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Durante anos, vimos algumas de nossas produções favoritas serem transformadas em franquias. Para o bem ou para o mal, era interessante ver personagens que já conhecíamos ganhando novas histórias, se envolvendo em novas situações e recebendo um desenvolvimento mais profundo. Embora continuações cinematográficas existam há mais de 100 anos, foi na década de 70, com o lançamento do clássico O Poderoso Chefão II, que os estúdios enxergaram potencial financeiro em transformar histórias fechadas em grandes franquias.

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De lá pra cá, tivemos várias duologias, trilogias, quadrilogias e sagas ainda mais prolongadas. Umas deram certo, algumas se perderam na saturação e outras permanecem fortes até hoje. Nesse meio, diante de tantas falhas e acertos, um tema específico é discutido por cinéfilos do mundo afora: a maldição do terceiro filme. Não é exatamente uma regra, existem exceções, mas chega a ser curioso quantas franquias escorregaram e entregaram filmes que não honraram o legado de seus antecessores. Separei 6 casos onde discutiremos os problemas e os motivos por trás da queda de qualidade dessas grandes produções.

O Poderoso Chefão Parte III (1990)

Francis Coppola já deixou claro em algumas entrevistas que nunca teve interesse em trabalhar numa continuação de O Poderoso Chefão, e o fez por pura pressão e necessidade financeira. No primeiro caso funcionou, a segunda parte da trilogia é um dos maiores clássicos de máfia já produzidos, mas o mesmo não pode ser dito da parte três, que chegou aos cinemas 16 anos depois. O filme não tem o mesmo gás e inspiração de seus antecessores, é arrastado, cansado. Embora haja contexto e nexo na mudança na personalidade de Michael Corleone, Al Pacino parece atuar no piloto automático, sem a mesma intensidade que entrega nos dois longas anteriores. Sua carreira aqui já era consolidada e ele começava a repetir certos trejeitos e cacoetes de seus personagens anteriores. A falta de um antagonista realmente ameaçador, o ritmo inconstante, a ausência de nomes importantes como Robert Duvall e a adição de Sophia Copolla como Mary Corleone também prejudicaram o filme, que tem como pontos positivos a desglamourização do crime, o personagem e a atuação de Andy Garcia e o encerramento do arco de Michael Corleone, que embora tenha lutado incansavelmente pelo nome de sua família, terminou sua vida sozinho.

O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (2003)

Arnold Schwarzenneger é de fato a grande estrela de Exterminador do Futuro, mas não ao ponto de salvar um filme inteiro somente com seu carisma. Doze anos após o lançamento do excelente e bem sucedido O Julgamento Final, T3 chegava aos cinemas. Dessa vez, o time não contava com Linda Hamilton, Edward Furlong, nem o diretor James Cameron, que até demonstrou interesse em trabalhar num terceiro filme da franquia em meados da década de 90, mas pulou fora do barco após problemas envolvendo direitos autorais e compromissos com a produção de Titanic. Ao contrário dos dois primeiros longas, que misturam ação com ficção científica e toques de terror, temos aqui um filme de ação genérico que se sustenta na própria nostalgia gerada pelos seus antecessores. Um repeteco do que funcionou misturado com um roteiro pobre e confuso que, além de contradizer parte do que foi estabelecido nos filmes anteriores e deixar ainda mais questões em aberto, parece ser escrito apenas para dar contexto para mais e mais cenas de ação com humor e referências cômicas a momentos icônicos da franquia. T-X não é tão ameaçadora e imponente quanto T-1000, a abordagem e interpretação de Nick Stahl não faz jus a John Connor e Kate Brewster acaba sendo um mero par romântico colocado para preencher espaço.

Blade: Trinity (2004)

As divergências entre Wesley Snipes e David S. Goyer ao lado das escolhas e inexperiência do diretor resultaram no terrível encerramento da franquia do matador de vampiros. A escalação de Dominic Purcell como Drácula (aqui chamado de Drake) foi um grande erro e sua versão não traz nenhuma das características clássicas do personagem: não é assustador, sedutor ou imponente. A adição de Ryan Reynolds como Hannibal King em nada acrescentou ao filme, servindo apenas como uma metralhadora infinita de alívio cômico (que raramente funciona). Blade aqui parecia um coadjuvante de sua própria história. Wesley Snipes parecia entediado, seu porte físico não era o mesmo dos longas anteriores. É dito que o ator estava frustrado por desejar um maior controle criativo sobre a obra, algo que foi negado, e passava horas e horas trancado em seu trailer, fumando maconha e se comunicando com os colegas apenas através de bilhetes, os quais ele assinava como Blade. Há uma cena onde Snipes se recusou a abrir os olhos e isso teve de ser feito através da computação gráfica. Um filme genérico, bagunçado e mal feito. Tão polêmico que Wesley Snipes processou o estúdio New Line Cinema, alegando que seu salário não foi completamente pago e o tempo de seu personagem em tela foi reduzido.

Homem-Aranha 3 (2007)

Após os confrontos com Duende Verde e Doutor Octopus, as expectativas para o terceiro filme do Teioso eram grandes. Eddie Brock, Gwen Stacy e Flint Marko eram os estreantes. Harry Osborn buscava vingança pela morte de seu pai e Peter Parker buscava progredir em seu relacionamento com Mary Jane enquanto conciliava suas responsabilidades com a vida de super-herói. O filme tentou ser ainda mais grandioso que o segundo, mas não conseguiu equilibrar a adição de novos elementos com o desenvolvimento e conclusão das tramas já estabelecidas e o resultado foi uma grande salada. O diretor Sam Raimi declarou em entrevistas que nunca teve interesse pelo Venom e não tinha intenção de trazê-lo para um filme do Homem-Aranha, mas acabou cedendo por pressão da Sony e do produtor Avi Arad. Topher Grace se mostrou uma má escolha para interpretar o personagem, Gwen Stacy ficou alheia à trama e a personalidade simbiótica de Peter Parker é motivo de piada até hoje. O grande injustiçado aqui é Thomas Haden Church, que se preparou intensamente para viver o Homem-Areia e é um dos poucos pontos verdadeiramente positivos do filme.

Shrek Terceiro (2007)

Existem histórias que, por mais boas e inovadoras que sejam, trazem consigo um limite de saturação. Era possível ir ainda mais além após Shrek 2? Com a troca de diretores e roteiristas, Shrek Terceiro acabou não tendo o mesmo pique do segundo filme nem a autenticidade do primeiro. A comicidade aqui era mais morna, as piadas mais contidas e óbvias, e Artie não conseguiu ser um personagem tão carismático quanto os apresentados na parte dois da franquia. Embora a qualidade técnica da animação seja ainda melhor aqui (por razões óbvias), a história perde o fôlego e em breves momentos nos vemos tão cansados quanto o próprio Shrek, que não tem o mesmo protagonismo de outrora. É perceptível que pegaram os elementos chave dos dois primeiros filmes e adicionaram uma trama como pano de fundo com o objetivo de repetir a fórmula do sucesso. Bateu na trave. E pensar que anos depois veríamos Shrek para Sempre fazendo tudo isso mais uma vez…

Homem de Ferro 3 (2013)

Um curioso caso onde o personagem foi mais bem aproveitado em filmes alheios do que em suas próprias produções. Embora o Vingador Dourado possua um dos melhores filmes de origem de super-heróis, já vinha de um decréscimo após seu segundo filme, que tentou repetir a fórmula de seu antecessor e acabou não sendo tão bem sucedido quanto, por conta de seus exageros e a presença de um vilão morno e sem peso. O terceiro filme contava com a direção de Shane Black e prometia muito: um Tony Stark traumatizado por conta dos eventos extraterrestres de Os Vingadores e disposto a fazer de tudo pra proteger quem mais ama, além da presença de um icônico vilão das HQ’s, o Mandarim. Um filme que se queimou pelo próprio marketing, que sugeria um tom mais sério, dramático e caótico para a conclusão da trilogia do herói, justamente o oposto do que foi apresentado em tela. O plot twist envolvendo o Mandarim foi uma das maiores decepções dos fãs, que consideraram a decisão como um desrespeito ao personagem, e mesmo o filme tendo sido um sucesso financeiro, é considerado um grande desperdício de personagens e elenco, que teve Ben Kingsley e Guy Pearce no papel dos antagonistas.

Existem outros exemplos que podem ser citados, como Matrix Revolutions, Rambo III, X-Men: O Confronto Final e Superman III, assim como casos onde o terceiro filme conseguiu manter ou elevar o ritmo e relevância de seus antecessores, como O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Toy Story 3 e Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Concluímos que na maioria dos casos a queda na qualidade das franquias está ligada à desavenças ou desinteresse entre a equipe criativa. Troca de diretores, roteiristas, mudança de abordagem, insatisfação do elenco, repetição de fórmulas. O grande foco dos estúdios e empresários é um só: dinheiro. Se um produto gera lucro, é inevitável o interesse numa continuação, custe o que custar. Quem se envolve numa produção de Hollywood acaba precisando ter a consciência de que seus interesses podem ser freados pelos grandes estúdios, mesmo que o tempo já tenha provado que isso raramente é algo positivo.



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