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Eu iria jogar apenas umas quatro horas de Tyranny essa semana. No entanto, vi a oportunidade de terminar o jogo de vez e resolvi aproveitá-la. E isso não foi exatamente uma boa coisa, porque mostrou que as partes finais da obra foram muito malfeitas e que o jogo está bem abaixo da qualidade que sua primeira metade faz parecer que terá o todo.
Veja bem, depois de ter que dizimar tantos os rebeldes Unbroken quanto os Disfavored do Império, eu fui até fazer uma sidequest para pegar um artefato dos regentes da região, e então usei ele para atravessar as barreiras do Édito das Tempestades que a Overlord Kyros havia lançado sobre o lugar. A fortaleza, chamada de Stalwart, ainda estava de pé, embora estivesse isolado já do resto do mundo já há alguns anos, e nela foi onde teve a última coisa realmente interessante do jogo, embora ela tenha vindo depois de sair matando todo mundo no mapa. Eu precisava quebrar o Édito ao matar o último regente de Stalwart, mas quando eu o fiz, o Édito não foi quebrado, pois a sucessão havia sido passada para uma bebê de poucos meses de idade. Não precisei mata-la, contudo. Bastou convencer a mãe a abandonar o seu posto de regente em exercício e eu consegui meu objetivo. Por sinal, a mãe da bebê era a filha do Arconte Graven Ashe, que supostamente estava sendo mantida prisioneira em Stalwart. Aparentemente ela foi conquistada pela causa dos rebeldes.

Depois disso, bastou ir a um novo local no mapa, matar uns monstros e reclamar a espada Dauntless. Retornei para o meu ponto de encontro com o assassino Bleden Mark, que me passou novamente uma tarefa de encontrar outro artefato em outra região. Resumirei o que aconteceu: fui em três locais diferentes, tive pouca conversa com NPCs, não achei nenhuma side-quest muito relevante, e então consegui o artefato Azure Shield, além de ativar outro dos Spires – que basicamente haviam iniciado a treta toda do jogo. Retornando para Bleden Mark, o Arconte assassino me informou que provavelmente a essa altura o Voices of Nerat iria tentar me atacar, e que eu deveria, portanto, retornar para o primeiro Spire que eu ativei, na primeira região do jogo.
Se eu já estava incomodado com o que aconteceu antes, isso aumentou em uma quantidade razoável de vezes. Veja bem, você está em um jogo, tem um inimigo atacando a sua base principal, algo que não ocorre em nenhum outro momento, essa OBRIGATORIAMENTE tem que ser uma sequência FODA. No entanto, Tyranny consegue apenas entregar momentos legalzinhos. Em questão de história, é bastante relevante, pois é quando o protagonista utiliza todo o poder do Spire e lança contra os invasores um dos Éditos de Kyros que ele havia quebrado. Em matéria de gameplay, contudo, vemos apenas uma sequencia curta dos efeitos do Édito detonando o Scarlet Chorus e então os personagens descem para lutar contra os inimigos remanescentes em uma luta que é igual a todas as outras lutas.
A proclamação do Édito põe um fim no Ato II do jogo, mas as coisas não melhoram. O último Ato do jogo começa com um outro Fatebinder entregando uma carta de Tunon para o protagonista (que também é um Fatebinder). A carta explica que o protagonista agora é considerado um Arconte e que Kyros determinou que a região do Tiers será dominada por apenas um Arconte, e que eles podem entrar em guerra e matar uns aos outros. Uma coisa interessante para a história do jogo, mas o último ato de Tyranny se resume a basicamente isso: matar outros Arcontes.

E é isso bem resumido MESMO. Depois de receber uma carta de convocação de Tunon escrita por Bleden Mark – e que tinha uma mensagem secreta para que eu fosse encontrar ele em separado – o Arconte assassino faz graça da situação e disse que se eu matasse Graven Ashe e Voices of Nerat ele iria jurar fidelidade a mim e abandonar Tunon.
Após esse encontro com Bleden Mark, o final do jogo foi basicamente ir em dois mapas, matar 4 grupos de inimigos e lutar um combate pouco inspirado contra os Arcontes. Por último fui à corte de Tunon e fui julgado por ele. Aparentemente tinha como ele considerar que eu seria um governante melhor do que Kyros e passar para o meu lado, mas acabou que ele me declarou culpado – a contragosto – e eu tive que lutar contra ele e mata-lo. Bleden Mark tentou me ajudar, assassinando Tunon, mas ele foi posto fora de combate. No fim das contas, o assassino sombrio sarcástico e altamente suspeito realmente estava do meu lado.
Tendo realizado tudo isso, o personagem fica sabendo que mais exércitos de Kyros estão marchando contra ele. E para impedir este ataque, vai até o Spire principal e o utiliza para lançar um Édito – a escolha do jogador – sobre os reinos nortenhos, pela primeira vez na história fazendo as forças do Overlord recuarem e se protegerem. O jogo acaba assim, tendo um epilogo que mostra um parágrafo que mostra as consequências de vários aspectos do jogo que podiam ser modificados pelo personagem. De fato, acaba sendo bastante coisa mas… tudo mostrado em texto, não no próprio jogo. O término ficou parecendo extremamente vazio e o Ato III em geral foi horrível. A história em si até que foi boa. Mas a forma de contar ela, principalmente aliada à mídia que é um jogo digital, foi terrível. Pareceu apressado pra caramba.

Tyranny teve os seus méritos. O sistema de combate e evolução dos personagens aprimora o que foi estabelecido em Pillars of Eternity. No entanto, ele tem defeitos demais para eu poder recomendar. Onde estão as quests de cada personagem do grupo? Onde estão as side-quests com histórias próprias e fechadas? O jogo consegue estabelecer muito bem o cenário dele, e o mundo em que está ambientado é bem apresentado para o jogador. No entanto, a partir do meio do jogo a narrativa vai pro inferno e características essenciais a um CRPG que pareciam tão bem feitas no Ato I acabam indo pro inferno no fim do jogo. Nem Mass Effect 3 teve um final tão ligeiro e pouco desenvolvido quanto esse.
Quando jogo um CRPG eu quero conversar com NPCs, sair explorando o mundo, fazer side-quests nada a ver com a história principal, ir numa cidade e demorar horas falando com todo mundo e pegando todas as missões – sejam elas interessantes como as de Witcher 3, que tem uma história própria praticamente, ou sejam completamente “tapa-buraco”. E acabou que Tyranny não proporcionou nada disso. Pior, até no que ele se focou, fez malfeito. O Ato III não tem desculpa nenhuma para ser como acabou sendo. Sem drama, sem desenvolvimento, sem nada de épico, sem uma conclusão não apenas contada, mas mostrada para o jogador…
Não dá para recomendar Tyranny, infelizmente. Mas como eu já tenho o jogo, provavelmente jogarei os vindouros DLCs. Espero que a Paradox não decepcione em Tides of Numenera como fez neste jogo.
A cópia do jogo resenhado foi adquirida pelo resenhista
Alguns dados:
Total de horas de Tyranny.: 29
Total de horas do Zerando Minha Steam: 226
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 11
Jogos que faltam ser zerados: 267




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