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Ela chegou! A quinta edição da newsletter sem título do O Vício está no ar. Na semana passada, foquei em Supergirl (2026) e, nesta edição, o assunto permanece central devido ao artigo revelado na última sexta-feira (3) sobre os bastidores conturbados do longa. Mas há muito mais, incluindo um ensaio sobre a conexão entre Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e Colateral (2004).

Esta é mais uma edição editada e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). As métricas da semana passada foram, mais uma vez, excelentes. Registramos o melhor nível de retenção de leitores em muito tempo. Vocês estão realmente lendo tudo, de cabo a rabo. Obrigado.

Ainda nesta edição: uma possível data para o novo trailer de Lanternas; a chegada da versão estendida de Backrooms aos cinemas brasileiros; Fjord liberado para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Internacional; o faroeste de Wes Anderson; uma crônica sobre Brasil x Noruega na Copa do Mundo; e, para fechar, uma lista provisória com as 10 melhores séries do ano até agora. Aproveite a leitura!

Diretor do DCU não procedeu, a tesoura comeu…

Reprodução

Saiu um artigo bastante completo no Hollywood Reporter sobre os problemas de pós-produção de Supergirl (2026), e a repercussão tem gerado muita confusão. É preciso entender um ponto básico mencionado no texto: tanto James Gunn quanto o diretor Craig Gillespie concordavam que o filme não estava funcionando. A divergência surgiu justamente na forma de resolver o problema, tentativa que, no fim das contas, não obteve êxito.

Se você leu a minha crítica sobre o longa, certamente se lembra de eu ter destacado que o maior problema estava em como quase todas as cenas são filmadas de forma sem graça. Talvez a ingenuidade de Gunn, neste caso, tenha sido acreditar que conseguiria salvar a obra na montagem, sendo que a falha estava na origem, na própria captura da imagem. Em situações assim, se o plano é realmente salvar uma produção moribunda, a única alternativa viável é a refilmagem.

O caso de Supergirl lembra bastante o de Bailarina (2025). Len Wiseman entregou um filme completamente sem brilho para a Lionsgate, e Chad Stahelski precisou ser contratado para refilmar praticamente todas as sequências de ação. Tecnicamente, funcionou, já que o derivado de John Wick com Ana de Armas é, de fato, bom. No entanto, o filme foi um fracasso do mesmo jeito. É provável que esse receio tenha passado pela cabeça dos executivos da DC Studios: E se refilmarmos e, ainda assim, o filme fracassar?

James Gunn prometeu liberdade aos cineastas da DC Studios, mas sempre deixou claro que, caso algo não estivesse funcionando, ele seria honesto e interviria. Foi o que aconteceu em Supergirl. O erro dele — assim como o problema do filme — estava na origem. A contratação do diretor foi equivocada. Craig Gillespie provou não ser o nome certo para o trabalho, apesar do entusiasmo inicial de muitos fãs, inclusive o meu, dado o currículo interessante que ele possui.

Enfim, passou. Talvez agora faça sentido o fato de Gunn considerar Greg Mottola para dirigir o filme de Bane/Exterminador/Xeque-Mate/Planeta da Salvação, já que é um profissional que entregou bons resultados trabalhando com ele na 2ª temporada de Pacificador.

E gente, vocês são inteligentes — eu sempre aposto na perspicácia de vocês. Pelo amor de tudo que é mais sagrado, não venham com essa história de “Craig Cut“. Não há motivos para acreditar que onze minutos adicionais de cenas filmadas sem qualquer inspiração por Craig Gillespie salvariam Supergirl de ser um filme modorrento. A versão do diretor, inclusive, teve notas piores nas exibições-teste.

Tela Brasil rompendo fronteiras

O streaming gratuito Tela Brasil
Reprodução/Governo Federal

Streaming gratuito do governo brasileiro, o Tela Brasil agora está disponível na palma de sua mão. Você já pode usar as versões para iOS e Android. Aproveite.

Backrooms: O Retorno

Reprodução/A24

A versão estendida de Backrooms: Um Não-Lugar (2026) já estão em exibição nos EUA. Ela conta com 16 minutos de cenas inéditas.

Você não achou que o Brasil ia ficar de fora dessa festa, não é? Pois bem, o novo corte do terror chega às nossas telonas em 23 de julho. Você vai assistir novamente?

Mais cenas de Lanternas

Kyle Chandler como Hal Jordan em Lanternas
Reprodução/HBO e DC Studios

A San Diego Comic-Con está chegando, a 3ª temporada de A Casa do Dragão está pegando fogo, e a HBO, em parceria com a DC Studios, já está pronta para intensificar a divulgação de Lanternas. Inclusive, um trailer está sendo preparado para ser exibido durante a segunda metade da temporada do derivado de Game of Thrones.

É difícil cravar uma data exata. Talvez o lançamento ocorra em um painel na SDCC, ou quem sabe um pouco antes. O que as “vozes dos bastidores” indicam é que, no dia 17, teremos essa prévia em nossas telas. Veremos…

Fato é que falta pouco mais de um mês para a estreia de Lanternas na HBO e HBO Max, e por aqui estamos todos ansiosos para iniciar a cobertura. As métricas dos artigos sobre a série só perdem para as de Batman. É uma pauta prioritária, e é por isso que vocês sempre encontram novidades sobre a produção por aqui.

Por falar em HBO Max… Não posso entrar em muitos detalhes, mas estamos preparando uma cobertura muito especial para Stuart Não Consegue Salvar O Universo. Alguns dos nossos leitores estão subestimando, mas essa série está com indícios de que vai viralizar.

Revanche com os noruegueses

Reprodução

Em janeiro, a equipe de O Agente Secreto (2025) respondia a perguntas sobre como as premiações de cinema estavam, timidamente, tomando o lugar do futebol na paixão dos brasileiros, especialmente agora que a Seleção Brasileira atravessa um período de entressafra. Vencemos os noruegueses do ótimo Valor Sentimental (2025) no Globo de Ouro, mas acabamos perdendo no Oscar. Agora, teremos uma revanche contra a Noruega, mas não nos palcos das premiações.

Ao entrar em campo neste domingo (4), às 18h (horário de Brasília), o Brasil jogará por milhões de brasileiros — incluindo Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho e toda a equipe de O Agente Secreto. Vale a vingança! P.S.: Eu sei que tratar cinema como disputa é “papo de Michele”, mas vamos nos divertir um pouco também. É Copa do Mundo.

Afinal, a gente já brinca de barco viking na Bahia há muito tempo.

Mas não é só pelo cinema que o Brasil tem contas a acertar com a Noruega. Eles se orgulham de nunca terem perdido para nós, mas a verdade é que enfrentaram a Seleção Brasileira apenas cinco vezes. Tivemos dois empates e três derrotas, sendo que o último confronto terminou em 1 a 1, há 20 anos. Está na hora de quebrar esse tabu.

Western Anderson

Wes Anderson no set de um de seus filmes
Reprodução

Wes Anderson está fazendo filme de novo. Embora seus últimos trabalhos não tenham sido unanimidade entre a crítica, o diretor mantém a fidelidade à sua visão criativa, ignorando as pressões externas. Agora, ele se prepara para explorar o velho oeste.

Ainda sem título oficial, o que chamo carinhosamente de “Projeto Western Anderson” contará com os irmãos Owen e Luke Wilson. Eles reeditarão com o cineasta a parceria iniciada em Pura Adrenalina (1996), Três é Demais (1998) e Os Excêntricos Tenenbaums (2001). Bill Murray, como não poderia deixar de ser, também está confirmado no elenco.

No entanto, este faroeste não deve ser o próximo lançamento de Anderson. Antes, ele produzirá um longa escrito em parceria com Roman Coppola e Richard Ayoade, cujas filmagens estão previstas para o ano que vem, na Europa.

O método vs o Caos: O que é liberdade?

Por que James Gunn não conseguiu salvar Supergirl (+ o que Batman, Nolan, Platão e Michael Mann têm em comum)
Reprodução

Se você me segue no Instagram, talvez tenha visto uma série de postagens que fiz sobre como Christopher Nolan bebeu de Fogo Contra Fogo (1995) para construir a estética e a abordagem de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008). Eu defendia que era praticamente a mesma história, com o Batman sendo uma mistura de Neil McCauley e Vincent Hanna, inserido em um embate entre o método e o caos.

Revirando as minhas velharias no Letterboxd, reli as palavras apaixonadas que escrevi sobre Colateral (2004) — que talvez seja o meu filme favorito de Michael Mann — e finalmente percebi o óbvio: Colateral é tão inspiração para O Cavaleiro das Trevas quanto Fogo Contra Fogo. Ambos são filmes existenciais sobre o livre-arbítrio, mas a diferença na abordagem está no propósito da discussão.

Colateral é uma jornada niilista de um taxista comprometido com o “sonho americano”, confrontado com a iminência da morte ao ser forçado a prestar serviços para um assassino de aluguel metódico. Este é o último grande papel de Tom Cruise como vilão, e ele está incrível. O ponto alto do filme ocorre quando a ficha do personagem de Jamie Foxx cai, no momento em que ele já não tem mais nada a perder. É quando ele entende que não existem propósitos, verdades absolutas ou valores morais objetivos na vida. É o momento em que ele perde tudo, mas ganha o mundo. Com as mãos no volante, diante de um assassino que se acredita acima do sistema — mas que não passa de um operário cego, preso aos próprios métodos —, o taxista percebe que tem a vida nas próprias mãos. Ele é o senhor do seu destino, e é o assassino quem está preso ali com ele. Quando o taxista capota o carro, ele alcança a liberdade literal e figurativamente. Ele sai da Caverna de Platão. “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, diz João 8:32.

No final, inclusive, Jamie Foxx só vence Tom Cruise na sequência do metrô porque é completamente imprevisível. No contexto do filme (deixando claro que nada disso é necessariamente minha opinião pessoal sobre o conceito de liberdade), o caos é a única verdade, e é por isso que o assassino perde. Ele pensa ser capaz de fabricar fatos, mas não é. O todo reside no caos.

Em O Cavaleiro das Trevas, o caos também é a única verdade, e esse é o ponto central do arco do Coringa. Ao transformar Harvey Dent no Duas-Caras, o vilão prova sua tese de que a ordem é frágil e que basta “um dia ruim” para que qualquer homem de método, lei e virtude sucumba ao caos. Essa é a grande derrota do Batman naquela história.

Para o Batman de Nolan, o método é uma forma de reprimir o próprio caos interno. O diretor sugere que o herói é, em si, um ato de vontade que tenta impor uma estrutura ordenada em um mundo que não a possui. O Bat-sinal e a regra de “não matar” são as âncoras que impedem o vigilante de se tornar exatamente aquilo que ele combate.

No desfecho, ao escolher mentir para os cidadãos de Gotham para que eles não percebam a vitória do Coringa, Nolan segue o preceito de Colateral em um ensaio pragmático e sombrio sobre como a ordem social depende de mentiras para ficar de pé. Ao assumir a culpa pelos crimes de Harvey, o Batman sacrifica o próprio método para preservar a esperança do povo, mantendo a ordem que o Coringa provou ser uma farsa. Em outras palavras, o Cavaleiro das Trevas mantém as pessoas presas na Caverna de Platão.

Eu não sou um grande fã da abordagem de Nolan para o Batman como um “vigilante”. O Homem-Morcego é um detetive de bom coração que atua como um herói tradicional inspirando esperança em Gotham — não como o Superman em Metrópolis, mas de uma forma que faça os cidadãos amargurados entenderem que ainda vale a pena lutar por um amanhã melhor. No entanto, preciso admitir, essa discussão existencial trabalhada em O Cavaleiro das Trevas é o aço! Se você para para pensar, é impossível não se aprofundar e criar ramificações filosóficas sobre a vida, a religião e a ordem mundial.

I can tell you why… People go insane! I can show you how… you could do the same!“. Repare como esse trecho de “Shadow On The Sun“, do Audioslave, resume perfeitamente a trama do filme.

Enfim, para O Cavaleiro das Trevas ter se tornado o filmaço que é, Colateral precisou vir antes com os dois pés no peito. Portanto, separe um horário bem agradável no seu fim de semana para assistir a essa obra-prima de Michael Mann. Mas esteja preparado, pois você não será o mesmo quando terminar.

Pode passar, Sebastian Stan

Festival de Cannes 2026: Conheça os filmes da mostra competitiva
Reprodução/Neon

Vencedor da Palma de Ouro deste ano, Fjord enfrentou um certo drama nos bastidores da corrida pelo Oscar 2027. Por apresentar diálogos em inglês, romeno, norueguês e sueco, surgiu um debate sobre a elegibilidade do longa na categoria de Melhor Filme Internacional. A conclusão, no entanto, foi positiva. Como mais de 50% dos diálogos são em línguas não inglesas, o filme cumpre as exigências da Academia e está liberado para concorrer.

Fjord segue a estratégia que os principais concorrentes a Melhor Filme Internacional têm adotado nos últimos anos. Trazer astros de Hollywood para seus países de origem — ou simplesmente importá-los — para conquistar a simpatia da Academia. No ano passado, Wagner Moura, Udo Kier e Maria Fernanda Cândido foram os porta-bandeiras de O Agente Secreto, enquanto Stellan Skarsgård, Elle Fanning, Inga Ibsdotter Lilleaas e Renate Reinsve fizeram o mesmo trabalho em Valor Sentimental. O atual vencedor da Palma de Ouro também conta com Reinsve, mas foi ainda mais apelão, pois trouxe o superastro da Marvel (e futuro vilão do Batman na DC) Sebastian Stan de volta às suas origens, na Romênia.

Vale ressaltar que as regras para a categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar mudaram. Agora, um longa torna-se elegível à indicação automaticamente ao vencer um dos principais festivais de cinema do mundo. Ou seja, o vencedor de Cannes ou Veneza não precisa mais ser escolhido pelo comitê de representação de um país.

Dirigido por Cristian Mungiu, Fjord segue um casal conservador romeno-norueguês cujas vidas desmoronam após se mudarem para a progressista e remota cidade natal da esposa, onde passam a ser vigiados pelas autoridades locais em relação aos seus filhos. A história se baseia no caso real da família Bodnariu, cujos filhos foram retirados à força pelos serviços de proteção à infância da Noruega.

A Neon vai lançar Fjord nos cinemas norte-americanos em 9 de outubro. A Diamond Films garantiu os direitos de distribuição no Brasil, mas ainda não confirmou uma data de estreia.

Top-10 séries de 2026 (até agora)

Pela Metade na HBO Max: A endoscopia da masculinidade por Richard Gadd que desafia o público
Reprodução/HBO Max

O primeiro semestre já foi. Publiquei um artigo dedicado aos 10 melhores filmes do ano até agora e, nesta newsletter, separei as séries. As justificativas não são longas. Se houver interesse, farei um artigo isolado, apresentando cada produção com calma (digam nos comentários se querem ler). Por enquanto, fiquem com esta lista e breves resenhas:

  1. O Segredo de Widow’s Bay – Apple TV
    • Um prato cheio para quem ama terror. A série sabe construir suspense com maestria e mistura humor e horror de forma muito fluida. Fui pego de surpresa. Foi a melhor experiência que tive com uma série este ano.
  2. Pela Metade – HBO Max
    • Um estudo bizarro e incômodo sobre a masculinidade, que faz você se sentir pior a cada minuto só de testemunhar a trama demoníaca de dois homens consumidos pela repressão de seus sentimentos. É macabro, é doentio. Eu adorei.
  3. O Urso (5ª temporada) – Disney+
    • A montagem frenética e a precisão técnica da direção continuam a definir o padrão ouro de como representar a exaustão e o brilhantismo artístico na TV. Além disso, o final é realmente emocionante. Vale a pena.
  4. Cangaço Novo (2ª temporada) – Prime Video
    • A série elevou a estética do Nordestern a uma escala épica, consolidando sua identidade regional com excelência.
  5. Hacks (5ª temporada) – HBO Max
    • O texto afiado e a dinâmica entre as protagonistas seguem sendo um exemplo de como evoluir uma série sem perder a essência cômica e dramática que a tornou um sucesso. O final é natural e emocionante.
  6. Margô Está em Apuros – Apple TV
    • Uma narrativa que equilibra o drama humano com reviravoltas bem executadas, provando ser uma das surpresas mais bem dirigidas deste semestre.
  7. Industry (4ª temporada) – HBO
    • A crueza das negociações financeiras espelhada na ganância humana entrega uma tensão que poucos dramas corporativos conseguem sustentar com tanto estilo.
  8. Star Wars: Maul – Lorde das Sombras – Disney+
    • Fogo Contra Fogo com Wagner Moura, Sith e Jedi. Quer mais que isso como justificativa?
  9. O Cavaleiro dos Sete Reinos – HBO
    • Westeros doce e bem executada. Isso daqui ficou bom demais.
  10. A Isca – Prime Video
    • Quem vai ser o novo James Bond? A série levanta essa pergunta em meio a uma sátira ácida e divertia sobre a indústria do entretenimento.

Você assistiu a alguma dessas? Não deixe de comentar o que achou e se concorda com as inclusões na lista. Monte a sua própria também!

Destaques rápidos da semana

Fogo Contra Fogo 2: Leonardo DiCaprio e Christian Bale são oficializados como protagonistas
Reprodução

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