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Dando continuidade à nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez um dos mais pedidos, o nosso Homem de Aço, o Superman!

Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.

O Homem de Aço

Na década de 90, após o evento Crise nas Infinitas Terras, a DC Comics decidiu reiniciar o seu universo para uma nova geração de leitores, e assim os principais personagens da editora tiveram suas origens recontadas por alguns dos maiores nomes da indústria na época, como Batman Ano Um de Frank Miller. No caso do Superman, coube a John Byrne escrever e desenhar O Homem de Aço, a nova origem do Superman que trouxe algumas diferenças em relação ao herói pré-crise, principalmente no que se refere aos seus poderes.

Aqui o Superman não é tão monstruosamente forte como era antes (o cara carregava planetas!) havendo uma limitação em seus poderes para algo mais plausível e que os leitores pudessem ter uma identificação maior do que teriam com alguém praticamente invencível. Um dos pontos altos da história também, é ter trazido o Lex Luthor empresário manipulador que conhecemos hoje e que acabou se tornando a versão definitiva do personagem com o passar dos anos, já que antes do reboot Luthor estava mais para um cientista maluco do mal.

O Legado das Estrelas

Em 2003, a DC acreditava que o Superman precisava de uma nova origem. Não apenas por achar que O Homem de Aço já estava datado para os novos leitores, mas também porque queriam algo com apelo comercial para sua série Smallville, que apresentava um jovem Clark Kent na TV e trazia conceitos novos para a mitologia do personagem.

Assim, foram convocados Mark Waid e Leinil Francis Yu para o trabalho, e o que poderia ter sido algo forçado acabou sendo uma das melhores histórias do Superman.  O Legado das Estrelas não é apenas uma ótima história, como é também a melhor origem já escrita para o homem de aço (isso na minha opinião, claro), e é a história que traz para os quadrinhos o conceito de que Clark e Lex se conheceram enquanto adolescentes, ainda na cidade de Smallville.

Origem Secreta

Como assim? Mais uma origem? Pois é, parece que a DC Comics tem uma verdadeira obsessão em recontar a história de Kal-El, e em 2009 (apenas seis anos após o Legado das Estrelas) coube ao escritor Geoff Johns dar a sua versão a respeito de como sucedeu-se o surgimento do Superman.

Origem Secreta conta com os desenhos de Gary Frank, que decidiu retratar Clark Kent com as mesmas feições do ator Christopher Reeve, e mostra a infância de Clark com seus pais em Smallville, o primeiro contato com a Legião dos Super-Heróis, a chegada ao Planeta Diário, além do surgimento do antagonismo com vilões como Lex Luthor, Metallo e Parasita.

As Quatro Estações

Cortesia da famosa equipe criativa composta por Jeph Loeb e Bruce Timm, Superman: As Quatro Estações poderia até ser considerada como uma história de origem, mas sua premissa vai um pouco além disso. Dividida realmente em estações, a história segue o o Superman enquanto ainda era um adolescente em Smallville até a sua vida em Metrópolis, utilizando sempre um narrador diferente por estação e a forma como o personagem influencia em sua vida.

Na Primavera, o narrador é seu pai adotivo Jonathan Kent, e observamos como Clark descobre seus poderes. No Verão, temos a história sendo contada pela ótica de Lois Lane, que analisa o impacto da chegada do Homem de Aço em Metrópolis. No Outono, enxergamos como Lex Luthor vê o Superman, e no Inverno observamos os pensamentos de Lana Lang a respeito do grande peso que Clark carrega nas costas como o grande campeão do mundo. Em As Quatro Estações não temos uma história com o herói surrando alguma ameaça ao planeta, e sim uma análise a respeito dos medos e dúvidas do homem do amanhã, e a opinião daqueles à sua volta.

O que Aconteceu ao Homem de Aço?

Escrita por Alan Moore (que dispensa apresentações) a HQ é uma das mais famosas e icônicas do Superman, e traz uma visão do que seria a última aventura protagonizada pelo herói. Como a cronologia da DC foi reiniciada após o evento Crise nas Infinitas Terras, a história é considerada como o verdadeiro final do Superman Pré-Crise, e traz alguns momentos muito marcantes dos quadrinhos como a cena em que Superman chora ao estar ciente de que sua morte está próxima, e o fatídico sacrifício do cachorro Krypto.

Para o Homem Que Tem Tudo

Também escrita por Alan Moore, Para o Homem Que Tem Tudo é tão icônica que chegou a ter uma adaptação animada no desenho Liga da Justiça: Sem Limites, que foi aprovada pelo próprio Moore, famoso por nunca gostar das adaptações de suas obras para outras mídias.

Na história, é aniversário do Superman, então Batman e Mulher-Maravilha vão visitá-lo com presentes na Fortaleza da Solidão. Porém, o Homem de Aço havia caído em uma armadilha do vilão Mongul, e é encontrado em transe graças a uma misteriosa planta que faz com que Kal-El pense estar em uma realidade onde Krypton não explodiu e ele constituiu família no planeta.

A Morte e o Retorno do Superman

Odiada por uns, amada por outros, A Morte do Superman foi um dos acontecimentos mais marcantes na história do personagem, quando ele tomba pelas mãos do vilão Apocalypse. O herói, obviamente, não ficou morto muito tempo, e logo tivemos O Retorno do Superman, onde quatro novos heróis surgem em Metrópolis sob a alcunha de “Superman”, deixando durante alguns meses a dúvida na cabeça do leitor se algum deles realmente era Kal-El retornado.

Contando com alguns acontecimentos importantíssimos na DC que acabariam culminando em outras sagas, como a destruição de Coast City pelas mãos de Mongul e do Super-Ciborgue, as duas histórias se fazem essenciais para um fã do Superman, independente do raso roteiro, uma característica marcante dos anos 90.

O Reino do Amanhã

Escrita por Mark Waid e contando com os desenhos realísticos de Alex Ross, O Reino do Amanhã não é necessariamente uma história do Superman, mas a importância do personagem dentro da trama faz com que a HQ se torne leitura indispensável para os fãs do azulão.

Passando-se em um universo paralelo alguns anos no futuro, a história mostra diversos heróis clássicos aposentados, enquanto uma nova geração de heróis adolescentes impulsivos e violentos tomam conta da cidade. Exilado há anos em sua Fortaleza da Solidão, Superman decide voltar para colocar o mundo em ordem, nem que seja na marra.

Paz na Terra

A históriaSuperman: Paz na Terra fez parte de uma série de Graphic Novels do finalzinho da década de 90, com roteiros de Paul Dini e arte de Alex Ross, que comemoravam os 60 anos da DC Comics. Na trama, bem simples, bonita e melancólica, Superman se dá conta de que nem todos os seus poderes são o suficiente para resolver um dos maiores problemas do mundo: A Fome.

Novamente, assim como As Quatro Estações, essa não é uma história onde encontra-se o herói batalhando com algum supervilão. E sim uma história que traz reflexão e repensa o papel dos super-heróis no mundo.

Olho por Olho

Traduzida por aqui como Olho por Olho, a história cujo título em inglês é “What’s so funny about truth, justice and the american way?” (O que é tão engraçado sobre a verdade, justiça e o modo de vida americano?) foi escrita por Joe Kelly em 2001, exatamente na época em que surgiam nos quadrinhos equipes de super-heróis mais realistas, violentas e sem escrúpulos como o Authority de Warren Ellis.

Na história, que faz uma analogia aos leitores de quadrinhos da época, um super grupo radical conhecido como Elite (que é uma analogia ao próprio Authority) cai nas graças do público com seu jeito violento e agressivo de resolver problemas, fazendo parecer que o jeito de escoteiro do Superman é coisa do passado. O roteirista Joe Kelly decidiu então mostrar que nada supera um bom e velho super-herói à moda antiga, e colocou o Superman para dar uma lição nos novatos. A luta é sensacional, e a HQ acabou sendo tão bem recebida que ganhou uma animação chamada Superman VS A Elite.

Fase Geoff Johns

Além de ter escrito Origem Secreta, o roteirista Geoff Johns foi responsável também por uma das fases mais criativas do Superman em anos, quando esteve à frente do título Action Comics. Dessa época saíram alguns dos arcos mais legais do azulão como Superman e a Legião dos Super-Heróis, O Último Filho, e Braniac. Esse último inclusive ganhou uma adaptação em animação chamada Superman: Sem Limites.

Entre a Foice e o Martelo

O que aconteceria se a nave do Superman tivesse caído na União Soviética ao invés de nos EUA? É exatamente isso que Mark Millar e Dave Johnson se propõem a responder em Superman: Red Son, chamado por aqui de Superman: Entre a Foice e o Martelo, história em um universo alternativo que trabalha justamente essa situação.

A história – que dizem ter contado com a ajuda de Grant Morrison – é considerada um dos melhores clássicos modernos do Homem de Aço, e item obrigatório para qualquer leitor, devido a sua qualidade narrativa e final surpreendente. Infelizmente, a HQ não vê o solo brasileiro há anos, e os fãs vivem implorando por uma republicação da Panini em capa dura.

Grandes Astros: Superman

Cortesia dos geniais Grant Morrison e Frank Quitely, Grandes Astros é considerada por muitos como a HQ definitiva do Superman. Na trama, que acontece à parte da cronologia regular, o herói é sobrecarregado pelos raios de sol graças a um plano de Lex Luthor e descobre que tem pouco tempo de vida.

O Homem de Aço decide iniciar então uma epopeia sensacional realizando grandes obras que acredita precisar serem feitas antes que possa deixar esse mundo, inclusive ter certeza se o mundo está preparado ou não para seguir sem um Superman. Usando e abusando da metalinguagem já tão conhecida em seus roteiros, Morrison nos mostra que não é apenas o mundo fictício dos quadrinhos que precisa de um ícone como o Superman, mas também o nosso mundo real.

Lex Luthor: Homem de Aço

Ainda que não seja tão badalada quanto outras histórias do Superman, Lex Luthor: Homem de Aço é uma das melhores histórias do personagem, principalmente por mostrar um outro lado do mito. Escrita por Brian Azzarello e desenhada por Lee Bermejo (a mesma equipe criativa da graphic novel Coringa) a história é completamente narrada pelo ponto de vista do maior inimigo do Superman, o magnata Lex Luthor.

Pelos olhos de Luthor, vamos aos poucos entendendo suas convicções e seu ódio pelo pretenso herói, percebendo que os argumentos do “vilão” fazem total sentido dentro da sua percepção de que – afinal de contas – temos um alien ultra poderoso voando acima de nossas cabeças e a única garantia que temos de que ele não vai de repente surtar e nos atacar ou nos dominar é a sua própria palavra. Um dos pontos mais interessantes do quadrinho, e que ajuda bastante nessa caracterização, é o fato de Bermejo desenhar o Superman sempre nos olhando de cima, e sempre com os olhos vermelhos. A forma como Lex Luthor o vê. Como uma ameaça constante.

Superman: À Prova de Balas

Em 2011, quando a DC Comics surgiu com o seu reboot Novos 52, coube ao aclamado roteirista Grant Morrison a tarefa de recontar a origem do Superman (sim, de novo) dentro desse recém-reformulado universo na revista Action Comics. O resultado é uma história interessantíssima onde Morrison traz um jovem e impulsivo Clark ainda aprendendo a ser o Superman e a utilizar seus poderes, além de vários conceitos novos e com potencial como Clark Kent blogueiro, Jimmy Olsen milionário, e o fato dos dois terem a mesma idade e agirem como grandes amigos.

Nessa versão, os pais de Clark já estão mortos quando ele sai de Smallville pra desbravar Metrópolis, e Morrison faz diversas homenagens ao Superman de 1938, como o fato do herói ainda não voar – ele apenas dá grandes saltos – e não trabalhar como repórter para o Planeta Diário, e sim como um jornalista investigativo para um jornal menor, o Estrela Diária.

Novos 52 – Geoff Johns e John Romita Jr.

Após algumas fases pouco interessantes pelos Novos 52, a DC decidiu trazer os holofotes de volta para a revista principal do Superman, chamando atenção para o título e tentando elevar a qualidade das histórias. Para tanto, Geoff Johns (agora comandando a Liga da Justiça) assumiu o título, com os desenhos a cargo do lendário John Romita Jr, recém-saído da Marvel, onde trabalhou por toda sua carreira. Nessa fase – que é a atual nos quadrinhos americanos – Johns trouxe de volta muito do Superman pré-reboot para o status do personagem, na intenção de chamar de volta os leitores que não aceitaram bem as mudanças na vida a na personalidade do herói. Assim, Clark finalmente trabalha no Planeta Diário ao lado de Lois Lane e Jimmy Olsen, e a diferença de idade entre os dois parece que voltou a surgir.

Um dos pontos marcantes dessa fase, e que gerou uma certa polêmica, é o fato do Superman ter ganhado um novo poder, o Super-Clarão, uma explosão de energia que incinera tudo em sua volta em um raio de 500 metros, mas que faz com que o azulão fique sem os seus poderes por 24 horas.

Superman de Peter Tomasi

Peter J. Tomasi, ao lado do artista Patrick Gleason, assumiu o título do Superman em 2016, logo após o evento Renascimento da DC. Essa fase marcou o retorno do Superman pré-Novos 52, agora vivendo com Lois Lane e seu filho, Jon Kent, em Smallville. As histórias exploram tanto as aventuras heroicas quanto a dinâmica familiar, mostrando um Clark mais maduro, equilibrando o papel de herói e pai.

A fase de Tomasi foi amplamente elogiada por trazer de volta o espírito clássico do personagem, misturando ação, emoção e valores familiares. Com tramas que iam de confrontos com vilões icônicos a momentos simples do cotidiano, essa versão do Superman conquistou leitores antigos e novos, sendo considerada uma das representações mais calorosas e humanas do herói nas últimas décadas.

Superman: Alienígena Americano

Escrita por Max Landis e publicada em sete edições, Alienígena Americano mostra uma série de momentos marcantes da vida de Clark Kent, desde sua infância no Kansas até os primeiros dias como Superman. Cada capítulo conta com um artista diferente, incluindo nomes como Jock, Francis Manapul, Jae Lee e Joëlle Jones, o que dá à obra uma identidade visual única a cada fase da vida do herói. A proposta é oferecer um olhar mais íntimo, mostrando as dúvidas, falhas e descobertas que moldaram o homem por trás do símbolo.

Apesar de não fazer parte da continuidade oficial, a HQ é considerada uma das leituras mais cativantes para entender o lado humano do Superman. Max Landis constrói um retrato sincero e, por vezes, vulnerável de Clark, equilibrando emoção, humor e drama, e criando uma narrativa que dialoga tanto com fãs antigos quanto com novos leitores que desejam conhecer o personagem.

Superman por Brian Michael Bendis

Em 2018, Brian Michael Bendis assumiu o comando do Superman, iniciando com a minissérie The Man of Steel e, depois, escrevendo as revistas Superman e Action Comics. Sua fase introduziu novas ameaças, como Rogol Zaar, ao mesmo tempo em que aprofundou o lado pessoal de Clark, explorando seu casamento com Lois Lane, a relação com Jon Kent e o papel como repórter em Metrópolis. Bendis também trouxe uma pegada mais política e investigativa, ampliando a importância do jornalismo nas histórias.

Essa fase ficou marcada por mudanças ousadas, como a revelação pública da identidade do Superman para o mundo. Apesar de dividir opiniões, a abordagem de Bendis deixou momentos impactantes, equilibrando batalhas grandiosas com tramas mais humanas, e contribuindo para atualizar o personagem em um contexto moderno.

Superman: Para o Alto e Avante

Escrita por Tom King e ilustrada por Andy Kubert, Para o Alto e Avante acompanha uma jornada incomum do Superman, que deixa de lado as ameaças cósmicas para se dedicar a salvar uma única vida. Após uma menina ser sequestrada por alienígenas, Clark parte em uma missão interplanetária que o leva a mundos distantes e situações imprevisíveis. Cada capítulo apresenta um ambiente e um desafio diferentes, reforçando a determinação quase obstinada do herói em cumprir sua promessa.

O grande destaque da HQ é a forma como King e Kubert exploram o lado mais humano e perseverante do Superman, mostrando que, para ele, toda vida importa – independentemente de onde esteja. A narrativa alterna momentos de ação intensa com passagens mais reflexivas, construindo uma história que é tanto uma carta de amor ao personagem quanto um lembrete do peso de seu símbolo.

Guia atualizado em 11 de agosto de 2025

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