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O Batman é um personagem marcado por grandes tragédias nos quadrinhos, e, neste artigo, separo as 5 que mais mexeram com o status quo do herói. Confira:

O assassinato dos pais

As 5 maiores tragédias da vida do Batman
Reprodução/DC Comics

O assassinato dos Wayne é o catalisador da jornada de Bruce como Batman. Foi ao testemunhar seus pais sendo brutalmente assassinados em um beco escuro de Gotham, ainda criança, que o jovem perdeu sua inocência, tornando-se por muito tempo um ser consumido pela vingança.

Há versões dessa história que dão nome ao algoz, mas confesso que prefiro as que preservam essa lacuna. Essa incógnita adiciona um tom dramático ainda mais forte à tragédia. Quem matou os pais de Bruce? Gotham. E é sobre essa cidade que o Homem-Morcego precisa, incessantemente, fazer algo.

A morte de Jason Todd

Quando o Coringa tirou a vida de Jason Todd o espancando com um pé de cabra, Bruce Wayne teve o seu primeiro grande fracasso como pai.

Ao contrário do que aconteceu quando seus pais morreram, ele não era mais uma criança indefesa, mas um adulto diretamente responsável pelo bem estar de seu filho adotivo. Por mais que Jason tenha voltado dos mortos, essa foi uma falha que o Homem-Morcego nunca superou totalmente.

A paralisia de Barbara Gordon

A Piada Mortal coloca Batman em sua perseguição de gato e rato com o Coringa no seu ponto mais intenso, expondo a terrível consequência da sua falta de ação definitiva contra o vilão.

O Batman se recusa a matar, mas o Coringa tenta incessantemente empurrar os limites do herói para fazê-lo quebrar seu código moral.

Com o intuito de provar que todos dispensam seus códigos em um dia ruim, o Coringa invadiu a casa de Barbara Gordon (a Batgirl), a violentou e atirou em sua cintura, resultando na paralisia de suas pernas.

Barbara superou o evento traumático e continuou a ajudar o Batman sob a identidade de Oráculo. O Homem-Morcego, no entanto, demorou a superar a humilhação de ver sua obstinação em não matar explorada pelo Coringa de forma tão pessoal e estratégica, com o intuito de quebrar James Gordon, seu maior aliado.

A morte de Alfred Pennyworth

Chegando às tragédias mais recentes, o assassinato de Alfred Pennyworth pelas mãos de Bane é uma perda que definitivamente machuca o Batman até hoje. Para o herói, perder o mordomo foi o equivalente a perder os pais pela segunda vez, mas agora, como um adulto que falhou em proteger o último elo com a sua humanidade.

O assassinato ocorreu durante o arco Cidade do Bane, onde o vilão havia tomado o controle total de Gotham, isolando a cidade e proibindo Batman de pisar nela sob pena de consequências mortais.

Bane havia estabelecido a Batcaverna como sua base de operações, mantendo Alfred como refém no local.

Damian Wayne, o Robin da época, desobedeceu as ordens de isolamento e tentou se infiltrar em Gotham para confrontar Bane. O vilão, ao descobrir a insubordinação, usou Alfred como castigo: quebrou o pescoço do mordomo diante dos olhos de Damian.

No entanto, o assassinato de Alfred serviu ao propósito maior de Bane: atrair o Batman de volta a Gotham para, finalmente, tentar quebrar o herói de forma definitiva, anos após os eventos de A Queda do Morcego.

Sem Alfred, Bruce perdeu seu mentor, sua bússola moral e seu confidente. Agora, o Batman está inteiramente por conta própria — embora, de alguma forma ainda não explicada, o herói esteja se comunicando com uma versão imaterial do mordomo em sua fase atual dos quadrinhos.

O afastamento de Damian Wayne

O Batman teve um filho biológico com uma de suas inimigas mais mortais, mas só descobriu a existência do jovem quando ele já era um pré-adolescente. A grande contradição: Damian Wayne foi treinado desde cedo para ser um assassino letal, enquanto Bruce Wayne é um herói cujo código moral inabalável é o “não matar“.

Damian testa a responsabilidade de Bruce como pai de uma forma que nenhum dos filhos adotivos do Batman o fez. O choque entre as criações, somado à teimosia que ambos compartilham, provoca constantes crises que culminam no afastamento entre eles. Ver Damian se distanciar é, portanto, uma das dores mais complexas para Bruce.

O afastamento mais dramático entre Bruce e Damian, sem dúvida, ocorreu após o assassinato de Alfred. Bruce havia dado uma ordem direta a Damian para que não voltasse a Gotham enquanto Bane estivesse no controle da cidade. Ao testemunhar a execução de Alfred, o jovem se sentiu esmagado pela culpa de ter desobedecido o pai. Como resultado, ele abandonou o manto de Robin e partiu para o autoexílio.

Damian e Bruce passaram anos em grande afastamento. Atualmente, no título Batman & Robin, eles estão se reconciliando, com Bruce exercendo seu papel de mentor de forma mais equilibrada, respeitando a autonomia e a evolução de Damian como um herói solo.

Mesmo com a reconciliação, o tempo que Bruce e Damian passaram separados — seja antes de o conhecer, seja após o trauma do afastamento — é uma das grandes tragédias na vida do Batman. O paralelo é doloroso: Bruce cresceu sem o pai porque Gotham o tirou dele, e Damian, de certa forma, passou pelo mesmo, em decorrência das falhas paternas de Bruce.

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