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A nau de James Wan partiu para o vasto oceano de Aquaman 2: O Reino Perdido (2023) sem um norte firmado e, acabou descobrindo no meio da jornada que o destino fatal do naufrágio a aguardava. Mesmo assim, a embarcação continuou bravamente sua viagem sem rumo até o dia do fim chegar, com o DCEU acabando da forma como começou, medíocre.

Em sua mais problemática produção da carreira, o diretor até tenta imprimir alguma personalidade com os visuais deslumbrantes e as boas cenas de ação, mas o vazio provocado pela história fundamentada no que parece ser um simples pitch de roteiro, grita tanto que é escandaloso.

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Reprodução/Warner Bros. Discovery

Aquaman 2 (2023) tenta ser uma história sobre família, especificamente sobre dois irmãos, cuja dinâmica funciona em algum nível, mas não se sustenta por falta de profundidade.

Irônico, não? Justo um filme que se passa em sua maior parte sob o oceano, abdica impetuosamente de qualquer profundidade.

O raso da história é um reflexo nítido da fata de desenvolvimento dos personagens, que entram e saem de tela sem nada relevante para contar.

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Reprodução/Warner Bros. Discovery

O que dizer do Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II)? Um vilão tão interessante dos quadrinhos, reduzido a um boneco que diz “eu vou matar o Aquaman, destruir a família dele e vingar meu pai“, toda vez que você aperta sua barriga.

É constrangedor o esforço que o elenco faz para entregar alguma coisa para o filme. Alguns deles até conseguem algo melhor, como Patrick Wilson e até mesmo o Jason Momoa, que apesar de nunca ter tido absolutamente nada a ver com o Aquaman, tem seu carisma no papel.

É muito claro que a falta de um farol, de um norte, fez toda a equipe de vítima nesse naufrágio. Aquaman 2 (2023) parece ter sido montado a partir de um amontoado de cenas filmadas aleatoriamente, sem que nenhuma unidade tenha sido planejada previamente.

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Reprodução/Warner Bros. Discovery

A falta de unidade da produção é tamanha que não é difícil perceber as cenas que foram reduzidas, as que mudaram de lugar e as que foram refilmadas. E aqui vai um reconhecimento ao montador deste filme, pois encontrar uma forma de fazer essa história ficar minimamente dinâmica deve ter dado um trabalho infernal!

Apesar de ter um pouco da personalidade do James Wan, Aquaman 2 (2023) se força a tentar replicar a todo custo coisas que já deram certo no passado, numa tentativa desesperada de gerar um grande sucesso comercial a partir de um grande vácuo de ideias. Repare que estou buscando um termo mais enfeitado para dizer que o filme se baseia superficialmente em clichês.

O que aparece em tela, é o resultado sombrio de uma ambição puramente capitalista de replicar o sucesso da Marvel, originada de um sentimento de inveja e ódio que fez centenas de profissionais incríveis da indústria como vítimas.

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Reprodução/Warner Bros. Discovery

Filmes não podem ser planejados apenas como grandes espetáculos para agitar torcidas nos cinemas. Fazer disso uma estratégia, tudo bem, mas você ainda tem que contar uma boa história através de bons personagens.

Se tudo o que importa é o evento, passaremos o resto da vida assistindo filmes como Aquaman 2: O Reino Perdido (2023), grandes espetáculos sobre nada.

No fim, o universo que começou fundamentado no ódio pela figura luminosa do Superman, terminou sem norte por ter coberto seu farol com cinzas.

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Nota 2


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