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Com o vício de tratar São Paulo como a capital do entretenimento apenas pelo papel corporativo que a cidade exerce sobre o Brasil, grandes marcas e estúdios parecem desconhecer o tamanho do nosso país, assim como o seu poder de compra. É verdade que o Brasil não está entre os mais ricos, mas há consumo por toda a sua extensão, e o Imagineland On The Road, que aconteceu no último fim de semana em Campina Grande, é a prova disso.
Quando a nova edição foi anunciada, surgiram questionamentos sobre como o evento se sairia fora de João Pessoa, cidade onde já havia estabelecido um padrão logístico. Basicamente, seria recomeçar quase do zero, em um Centro de Convenções recém-inaugurado, sem a certeza de que o público iria abraçar o formato.
No fim das contas, deu muito certo. Nas tardes dos dias 25 e 26 de outubro, foi muito complicado andar pelo pavilhão principal, dada a vasta quantidade de pessoas que compareceram.
Campina Grande é um importante polo econômico do interior da Paraíba, de acesso mais fácil para muitas cidades do que João Pessoa. Foi notável a quantidade de pessoas que vieram de outras cidades. O Imagineland, além de movimentar a população local, gerou receitas consideráveis com turismo — o prédio onde fiquei hospedado, por exemplo, esteve quase inteiramente ocupado por pessoas de fora da cidade que compareceram ao evento.

Para uma parcela desse público, no entanto, foi notável a frustração com o que foi entregue. O On The Road teve não só problemas comuns para uma edição de estreia — como a escassez de atrações em proporção ao público —, mas também dramas de organização.
No primeiro dia, filas gigantes se formaram nos guichês, com pessoas passando mal sob o sol, e não havia uma separação adequada entre os locais de compra e de retirada da credencial. Do lado de dentro, a situação foi menos dramática, mas as filas para as atrações também estavam muito grandes.
A sensação é de que o potencial de sucesso do Imagineland On The Road foi subestimado, em grande parte pelas marcas que sentiram-se inseguras em investir e expor no projeto diante da mudança de cidade, e em certa medida, até mesmo pela organização.
Em escopo, a edição On The Road do Imagineland foi bem menor que a realizada em João Pessoa no ano passado; entretanto, arrisco a dizer que tenha sido mais bem-sucedida.

O evento foi um sucesso, ponto. Houve problemas comuns ao contexto de realização de algo desse tamanho pela primeira vez em uma nova cidade, mas o que se viu nos dois dias foi um grande interesse da população em participar. As marcas que o subestimaram perderam uma grande oportunidade.
O Imagineland tem mais uma edição confirmada na Paraíba para 2026. A cidade ainda será anunciada. Fato é que o grande sucesso — muito provavelmente — inesperado da edição de Campina Grande coloca uma dúvida boa na cabeça dos organizadores, pois agora o evento está bem estabelecido nas duas principais cidades da Paraíba.

A realização e o impacto de eventos dessa magnitude na Paraíba são a prova cabal de que o mercado muitas vezes subestima o potencial do nosso país. O Brasil é muito grande e seu poder de consumo se estende muito além de São Paulo.
Atenção: Este texto é baseado inteiramente na opinião de seu autor e não necessariamente reflete a opinião do site.






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