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Início de Stellaris

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Eu não imaginei que teria terminado Stellaris essa semana, mas aconteceu. Já foram dois jogos finalizados aqui na Zerando Minha Steam.

No post da última semana, eu descrevi como foi a primeira tentativa do meu império estelar e, como mencionei, não foi na segunda que eu consegui alcançar a vitória, coisa que aconteceu apenas na terceira e última vez.

A minha segunda tentativa foi meio rápida, pra falar a verdade, mas instrutiva. Já havia explorado alguns sistemas estelares quando comecei a encontrar vizinhos bastante próximos de mim. Ataquei dois deles, consegui conquista-los, mas fui incapaz de criar alianças com qualquer outra nação. Foi aí que percebi o problema do sistema de diplomacia. Além de não oferecer muitas opções, as que existem ainda estão um pouco engessadas. Devido ás “éticas” escolhidas para o Império, as outras nações acabam tendo redutores na forma como vão encarar umas as outras, e é muito provável que exista pelo menos um redutor desses. Se o seu Império for coletivista, e o outro for individualista, isso já conta -20 na relação entre os dois, se o outro for xenófobo, já soma -40. E isso prejudica bastante em relação a tentar uma aliança, que também envolve outros fatores.

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Então o meu Tarassian Empire não conseguiu se aliar com ninguém, enquanto alguns vizinhos próximos fizeram alianças imensas. Não demorou muito até eu me ver atacado por três nações diferentes e sem nenhuma forma de pedir ajuda aos impérios que gostavam bastante de mim mas estavam somente a um pontinho de aceitarem ser meus aliados. Esse problema, inclusive, já vai ser solucionado, pois a Paradox já delimitou as mudanças dos próximos patches e vai incluir a possibilidade de alianças passageiras, tratados de proteção e esse tipo de coisa.

Como não foi meu caso, contudo, acabei recebendo ataques que minguaram minhas forças, tomaram minha capital e por fim fizeram com que a segunda tentativa se tornasse inviável. Pensei mais uma vez em parar por aí, afinal já tinha visto o bastante do jogo e entendido suas qualidades e defeitos, mas mesmo assim insisti e parti para a terceira e vitoriosa campanha.

Percebendo os erros anteriores, me foquei em conseguir uma aliança logo no início do jogo. Para isso eu alterei uma das “éticas” do Tarassian Empire, eles não seriam mais coletivistas fanáticos e militaristas, mas sim coletivistas, militaristas e materialistas. Eu esperava que isso me desse redutores menores ao interagir com nações avessas ao coletivismo.

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O plano deu certo e eu consegui me aliar com um vizinho meu, que possuía alguma força, mas não era mais forte do que meu império. No entanto, com algum esforço (e fazendo um tratado de bordas abertas com outro vizinho para que eu pudesse passar com uma nave de colonização), fiz uma colônia ao lado de uma espécie do que parecia um peru bípede espacial, que eram bastante fortes e compartilhavam visões políticas com o Tarrassian Empire. Foi necessário a tal colônia porque compartilhar bordas provê bônus para alianças militares, mas como o sistema em questão ficava afastado do resto do império, acabei dando de presente para meus aliados.

A partir daí, entrei em um frenesi de participar de guerras e colonizar os planetas habitáveis que estavam sob o meu domínio. Eu e meus aliados formávamos uma aliança muito forte e eu praticamente não precisei mais me preocupar com ameaças externas. Bom, na verdade eu não sabia disso na época, e como meus aliados eram rivais de membros de uma outra aliança, o Golden Pact, eu estava basicamente fazendo uma aposta. Mas acabou que eu não precisei fazer muito esforço para ganhar os primeiros combates. Praticamente ficou tudo a cargo de meus aliados. Fomos conquistando de território em território vizinho até praticamente dizimar o Golden Pact e enquanto isso eu ia fortalecendo minhas frotas e colonizando planetas desabitados.

Em certo momento percebi que uma das formas de ganhar o jogo era possuindo 40% dos planetas habitáveis da galáxia, e como eu já possuía 40 dos 200 necessários, decidi que era dessa forma que eu tentaria ganhar o jogo. Não que eu tivesse muita escolha, pra ser sincero. Ou era isso, ou era tentar destruir todas as outras nações. O jogo realmente não tem muitas condições de vitória, algo que precisaria ser mudado com certa urgência.

Foi então que eu comecei a me aproveitar da simplicidade da IA do jogo.

Como a questão diplomática ainda não está muito bem desenvolvida, foi muito fácil ficar declarando guerra com as outras nações, receber auxílio de meus aliados e não dar nada a eles em troca. Praticamente todo mês um de meus aliados, uns macacos espaciais (estes nada relacionados com Clube da Luta), e como era necessário que todos da aliança aceitassem, eu sempre recusava. Não era por maldade que eu fazia, mas os macacos nunca colocavam entre os objetivos da guerra coisas que iriam me beneficiar (sempre era pra eles conquistarem sistemas) e eu não tinha como negociar outros objetivos para guerrear. Em contrapartida, sempre que eu declarava guerra, era necessário delimitar os objetivos e contemplar as necessidades de meus aliados para que eles aceitassem.

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Mas logo aprendi que eu não precisava ceder nada aos meus aliados. Bastava que eu esperasse o meu inimigo propusesse sua rendição – situação em que todos os sistemas que eram objetivo da guerra, incluindo os que iriam para os meus aliados, ficavam pra mim –, ou então deixar chegar à certa quantidade de “warscore” (pontuação de guerra), após ir derrubando os planetas inimigos, e ofertar paz em troca de uma ou dos objetivos, os que eu queria, claro. E nisso tudo eu tinha apoio total de meus aliados, que empregavam toda a sua força militar para me dar apoio (na verdade, eles basicamente se resumiam a seguir as minhas frotas e participar dos combates. Isso precisa ser melhorado, Paradox!)

Não é preciso dizer que o sistema não está legal. Em relação a jogos como Crusader Kings 2, o sistema de guerra e diplomacia está rudimentar, primitivo. Acho que uma grande perda que pode passar um pouco despercebido é a questão do “causus belli” que existe em outros jogos da Paradox. Em Crusader Kings II e Europa Universalis IV não basta declarar guerra, é preciso haver um motivo para isso e o motivo utilizado, seja forte ou fraco, influência as relações diplomáticas com outras nações. Senti muita falta de um sistema desses em Stellaris, além de, claro, um sistema de diplomacia com a I.A que não me permitisse explorar meus pobres aliados na cara dura e que tornasse interessante esse tipo de politicagem.

Seguindo esse esquema, não demorou muito para que eu dominasse metade da galáxia, então três quartos dela. Principalmente porque eu descobri que eu não precisava ir tomando planeta por planeta. Bastava exigir que o inimigo se tornasse meu vassalo, condição que sempre tem o valor fixo de 60 pontos de guerra, sendo que tem planeta que chega a custar 40, ou seja, um sistema bastante malfeito. Então eu ia de guerra em guerra, vassalizando nações com vários planetas, vendo a barra de vitória aumentando.

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Aconteceu uma das “crises de fim de jogo”, uns seres bizarros de outra dimensão abriram um portal e começaram a invadir a galáxia. No entanto, isso aconteceu longe de mim, de forma que não me afetou. De início, a expansão deles foi demorada, mas conforme eu estava chegando ao fim de minhas guerras, ela se acelerou bastante. Em pouco tempo eles teriam dominado metade da galáxia. Se eu não tivesse ganhado o jogo quando ganhei, eu teria tido muitos problemas com esses invasores. Principalmente porque como eles funcionam de forma diferente das outras I.As, não existindo declaração de guerra, mas sim um estado constante e automático de guerra, nenhum de meus aliados me ajudaria. Ou seja, mais um erro do jogo (que já foi confirmado que será tratado no próximo patch, onde será possível sugerir direções e estratégias para aliados e vassalos).

Apesar de todos os defeitos, pessoalmente, eu posso dizer que estou satisfeito com a experiência que tive com Stellaris. Eu me diverti, me diverti mesmo. No entanto, de forma alguma eu poderia recomendar o jogo no estado atual em que ele se encontra. Talvez se ele estivesse por volta dos 30 reais e não dos 70, valeria a pena, no entanto, como não é o caso, atualmente Stellaris só vale para quem está muito a fim de jogar algum jogo novo espacial. Para todas as outras, é melhor jogar Endless Space, Distant Worlds ou, saindo do tema, Crusader Kings II.

Acredito que em um ano Stellaris pode se tornar um jogo fantástico, já que a Paradox irá trazer mudanças e novidades a cada patch, além dos DLCs. No entanto, esse período ainda não passou e ter zerado Stellaris só me fez ficar com saudades de jogar novamente Crusader Kings II, um grand strategy que será difícil do jogo espacial da Paradox superar.

Na próxima semana, começarei a falar sobre Salt and Sanctuary, o “Dark Souls 2D” que foi lançado para PCs recentemente.

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Alguns dados:

Total de horas de Stellaris: 39

Total de horas do Zerando Minha Steam: 87

Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 2

Jogos que faltam ser zerados: 253

 



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