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Você está lendo a sétima edição da newsletter sem título do O Vício e, nela, serei um pouco mais breve que o habitual. É véspera de San Diego Comic-Con, e a boatosfera está temporariamente fechada para manutenção. Além disso, assinei mais acordos de confidencialidade do que o comum nos últimos dias, o que mantém alguns assuntos travados por enquanto. O que posso garantir, no entanto, é que agosto será um mês escaldante para nós. Diante do cenário da semana, aproveitei este espaço para trocar algumas ideias com vocês sobre o Batman do DCU e o próximo James Bond — dois temas que vão dominar as discussões nos próximos meses.

Esta é mais uma edição editada e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). Muito obrigado pelo engajamento da semana passada. Foi mais uma edição de sucesso. Vocês são demais.

Ainda nesta edição: A Odisseia estreou, e estou publicando aqui o meu Top 10 da filmografia de Christopher Nolan. Além disso, trago duas dicas culturais: uma série aclamada que finalmente chega ao Brasil e um livro espetacular de Don Winslow, que adapta a Ilíada para o cenário do crime organizado na Nova Inglaterra do final dos anos 80. Aproveite o conteúdo:

Para que serve um Batman do DCU?

Batman: Por que James Gunn seria o diretor ideal de The Brave And The Bold
Reprodução/DC

Batman: Parte 2 foi adiado para fevereiro de 2028, e parte da internet já está tirando a calça pela cabeça, alegando que isso significa que o Batman do DCU não chegará aos cinemas no mesmo ano. Mas, afinal, para que diabos precisamos de um Batman do DCU agora?

Esses dias, relendo uma carta que Christopher Nolan assinou para a edição especial em Blu-ray da trilogia O Cavaleiro das Trevas, me deparei com um agradecimento a Alan Horn por ter confiado a ele a maior propriedade da Warner e, principalmente, por o estúdio ter tido paciência com seu processo criativo.

De Batman Begins (2005) até O Cavaleiro das Trevas (2008), foram três anos. Depois, Nolan levou mais quatro para entregar O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012). Criar exige tempo, e os grandes projetos não funcionam sob pressão.

É louvável o catálogo de diretores que a Warner construiu para o Batman. Não era qualquer um que botava as mãos em filmes desse personagem. O primeiro Zeca que deixaram brincar com ele no live-action quase destruiu a marca com uma interpretação absurda. Enfim, não é para qualquer um. Até os grandes já tombaram. Joel Schumacher foi um excelente diretor, mas entregou o pior filme da história do Homem-Morcego, por exemplo.

Hoje, o grande cineasta responsável por essa franquia é Matt Reeves, e ele a zela como uma filha. Um teaser de poucos segundos na semana passada bastou para deixar claro que vem algo muito especial por aí. Mas, ainda assim, insistem em discutir o Batman do DCU de James Gunn.

Francamente? Você realmente liga para quem vai interpretar o que será o primeiro produto do Batman fabricado por executivos em anos? E não estou perguntando isso para o fandom da DC nas redes sociais. Esse grupo é composto, em sua maioria, por rebeldes sem causa que passam o dia procurando um motivo para reclamar e, na hora que a DC mais precisa, desaparecem.

Pergunto para você, que gasta dinheiro com quadrinhos e se importa de verdade com o personagem. O quão ansioso você está para descobrir as visões de Christina Hodson, Andy Muschietti ou James Gunn sobre o Batman?

Tenho todo o carinho do mundo pelo Andy — e, se você é um leitor antigo, sabe que o considero um bom diretor, porque ele realmente é. Mas não dá para negar que ele não está à altura do portfólio histórico do Homem-Morcego. Ele pode até entregar um filme competente, mas, para mim, ofende que a discussão sobre essa nova versão parta de um conceito medíocre, que é a ideia de que precisamos juntar o Batman com o Superman.

Eu pagaria o ingresso para ver isso? Sim, com certeza. Mas me preocupa muito esse processo de “Homem-Aranhização” do Batman. O Cabeça de Teia teve uma trilogia de alto nível e, desde 2012, vive de filmes medíocres ou ruins, justamente por ter virado um produto fabricado para estúdios.

Parte da discussão ignora que temos um Batman vivo e em produção que dificilmente será replicado em qualidade por qualquer nome da DC Studios, incluindo o próprio James Gunn. Aliás, muito espirituoso da parte de Gunn ter contratado outros para tocar The Brave and the Bold. Se eu sou cineasta e ganho o controle da DC, só deixaria outra pessoa mexer no Batman se eu estivesse dentro de um caixão. Mas… cada um, cada um.

O Batman de Reeves e Pattinson é um prato de lasanha de massa fresca, com molho de tomates assados na lenha e costela wagyu desfiada lentamente. Parte da discussão on-line é tipo: “humm, isso parece uma delícia, mas que horas vão servir o miojo de galinha?”.

O Senhor das Moscas

Reprodução/BBC

Após um longo período de espera, a aclamada nova série de O Senhor das Moscas finalmente chegou ao Globoplay. Já conferi a produção, e o resultado é impressionante. iNclusive, o elenco conta com alguns atores que estarão no aguardado reboot de Harry Potter.

A trama acompanha um grupo de garotos britânicos que, após ficarem presos em uma ilha, tentam estabelecer suas próprias regras, mas acabam mergulhando em um caos irreversível. A série explora a falha humana na convivência social, retratando-nos como seres inerentemente egoístas. O roteiro é assinado pelo brilhante Jack Thorne (Adolescência).

Os homens, seus códigos e sua perdição

Crítica de Ladrões
Reprodução/Sony Pictures

Numa pacata cidade portuária da Nova Inglaterra, Danny Ryan só queria uma vida simples como pescador. No entanto, sua linhagem está profundamente ligada à máfia irlandesa, e o destino — ou um erro de percurso — fez com que ele se apaixonasse pela filha do chefão do crime. Embora o mundo do crime nunca tenha sido seu desejo, Danny foi atraído por ele como se fosse o lado de um ímã macabro. Uma guerra sangrenta contra a máfia italiana acaba forçando Danny a assumir o controle da facção irlandesa, justamente no momento em que ele só queria cuidar de seu filho recém-nascido, de sua esposa, que luta contra um câncer, e de seu pai debilitado.

A dica cultural de hoje foge um pouco do habitual. Não teremos um filme. Desculpem, pessoal, mas hoje o foco é a leitura de Cidade em Chamas, o primeiro livro da trilogia de Danny Ryan, escrita por Don Winslow e inspirada nos eventos da Ilíada.

Divulgação/Harper Collins

Tudo muda quando uma mulher escultural surge na praia dessa cidade nebulosa e esquecida por Deus. Danny sabe, no instante em que a vê, que ela trará problemas. E traz. A partir daí, a história vira uma espiral de caos, repleta de explosões, traições e alianças frágeis.

Don Winslow narra, com maestria, a ruína de um homem arrastado para um conflito do qual desejava escapar, forçado a tomar decisões extremas apenas para sobreviver. Entretanto, paira uma dúvida inevitável. Ele realmente queria fugir? Danny encontra diversas oportunidades para abandonar tudo e recomeçar, mas está acorrentado pelo código de lealdade da máfia, que ele leva a ferro e fogo.

Até onde um homem pode ir para proteger o que ama antes de se tornar aquilo que mais despreza? A lealdade e a ética de trabalho de Danny são, ironicamente, a sua ruína. Cidade em Chamas é, sem dúvida, um dos melhores romances policiais dos últimos anos.

Vale destacar que a obra ganhará uma adaptação cinematográfica em breve. Austin Butler foi escalado para interpretar Danny Ryan. Matt Ross (Capitão Fantástico) será o diretor. O roteiro foi desenvolvido por Justin Kuritzkes (Rivais; Queer).

You Know My Name

Pela Metade na HBO Max: A endoscopia da masculinidade por Richard Gadd que desafia o público
Reprodução/HBO Max

A turma vive pedindo Callum Turner e Jacob Elordi como James Bond, mas acredito que exista um nome com credenciais muito superiores para conquistar o posto.

Stuart Campbell, que inclusive já admitiu o sonho de interpretar o espião, possui o arquétipo perfeito para o que a Amazon busca. Ele é jovem — tem apenas 27 anos —, exala sex appeal e demonstra uma amplitude de atuação rara para alguém da sua idade. Campbell tem muito mais alcance que Elordi ou Turner, sendo totalmente convincente como um astro de ação.

Quem assistiu ao seu trabalho mais recente, a minissérie Pela Metade, da HBO, sabe exatamente do que estou falando. Ele possui uma presença magnética e rouba completamente o olhar do espectador sempre que aparece. Além disso, Campbell transparece aquela aura de animal selvagem incontrolável.

Bond é um personagem que vive no limite. Ele não é famoso por seguir a linha, e sua essência baseia-se na reação. Trata-se de uma força rebelde da natureza, e pouca gente encarna esse perfil como Stuart Campbell.

Além de tudo o que mencionei, ele tem 1,85 m de altura, é escocês e possui aquele porte atlético — sem ser exageradamente bombado —, exatamente como o Bond de Ian Fleming é descrito nos livros. Basta apenas um pequeno corte na bochecha para adicionar aquela cicatriz característica, e teríamos, sem dúvida, a versão mais fiel ao visual original do agente já vista no cinema.

Não faço ideia se ele está participando dos testes de elenco, mas, se tiver a chance, tudo me leva a crer que ele chegará muito longe no processo de seleção.

Top 10 Christopher Nolan

Christopher Nolan e Matt Damon nos bastidores de A Odisseia
Divulgação/Universal Pictures

Respeito e admiro Christopher Nolan, mas ele não figura entre os meus diretores favoritos. Ainda assim, aproveitando a estreia de A Odisseia (2026), decidi compartilhar com vocês o meu — certamente contestável — Top 10 de filmes do cineasta.

  1. A Odisseia (2026)
    • O filme para o qual Nolan se preparou a vida toda. Um amálgama atômico dos vícios e virtudes do diretor, que divinamente funciona como um épico memorável.
  2. Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)
    • Nolan passou boa parte da carreira tentando emular os thrillers policiais dos anos 70, sob a ótica social e masculina de Michael Mann. O Cavaleiro das Trevas foi o auge dessa fase. Ele construiu um filme sobre o embate entre caos e ordem que permanece tenso do início ao fim. Embora eu não seja fã da interpretação do cineasta sobre o Batman, isso nunca me impediu de reconhecer que esse filme é um milagre.
  3. Amnésia (2000)
    • Mesmo sendo o segundo filme da carreira, Amnésia serviu como um cartão de visitas definitivo, deixando claro que Nolan não estava na indústria para brincadeira. O longa é um quebra-cabeça narrativo que, apesar de cair na armadilha de um exercício de estilo por vezes frio, encontrou na sua montagem um golpe de mestre que alterou a maneira como o cinema mainstream explora o tempo.
  4. Dunkirk (2017)
    • Em outros tempos, este filme figuraria no fundo da minha lista. Contudo, minha visão sobre cinema mudou muito. Hoje, para mim, tudo se resume a imagens que emulam sentimentos. O resto é acessório. Sob esse critério, Dunkirk é dono da melhor experiência sensorial que já tive em uma sala de cinema, ao lado de Planeta dos Macacos: A Guerra (2017), A Odisseia (2026) e Blade Runner 2049 (2017).
  5. Insônia (2002)
    • A primeira encomenda de estúdio para Nolan. Al Pacino e Robin Williams estão em fuego. É uma história sobre honra versus justiça que questiona a letra fria da lei. Um thriller de alto conceito, genuinamente subestimado.
  6. A Origem (2010)
    • É cinema de escala colossal, barulhento e frenético, que esconde uma fragilidade emocional surpreendente. Acho fofo.
  7. Interestelar (2014)
    • Chore se você chorou com a trilha sonora de Hans Zimmer. Desculpe, esse precisava ficar em uma posição alta, pois não consigo resistir ao Matthew McConaughey astronauta.
  8. Tenet (2020)
    • Inocente e não tão atrativo como filme de ação, mas com uma atmosfera de gente grande para um suspense. O 007 de Nolan é bonitinho, mas ordinário. Vamos lá, é um filme subestimado. É muito melhor do que você se lembra.
  9. Oppenheimer (2023)
    • Não sou um grande fã. Admiro o esforço em experimentar com a colorização e o som, mas o resultado é desproporcionalmente pretensioso. Oppenheimer parece o Batman. Jesus, Nolan… ele era um cientista. Ainda assim, não chega a ser ruim. Nolan venceu um Oscar pelo filme, não foi? Então, ele merece estar no Top 10.
  10. Batman Begins (2005)
    • O filme que, neste século, mudou tudo para melhor e para pior. Inegavelmente um marco.

Destaques rápidos da semana

Banner de Vingadores: Doutor Destino
Reprodução/Marvel Studios

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