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Já em exibição nos cinemas, F1: O Filme (2025) termina com Sonny Hayes (Brad Pitt) tomando uma decisão incomum. Se você teve alguma dificuldade para entender, este artigo explica o final. Mas, atenção! O conteúdo a seguir possui spoilers.
Como Sonny Hayes volta à Fórmula 1 aos 60 anos?

Fórmula 1 é um esporte muito caro. Tanto quanto ganhar as corridas, as equipes precisam pontuar. Marcar pontos é fazer dinheiro e a APX GP está no vermelho por nunca ter marcado um ponto sequer.
Nesse esporte, ter o melhor piloto talvez nem sirva para você pontuar. O carro faz muita diferença! A harmonia do time faz muita diferença! A tecnologia atual deixa a dependência da máquina ainda maior do que foi antes. Hoje, é quase impossível alguém repetir o que Ayrton Senna fez quando subiu ao pódio em Mônaco correndo pela fraca Toleman.
Apesar de conter muitos profissionais competentes, a equipe da APX GP é desarmoniosa e isso faz dela disfuncional. Seu carro é o pior do grid. Ruben Cervantes (Javier Bardem), dono da escuderia, ainda enfrenta dois grandes dramas: a APX GP precisa vencer uma das últimas 9 corridas da temporada para ele não perder o controle acionário sobre a empresa, e seu piloto mais experiente se demitiu diante da missão de fazer o impossível com um carro ruim.
Com a corda no pescoço, Ruben investe pesado em um pacote de atualização para melhorar o carro e vai atrás de um velho amigo, Sonny Hayes, para ocupar esse assento disponível na equipe.
Ruben e Sonny, vale ressaltar, correram no mesmo time nos anos 90. O dono da APX GP vê no antigo companheiro um amor contagiante pelo automobilismo. O que Ruben espera não é necessariamente que Sonny vença a corrida que pode tirar seu pescoço da forca, mas que sirva como uma influência positiva no time, melhorando o desempenho de todos, inclusive do novato Joshua Pearce (Damson Idris).
O mundo todo fica chocado quando Hayes se junta à APX GP, pois, além de não ser comum uma escuderia investir em um piloto de 60 anos, Hayes está fora da Fórmula 1 há mais de 30 anos! Mais tarde, descobrimos que a contratação do veterano só foi aprovada pelo conselho porque os acionistas, interessados na remoção de Ruben do quadro social, acreditavam que isso aceleraria o processo de troca de investidores. Foi uma aposta no fracasso.
Em resumo, Ruben estava desesperado e precisando de um milagre com a temporada tendo passado da metade. Sonny Hayes volta à Fórmula 1 porque Ruben segue seus instintos de sobrevivência.
Por que Sonny Hayes não continua na APX GP?

Os instintos de Ruben estavam certos: Sonny Hayes transforma totalmente a APX GP, convertendo o que era uma equipe turbulenta em uma grande família. O empresário é salvo quando o personagem de Brad Pitt vence a última corrida da temporada.
Hayes, no entanto, não se interessa em continuar na Fórmula 1. Ele sequer aceita o troféu do Grande Prêmio de Abu Dhabi, e se despede da APX GP ali mesmo.
Aliás, Hayes recusar troféus é algo já apresentado no começo do filme. É importante entender a motivação do personagem de Brad Pitt. O que Sonny almeja não é simplesmente voltar a ter dias de glória, tampouco conseguir redenção por ter sido excluído da Fórmula 1 nos anos 90. Ele busca a experiência de um momento transcendental.
Em qualquer esporte, especialmente no automobilismo, há um nível de foco que o atleta pode atingir, onde o silêncio domina e tudo que é externo deixa de importar. Ayrton Senna teve essa experiência em Mônaco, em 1988, e descreveu como se tivesse sido “sugado por um túnel“. O brasileiro acreditava ser uma experiência religiosa, mas é uma condição psicológica alcançada apenas quando o atleta entra em uma zona de foco extremo.
Depois de seu acidente nos anos 90, Sonny deixou de correr e virou um apostador profissional. Anos depois, percebeu que sua maior derrota não foi ter perdido os troféus que poderia ter conquistado, mas sim ter abandonado o amor pela corrida. Ele já havia tido a experiência de foco extremo uma vez e voltou a correr todos os tipos de corrida possíveis para tentar encontrá-la novamente.
Sonny Hayes aceitou a missão da APX GP por dois grandes motivos: primeiramente, tentar alcançar a zona de foco extremo; e segundamente, para ajudar seu amigo de longa data a manter o controle sobre a escuderia.
Uma vez que os objetivos foram cumpridos, Sonny Hayes não tinha mais nada o que fazer na Fórmula 1, e foi viver seu amor por automobilismo de forma intensa, explorando outros tipos de corrida.
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