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‘Você acha que este o motivo? Você ter me deixado morrer? Pelo jeito, você não sabe o que é pior: sua culpa ou seu senso de moralidade conservador. Olha Bruce, eu até te perdoo por não me salvar, mas por quê? Me diz, por que ele ainda está vivo?

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Robin, o menino prodígio… Ou melhor, meninos. Pois ao longo do tempo, o Batman foi acolhendo mais de uma criança: seja um órfão, um criminoso, um xereta ou até mesmo um filho desconhecido. Todo Robin passou pelo mesmo processo: foi treinado, educado e colocado para lutar contra o crime nas noites de Gotham.

Por muito tempo, acreditava-se que a figura do sidekick seria intocável, que ela representava o próprio leitor de quadrinhos, lutando ao lado dos seus heróis favoritos. Assim, podíamos vencer qualquer um, só por estar lado a lado com nossos ídolos. Mas algo deu errado, muito errado: Jason Todd deu errado.

Ao retornar como Capuz Vermelho, Jason se torna um reflexo sombrio do homem que o criou, sendo motivado por vingança, tal como seu mentor, mas sem o mesmo senso de moralidade e justiça que rege o Morcego. Mas quem é Jason Todd?

Mais conhecido como o segundo Robin, substituindo Dick Grayson, que acabou se tornando o Asa Noturna, Jason foi um garoto que o Batman encontrou roubando os pneus do Batmóvel. Seu pai estava preso, era um criminoso. E Jason parecia que ia seguir o mesmo caminho. Sua mãe morreu ainda jovem. Bruce acolheu o garoto sob suas asas ao perceber a escuridão que existia nele: havia raiva, havia ódio e Bruce acreditava que a luta contra o crime dissiparia esses sentimentos no garoto. O Batman acreditava que a justiça prevaleceria sobre tais sentimentos.

Mas enquanto o garoto crescia, sua raiva aumentava. E seus atos o levaram até o Coringa, que o capturou, torturou, massacrando o rapaz até quase matá-lo. Deixando uma bomba no local enquanto o Batman se aproximava. O explosivo detonou e tirou a vida de Jason. Porém, sem o Batman saber, o garoto foi ressucitado pelo poço de Lázaro, trazido por Ra’s Al Ghul, ele sofreu os efeitos adversos, que potencializou toda a raiva e ódio que existia em sua mente. O garoto passou a ver o Batman como seu próprio inimigo, assim, passando a desejar o sofrimento de seu mentor: Primeiro tomando Gotham e assumindo os deveres do Batman. Mas vale dizer que Jason perdoou Bruce por não salvá-lo a tempo.

O que ele não conseguia perdoar era o fato do Batman deixar o Coringa viver após ter feito o que fez. Como o Batman permitiu que o Coringa pudesse viver mesmo tendo matado o Robin? Basicamente, o garoto era seu filho… É algo que nos faz pensar e questionar a moral de Bruce Wayne… Qual o motivo dele continuar lutando após esta tragédia? Jason Todd representa não apenas a maior falha do Morcego, mas uma rachadura no seu senso de justiça. Uma criança que foi vítima do próprio sistema criado pelo Cavaleiro das Trevas, um sidekick que foi morto pela crueldade e loucura que cerca o Morcego.

Depois da morte de Jason, as coisas deveriam ter mudado. Mas o Batman continuou levando crianças para o campo de batalha. Nos quadrinhos, Alfred explica que essas crianças são um reflexo do passado de Bruce. Eles não estão ali para servir um papel na felicidade dele. Na verdade, ele não precisa deles no campo de batalha, mas precisa em um nível emocional. Eles são necessários para superar o luto que ele ainda vive, para superar a dor de perder seus pais. Mas qual o motivo dele não matar o Coringa? Jason questiona o jogo de gato e rato dos dois, mas que traz consequências para todos que os cercam. Sendo sua morte apenas mais um item na imensa lista.

O Batman então explica que matar o Coringa seria fácil demais. Se o Batman matar o Coringa, ele entraria em um caminho sem volta. Ele se tornaria o Capuz Vermelho, uma representação da mais pura vingança, sem nenhum senso de responsabilidade ou justiça. Bruce e Jason estão no mesmo plano, o da vingança. Mas em extremidades opostas: Batman é regido pela justiça, Jason pela raiva.

Sim, o Batman falhou. Não conseguiu proteger o rapaz. E agora ambos convivem com a dor gerada por aquele evento: O trauma do fracasso.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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