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Em 2011 a DC Comics iniciou uma nova fase editorial: Os Novos 52. Reformulando origens, zerando a numeração de todos os títulos, e mudando as equipes criativas, algumas histórias contadas a partir deste reboot são muito boas. As edições da Action Comics escritas por Grant Morrison se encaixam nesta categoria de boas revistas, agora compiladas em um mega encadernado lançado pela Panini Comics, chamado Superman – À Prova de Balas!

Grant Morrison é um autor famoso e polêmico. Enquanto possui uma legião de fãs, o número de pessoas que não admiram seu trabalho é praticamente igual. Sempre contando histórias confusas, com dimensões paralelas, seres extradimensionais e poderes bizarros, o escocês foi responsável por repaginar a origem do Superman, o ícone supremo dos quadrinhos, a seu bel prazer. E apesar do histórico de viagens e maluquices, o resultado foi algo muito bom.

Morrison inicia sua fase (que durou cerca de dezoito edições) mostrando uma visão um pouco diferente do escoteiro azulão. Inexperiente, sem conhecer a capacidade total de seus poderes, impulsivo e com muito mais atitude do que o ícone antigo a qual os leitores estavam acostumados, este Clark Kent/Kal-El inicial é marcado pela evolução, pelas descobertas graças à trama apresentada, envolvendo Lex Luthor (aqui, um cara gordinho e covarde que só muda com o advento do Superman), MetalloBrainiac, a destruição de Krypton e diversos outros fatores. Paralelamente, uma força maior inicia seu plano megalomaníaco que será explorado em edições futuras.

Algumas mudanças na representação dos personagens chamam muita atenção. Clark Kent é um cara mais novo, blogueiro, que inicialmente escreve para o Estrela Diária (assim como nas histórias da década de 40) e Jimmy Olsen é retratado como seu amigo, e não um alívio cômico qualquer. Enquanto Superman, ele ainda não voa, sua força é limitada, e somente com o passar do tempo ele descobre que pode fazer coisas mais incríveis.

Esta parte inicial da trama, que dura cerca de oito edições, pode ser chamada de uma “história de origem.” Ao final, os conceitos chave do personagem são concretizados, com algumas ótimas novidades, sendo a principal, a exploração do planeta natal do Superman, Krypton. O roteirista (somado ao excelente time de artistas, que inclui Rags Morales e Andy Kubert) desenvolve o planeta de uma forma nunca antes vista nas histórias de origem do Superman, que você pode conferir quais são clicando aqui. E o mais importante: você pode ler sem conhecer nada do herói, ou da própria DC e seu universo.

A segunda parte deste encadernado começa o desenvolvimento da trama que até então era paralela, e que finaliza-se na décima oitava edição. Aqui, com a origem devidamente contada, Grant Morrison se dá ao luxo de fazer o que sempre faz: viajar nas ideias. Somando conceitos e personagens característicos da Era de Prata, um Clark Kent preocupado com outras coisas em sua vida, e até mesmo tramas espaciais e personagens de outras dimensões, a partir daqui tudo deve ser lido com mais atenção.

Resumidamente, posso dizer, sem spoilers, alguns fatores que caracterizam este arco: Mxyzptlk, clássico vilão travesso do herói, é parte central da trama, somado a outras personagens relacionadas. Ataques multidimensionais em tempos diferentes e ao mesmo tempo, itens dimensionais, vilões dimensionais, tudo que você possa imaginar, aparece. E a trama não se perde. Apesar da confusão que pode causar, no final tudo faz sentido, inclusive alguns heróis de subplots, como a Legião dos Super-Heróis, e o Aço, todos repaginados de maneira excelente para os Novos 52.

Mas nem tudo são flores. Apesar do desenvolvimento coeso, Morrison peca na falta de sentimentos em alguns momentos, e isto pode ser comprovado ao ler as histórias backups e complementares. Após o final (um tanto quanto simples, diga-se de passagem), as histórias extras e curtas da Action Comics foram reunidas nas últimas páginas do encadernado, antes dos Extras, todas roteirizadas por Sholly Fisch, e ilustradas por uma variada galeria de artistas. Em poucos quadros, Sholly consegue emocionar o leitor de maneira muito natural, coisa que o escocês responsável pela série principal não soube fazer muito bem.

Apesar dos pequenos deslizes e algumas pontas que não ficam muito claras, À Prova de Balas ainda é um encadernado que merece a atenção de todos. A decisão editorial de lançar um compilado com mais de 600 páginas tomada pela Panini deve ser aplaudida, visto que este era um formato inédito até então. Somando as histórias principais, os backups e extras com comentários do próprio Morrison, todo o acabamento e atenção dados a este volume o tornam uma excelente publicação, somada à história contada, que é uma das melhores (e eu diria, segunda melhor) origens do Superman.

Se você acha que o reboot dos Novos 52 não possui boas histórias, e que este fez com que o Superman virasse um personagem otário, deve ler este volume. Apesar da qualidade duvidosa de diversos títulos da editora, Action Comics de Grant Morrison é um grande destaque positivo. E, claro, uma ótima reinvenção do ícone chamado Superman.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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