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Em meio a todas as possibilidades que a ação, a comédia e o multiverso ofereciam para a 2ª temporada de Pacificador, James Gunn tomou a corajosa decisão de focar no íntimo de Chris Smith. Esta não é uma história sobre armas, alienígenas ou explosões, mas sim sobre a essência humana, nossos medos, os erros e a chance de sermos melhores a cada novo dia.
Embora ainda mantenha a comédia como base e use a ação como solução para alguns de seus principais dilemas, o novo ano não poderia ser mais diferente do original. É como se a nova temporada fosse um adulto frustrado, enquanto a anterior era o adolescente rebelde que não ligava para nada e ainda estava se descobrindo.

Em sua fase adulta, Pacificador registra um humor inconsistente, talvez por ir fundo demais em temas dramáticos como dependência e ainda fazer as piadas adolescentes de outrora. Nem todas as anedotas funcionam no novo ano, mas, ainda assim, há momentos de comédia audiovisual bem executada, como a cena do mural supremacista do penúltimo episódio, que lembra alguns dos melhores momentos de Corra que a Polícia Vem Aí!
Onde a 2ª temporada brilha é no aspecto dramático. Saímos do primeiro ano profundamente ligados aos personagens, e na esperança de que tudo estivesse bem após terem salvado o mundo de uma invasão alienígena. No entanto, a realidade se prova muito mais complexa. Todos têm seus próprios demônios para enfrentar, e nenhum deles será derrotado do dia para noite.
O ápice da season finale ser uma conversa entre amigos — sobre como todos são falhos, mas ainda assim podem tentar acertar — é algo inesperado para esse tipo de produção. No entanto, a cena funciona perfeitamente por tudo o que você, como público, viveu ao lado daquela equipe.

Toda essa carga dramática, obviamente, não teria o mesmo impacto sem o trabalho magnífico do elenco. Jennifer Holland demonstra uma grande amplitude como atriz, transitando com excelência entre a ação e o drama. A forma como ela evita encarar John Cena para esconder seus sentimentos é um detalhe sutil, mas incrivelmente tocante.
John Cena, por sua vez, entrega o melhor trabalho de toda sua carreira e, definitivamente, sobe de patamar como ator. Ele já havia se destacado muito bem na 1ª temporada, o que lhe garantiu diversos papéis de ação. Agora, Hollywood deve enxergar de uma vez que há mais do que músculos de um brutamontes no astro: ele é um ator completo, que transita da comédia ao drama com uma naturalidade impressionante.

Sem abrir mão da diversão, a 2ª temporada de Pacificador é o reflexo de um James Gunn artisticamente mais maduro. Trata-se de um drama humano que rompe com rótulos e, essencialmente, celebra a forma como as pessoas, mesmo imperfeitas, podem se mover em direção ao caminho certo pelo simples desejo de serem melhores.
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