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Após anos em desenvolvimento na Warner Bros. Pictures e New Line Cinema, ‘Mortal Kombat‘ enfim está entre nós. O filme que prometeu adaptar de forma muito mais fiel a aclamada franquia de jogos da NetherRealm. Mas, será que conseguiu?

Infelizmente, a equipe criativa encabeçada por Simon McQuoid e Greg Russo perde ótimos momentos para emplacar um filme que agrade os fãs veteranos da franquia e também que trouxesse novos, gerando um possível lugar de destaque em Hollywood.

A trama é a seguinte: Cole Young (Lewis Tan), um lutador de MMA sem sucesso e com uma misteriosa marca de dragão no peito, começa a ser perseguido por Sub-Zero (Joe Taslim), assassino do Outworld. Nisso, Cole precisa confiar em outros guerreiros e descobrir sua verdadeira linhagem, que o torna digno de competir no Mortal Kombat.

O mais engraçado é que, em um filme de Mortal Kombat, com título de Mortal Kombat, nós não temos o verdadeiro Mortal Kombat, digo isso em relação ao torneio em si. Uma decisão que se mostra bastante controversa, já que se torna apenas um movimento para preparar o terreno para possíveis sequências ou derivados, mas que, ao mesmo tempo, coloca em risco tal possibilidade.

Outra coisa que chama a atenção desde o início é que o filme não possui um elenco carismático, sofrendo também com a qualidade do roteiro. Mas dá para citar o nome de Josh Lawson como um bom exemplo de escalação dentro do longa. O ator australiano está perfeito como Kano. É um verdadeiro caso de personificação do personagem. Seus diálogos conseguem tirar boas risadas e sua atuação é uma das melhores coisas do filme.

Sonya Blade, Raiden, Kung Lao, e especialmente Liu Kang, ficaram muito abaixo do esperado. E é uma pena que tenhamos pequenas participações de Goro, Mileena, Kabal (esse até tem alguns diálogos legais, mas nada demais), Reiko e Nitara.

Preocupa também a atitude de Raiden, afinal, o Deus do Trovão dessa vez decide não consultar os Deuses Anciões para nada, mesmo vendo com seus próprios olhos que Outworld quebrava todas as regras do torneio. Tadanobu Asano não passa a imponência necessária para o papel.

Liu Kang é o caso mais grave. Afinal, ao longo de toda a franquia, trata-se do escolhido. Aquele que derrotará as principais ameaças de Outworld para salvar a Terra. Aqui, temos um guerreiro sem espírito de liderança ou qualquer traço de personalidade. Infelizmente, Ludi Lin não se mostrou como a melhor escolha para o papel.

Um ponto positivo é que os efeitos visuais e cenários ficaram muito bons. A tradição do filme original em construir sets práticos ao invés de utilizar tela verde a todo momento foi mantida. Infelizmente, tais cenários são poucos explorados (como o inferno do filme original onde Johnny Cage enfrenta Scorpion), e muitos deles aparecessem por poucos segundos. O que é uma pena.

Sem “Flawless Victory” para Cole Young:

Você deve ter notado que não falei muito sobre Cole Young, certo? A verdade é que o protagonista do filme merece seu próprio espaço nesse texto.

Desde o início, praticamente o mundo inteiro percebia que a ideia de introduzir um personagem original na história era, no mínimo, equivocada, especialmente quando se tem um catálogo recheado para explorar. E a desconfiança se confirma quando percebemos que Cole Young é um personagem tedioso e genérico.

O mais inacredtiável é que estamos falando de um lutador de MMA fracassado, que não vencia uma simples luta de octógono, se tornando imbatível sem motivo aparente. Lewis Tan não consegue convencer, deixando evidente o motivo de ter perdido tantos papéis importantes nos últimos anos, inclusive o de protagonista de Shang-Chi na Marvel Studios.

O diretor Simon McQuoid causa certo estranhamento ao espectador ao encher as cenas de lutas com cortes e câmeras tremidas, o que dificulta o entendimento do que está acontecendo na tela. Isso tira o foco do talento de Hiroyuki Sanada e Joe Taslim, que estão entre os melhores atores com conhecimento de artes marciais da atualidade.

Scorpion e Sub Zero:

De qualquer forma, os principais pontos positivos são Scorpion e Sub-Zero. Desde a rivalidade no Japão Feudal envolvendo os clãs Shyrai Ryu e Lin Kuei, até os dias atuais onde Hanzo continua em busca da sua vingança pela morte da família, Hiroyuki Sanada e Joe Taslim se provaram escolhas mais do que perfeitas para esses papéis.

Mesmo com direção e edição não fazendo jus aos seus talentos para cenas de batalha, os dois ainda conseguem entregar as melhores lutas, com Sub-Zero agindo quase como um monstro de filme de terror, totalmente aterrorizante.

Scorpion, por outro lado, aparece por poucos minutos. Sua participação completa foi entregue nos trailers e vídeos de bastidores. É lamentável que toda a campanha promocional foi focada nos dois, que obviamente, eram aqueles que o público queria ver, mas que não tivemos um foco maior na dupla durante o longa. Arrisco dizer que Sanada e Taslim merecem suas próprias séries no HBO Max. Seria um presente para os atores e público.

Conclusão:

Mortal Kombat‘ não conquista. O filme decepciona os fãs mais ávidos da franquia e pode não trazer o resultado esperado para conquistar uma nova parcela de público. São poucos elementos que fazem você ficar interessado até os momentos finais do filme.

Apesar de tentar ser mais respeitoso ao material fonte, a versão de 2021 não possui o mesmo charme do clássico de 1995, que, mesmo com todos os problemas e mudanças no cânone, ainda consegue divertir e manter o espectador entretido até o confronto entre Liu Kang e Shang-Tsung.

Ah, e por sinal, a versão de 1995 tem Mortal Kombat, tipo, de verdade. O torneio. Aquela coisa que as pessoas lutam com regras? Sabe? Acho que ninguém lembrou desse pequeno detalhe aqui.

Positivo
  • Scorpion e Sub Zero
  • Kano
  • Cenários
  • Efeitos Visuais
Negativo
  • Protagonista não convence
  • Elenco não é muito carismático
  • Descarte de personagens importantes
  • Cenas de luta não ficam muito claras
Nota 4
Redator do O Vício. Bruno Gomes é especializado em cultura pop, com mais de 10 anos de experiência cobrindo filmes, séries e franquias de sucesso. Apaixonado por filmes de ação, acompanha todas as novidades do multiverso em tempo real.


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