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Em 4 de junho, a IO Interactive divulgou o trailer de apresentação de 007 First Light. Confesso que andava meio desanimado com James Bond recentemente, mas bastaram três minutos para eu passar a acreditar que esse jogo é o melhor que poderia acontecer para a franquia no momento.

007: First Light é o melhor que poderia acontecer para a franquia James Bond no momento
007: First Light chegará em 2026 (Reprodução/IO Interactive)

A franquia James Bond, inteligentemente, foi executada de forma episódica por muitas décadas, e isso suavizou as transições de gerações que vieram com as trocas de atores. Por anos, foi como acompanhar o mesmo agente em missões diferentes. Quando a EON conseguiu adaptar Cassino Royale — a história da primeira missão do agente —, 007 vivenciou não apenas o seu primeiro reset aparente, como também perdeu o status episódico para virar uma franquia corrida.

Por um lado, isso criou positivamente uma saga — aquilo a que o público se acostumou a receber nos últimos vinte anos. Por outro, gerou um problema para a próxima transição, quando a EON achou de bom tom dar um sentimento de completude ao arco de Daniel Craig, matando Bond em 007: Sem Tempo para Morrer (2021).

Embora Roger Moore tenha feito mais filmes (7), Daniel Craig foi o ator que passou mais anos ininterruptos no papel de James Bond, quinze no total (Reprodução/Amazon MGM Studios)

A franquia que, por décadas, jamais precisou dar desculpas sobre continuidade, precisa agora justificar um segundo reboot. Para piorar, a EON se aproveitou do ponto final de Bond para jogar o controle criativo nas mãos da Amazon MGM Studios — o que causou muita discórdia entre os fãs, já que a empresa de Jeff Bezos supostamente pretende transformar 007 em uma espécie de MCU da espionagem, ou, na “menos pior” das hipóteses, fragmentar tudo em derivados desconectados.

James Bond foi engolido por um nevoeiro denso. Até hoje, não sei dizer se a homenagem feita à franquia durante a cerimônia do Oscar 2025 foi uma celebração ou um funeral. O que sei dizer, no entanto, é que minha esperança renasceu com a apresentação de 007 First Light.

First Light não é o primeiro jogo de James Bond. Além De ser uma grande potência nos cinemas, a franquia é marcada por alguns jogos icônicos como GoldenEye 007 e 007: Nightfire. O projeto da IO Interactive, entretanto, desempenha o papel de maior importância da franquia em muito tempo.

Para os próximos filmes de James Bond darem certo, a forte ligação de imagem de Daniel Craig com o agente precisa ser rompida. A saúde da franquia tende a melhorar se o público interpretá-la novamente como algo episódico. Ao reinterpretar a origem de 007 para os tempos atuais, First Light vai dar uma liberdade muito bem vinda para a equipe criativa dos próximos filmes.

Patrick Gibson, de Dexter: Pecado Original, empresta o visual para James Bond (Reprodução/IO Interactive)

É fato que o jogo vai atrair muitos fãs antigos. No entanto, quando o próximo filme chegar, os mais jovens, que nunca tiveram contato com Bond antes do jogo, vão saber não apenas quem é o agente, como também terão a noção de como ele interage com mundo moderno dos celulares, câmeras potentes e IAs.

De certo modo, o trabalho da IO Interactive vai servir como um grande laboratório para a Amazon, que, ainda sem ter definido quem vai escrever e dirigir o próximo filme, pode observar o que funciona ou não com o público moderno, e incorporar isso nos cinemas.

O jogo está sendo desenvolvido para PC, PlayStation 5, Xbox Series X | S e Nintendo Switch 2. (Reprodução/IO Interactive)

O maior intervalo de lançamento entre filmes de James Bond foi de seis anos, quando a franquia enfrentou problemas legais entre 007: Permissão para Matar (1989) e 007 Contra GoldenEye (1995), e quando enfrentou um crise sanitária global entre 007 Contra Spectre (2015) e 007: Sem Tempo para Morrer (2021). É provável que, agora, esse intervalo se repita ou até seja superado.

007 First Light, portanto, tem um grau a mais de importância: o de manter a franquia viva no imaginário do público enquanto Hollywood limpa a própria bagunça.

O futuro da franquia nos cinemas

Reprodução/

Amy Pascal, da franquia Homem-Aranha, e David Heyman, da saga Harry Potter, são os novos produtores responsáveis pelos filmes de James Bond.

Por enquanto, não há previsão para o início da produção do próximo filme. Alfonso Cuarón (Roma) está em negociações para dirigir e escrever o roteiro.

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