que não dá para permanecer “neutro”. Em determinado momento, será necessário escolher entre os dois exércitos de Kyros, o que levará a uma aliança com um e ao ódio do outro. Também é possível ficar do lado dos rebeldes, mas achei meio estranho a forma como fizeram isso. Basicamente, é preciso desde o início poupar os líderes rebeldes e ajuda-los. Mas teoricamente, o personagem não tem motivo nenhum para fazer isso, já que eles são inimigos, e não acontece nada na história para justificar essa decisão. Para quem gosta de “interpretar” o personagem, não existe motivo plausível para ficar do lado rebelde.
Não podendo ser “isentão”, no último instante decidi ficar do lado do Scarlet Chorus, porque Graven Ashe foi meio babaca comigo. Após a conquista de Vendrien’s Well, portanto, eu estava aliado com o Arconte The Voices of Nerat. Mas as coisas na se complicariam um pouco mais na história, pois, com a conquista de Vendrien’s Well, o Fatebinder consegue quebrar o Édito de Kyros e ativar o Spire, um gigantesco pilar de construção ancestral que é recheado de magia.
Isso faz com que o Fatebinder efetivamente se torne uma nova força na região dos Tiers, conseguindo dominar recursos e poderes que praticamente vão o tornando um novo Arconte. Com uma guerra declarada acontecendo entre os Disfavored e o Scarlet Chorus, Tunon, o Arconte Juiz, pediu para que o Fatebinder investigasse os dois grupos e seus arcontes para que fossem reunidas provas para leva-los a julgamento. Decidi que seria leal à corte de Tunon e a ideia de justiça e lei, mesmo em um mundo dominado por um Império tirânico.
Para isso, acabei traindo o Scarlet Chorus assim que pude. E foi uma traição meio grosseira mesmo. Tinha até falado com o Voices of Nerat, ele me mandado numa missão e tudo mais, mas assim que uma cidade que eles controlavam (e que eu no prólogo havia cedido o controle a eles) foi atacada, decidi que iria aproveitar a deixa para tirar tanto o Scarlet Chorus quanto os invasores da cidade (um grupo mercenário cujo líder ficou doidão). Isso me lançou em um caminho meio caótico em que eu basicamente não tenho nenhum aliado muito firme. Pior do que isso, tirou algumas opções de diplomacia que eu queria ter tido. Por exemplo, não pude nem pensar em me aliar a um outro grupo de rebeldes que estava combatendo os Disfavored, minha única opção foi descer o sarrafo em todo mundo. Além disso, o Arconte das Sombras, Bleden Mark, um sujeito sinistro que aparece das sombras e é o assassino de Tunon, resolveu por algum motivo de ajudar, me incentivando a encontrar vários artefatos para reunir poder e me proteger de todos os grupos, sendo uma força por mim só.
Basicamente, escapei de um babaca arrogante impulsivo (Graven Ashe) e do, basicamente, Coringa (The Voices of Nerat) e acabei tendo que confiar, um pouco, num sujeito sinistro e para lá de suspeito. Mas a vida segue. De fato, nesse segundo ato do jogo tiveram algumas coisas na história que eu não curti tanto, pois me foram negadas algumas opções e outras nem existem (como a de não se aliar a ninguém, mas de não ser inimigo de ninguém, andando na corda bamba), mas ainda assim, o jogo tem muitas escolhas a oferecer e elas realmente influenciam no estado do mundo.
Ainda não terminei Tyranny, mas recomendo ele mesmo assim. Muito bom o jogo. Na próxima semana devo falar mais sobre meu progresso (que será menor, visto o lançamento de Pokémon) e talvez um pouco mais das mecânicas e coisas que me chamaram a atenção.
Alguns dados:
Total de horas de Tyranny.: 20
Total de horas do Zerando Minha Steam: 217
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 10
Jogos que faltam ser zerados: 267