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Bem vindos a mais uma edição do Revisitamos, onde vamos trazer opiniões sobre alguns dos principais jogos lançados nos últimos anos (ou décadas), e que vocês podem aproveitar nesse período de isolamento social.

Com o sucesso de Final Fantasy VII Remake, muita gente decidiu jogar não apenas o clássico, mas também outros capítulos da aclamada franquia da Square. E aqueles que estão entrando agora no mundo de Final Fantasy e pesquisaram listas de melhores jogos da série, podem ter se surpreendido com o número de vezes em que Final Fantasy VI aparece em primeiro lugar.

Mas o que torna esse jogo tão especial, a ponto de ser considerado não apenas o melhor Final Fantasy, mas também um dos melhores JRPGs de todos os tempos (em uma disputa cabeça com cabeça ao lado de Chrono Trigger)?

São vários os fatores, sendo o principal deles o fato de que Final Fantasy VI foi radicalmente diferente de seus antecessores, representando um enorme salto tanto narrativo quando tecnológico – afinal, foi o último Final Fantasy da era 16 bits. Ele foi o primeiro game da série a não ser dirigido por seu criador, Hironobu Sakagushi, e sim por Yoshinori Kitase (que mais tarde seria também diretor e roteirista de Final Fantasy VII), e a ideia desde o início foi inovar.

Isso é percebido já na introdução do game, onde somos informados de que devido a uma guerra que aconteceu muitos anos atrás, a magia não mais existe. Sem magia, esse mundo
acaba sendo radicalmente diferente dos títulos anteriores, com construções e máquinas a
vapor, concedendo um visual steampunk ao universo. Fugindo da fantasia medieval que caracterizava os outros capítulos da franquia (e outros títulos do gênero, como Dragon Quest) Final Fantasy VI realmente oferecia algo novo, inexplorado, interessante… e muito
mais sombrio.

Não apenas o jogo em si foi desenvolvido para ser mais escuro, como os seus temas são
muito mais densos e corajosos do que qualquer outro Final Fantasy ousou explorar antes ou depois. Gravidez na adolescência e suicídio são alguns dos temas abordados, além de um tom niilista que permeia a narrativa e é personificado pelo seu grande vilão, Kefka (falaremos mais dele daqui a pouco).

Outro ponto que difere Final Fantasy VI de seus pares é que aqui não temos um personagem principal propriamente dito. São 14 personagens jogáveis, e a ideia dos produtores era de que cada um deles poderia ser um protagonista em potencial. Claro que na prática isso não funciona tão bem assim, já que apenas alguns deles possui um desenvolvimento realmente profundo.

Porém, a tentativa está ali, e é algo realmente interessante para um game de 1994, especialmente na forma como o jogo lida com a quantidade de personagens ao longo do gameplay, utilizando dungeons que necessitam que o jogador divida seus heróis em diferentes grupos. Ainda assim, é inegável o grande destaque dado a Terra Branford e à forma como ela move a trama. Porém, até mesmo Terra fica longe da sua party durante boa parte da primeira metade do game, sendo inclusive opcional na segunda parte.

Como já disse, alguns personagens são mais desenvolvidos do que outros, e por incrível que pareça o grande destaque fica com o vilão, Kefka Palazzo. Inicialmente apenas o braço direito do Imperador, o espalhafatoso Kefka se veste como um palhaço e durante o primeiro terço do jogo é basicamente um antagonista que serve como alívio cômico, até mesmo fugindo de batalhas quando confrontado. Porém, isso é algo que faz parte de  sua brilhante caracterização.

Kefka é um personagem que, dentro de poucos segundos, pode te fazer rir e imediatamente ter asco de suas ações. Ele não tem qualquer escrúpulo, mata pessoas e envenena um reino inteiro com um sorriso no rosto, mais ou menos como o Coringa, das histórias do Batman. Com o decorrer do jogo, esse personagem vai se transformando cada vez mais em algo muito pior, até se tornar a personificação do niilismo. Enquanto nossos heróis estão em um eterno dilema do motivo de nossa existência e de nosso propósito no mundo, Kefka acredita que a vida é uma mentira e que a melhor forma de provar o seu ponto é retirando das pessoas tudo que lhes é mais importante, até não lhes restar sequer a vontade de viver.

Ah, isso sem contar aquela risadinha bizarra que sempre permanecerá em nossos pesadelos.

Além de tudo isso, é interessante observar como Final Fantasy VI parece carregar muitas das ideias de Final Fantasy VII em forma embrionária. O sistema de Espers, uma novidade do game, foi o que nos levou às Materias, por exemplo. Isso sem contar os traços de personalidade de Cloud e Aerith que podemos encontrar em personagens como Terra e Celes (o tema musical de Celes, aliás, possui várias semelhanças com o de Aerith).

Para aqueles interessados, Final Fantasy VI pode ser adquirido para PC via Steam, em uma versão que inclusive está completamente traduzida para o português do Brasil. Vale a pena conhecer um dos capítulos mais aclamados da franquia (e considerado o melhor por muita gente) e entender onde começou a grande revolução da série.



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