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Christopher Nolan voltou aos cinemas com Oppenheimer, promovendo um espetáculo engrenado por um profundo estudo de personagem, que apesar de ter êxito com sua proposta, acaba sacudindo em um mar de pretensões imposto pelo diretor.

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É bem verdade que contar uma história biográfica envolvendo um evento do tamanho da criação da bomba atômica, exige sim um certo nível de dramaticidade. No entanto, Nolan extrapola na dose da pretensão, a ponto de ofuscar o excelente trabalho de Cillian Murphy em alguns momentos.

A maior vítima dessa iniciativa não é o ator, mas sim o primeiro ato, que é uma verdadeira prova de resistência para o público, que é obrigado a assistir a uma história de origem de Robert Oppenheimer sendo narrada tal qual a de um super-herói sombrio.

Passada a primeira hora maçante, Oppenheimer acha seu ritmo e consegue chamar atenção para o drama exibido em tela.

Quando parte para Los Alamos, Nolan nomeia Ludwig Göransson como seu maestro, e entrega em tela uma verdadeira ópera atômica, capaz de deixar o público inclinado na poltrona com as notas apreensivas da trilha sonora e, com o espetáculo visual da fotografia deslumbrante assinada por Hoyte Van Hoytema.

Reprodução/Universal Pictures

Os efeitos práticos impressionam e funcionam lindamente, de forma que não existem dúvidas de que Oppenheimer já é um grande favorito ao Oscar de efeitos visuais, mesmo que a premiação ainda esteja a meses de acontecer.

Apesar de som e imagem serem protagonistas, os diálogos também têm o seu destaque, afinal, a narrativa do filme é totalmente apoiada neles. Neste quesito, Nolan fez um trabalho competente, mesmo que enviesado pela biografia de Robert Oppenheimer assinada por Kai Bird e Martin J. Sherwin.

Se os diálogos são destaques, parte do mérito está nos trabalhos de Cillian Murphy, Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr. e Alden Ehrenreich, que estão brilhantes e imersos na proposta filosófica e densamente política da narrativa.

Quanto ao elenco secundário, na maior parte das vezes funciona de maneira muito interessante, e vale o destaque para Ben Safdie e Rami Malek, que participam de alguns dos momentos mais importantes e tensos da narrativa.

Cientistas de Oppenheimer
Reprodução/Universal Pictures

O mesmo não pode ser dito de Florence Pugh, que manda muito bem em sua atuação, mas é extremamente subutilizada pelo Nolan, que comete o pecado de desenvolver a personagem da atriz como um simples “objeto”.

No mais, Oppenheimer é um filme que repete os vícios narrativos e a personalidade criativa de seu diretor, de forma que é errôneo dizer que seja o mais diferente feito por ele. Pode ser o mais lento, ou que menos tem ação, mas ainda assim, é claramente algo com sua assinatura.

Nolan geralmente é o cineasta que faz filmes para adolescentes se acharem muito inteligentes. Não é diferente com este aqui, aliás, é possível dizer que estamos diante do que mais tem êxito nessa proposta.

Reprodução/Universal Pictures

Em síntese, dizer que Oppenheimer é um dos melhores filmes de Christopher Nolan seria forçar uma barra. Dá para se discutir, inclusive, que tem sido bastante superestimado pelas reações preliminares. Mas, de fato, estamos falando de mais um ótimo trabalho de um grande diretor, que com certeza vale a pena ser assistido na maior tela possível.

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Nota 8


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