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Quase vinte anos depois da sua morte, Michael Jackson enfim teve a sua cinebiografia produzida em Hollywood. Sob comando criativo de Antoine Fuqua, conhecido por trabalhos em Dia de Treinamento e O Protetor, acaba seguindo por um caminho parecido às várias outras cinebiografias musicais, especialmente Bohemian Rhapsody, do Queen. Mas, não significa que seja algo negativo, ou pelo menos, em parte.

Devo confessar que sou um grande fã do Michael, e vê-lo enfim recebendo esse tipo de tratamento na tela grande me deixa realmente muito feliz, mesmo com alguns percalços que vamos abordar daqui a pouco.

Nele, acompanhamos a jornada do lendário artista desde a origem como integrante dos Jackson Five até seu maior momento de glória no período solo de Thriller e início da fase Bad.

Just Beat It!

Cinebiografia do Michael
Reprodução/Lionsgate

Bem, vamos começar pelas boas notícias? O filme, justificando seu orçamento estimado em US$ 200 milhões (após refilmagens extensas), realmente entrega um grande espetáculo técnico, que podemos incluir canções icônicas, apresentações ao vivo recriadas em detalhes, maquiagem… Posso garantir que toda a equipe criativa buscou a perfeição nesses quesitos.

Como destaque, posso mencionar a icônica apresentação de Billie Jean na Motown, onde Michael apresentou ao mundo a sua versão do Moonwalk. Mas, outros momentos não deixam de ser marcantes, incluindo os bastidores de Beat It e Thriller.

Mas, obviamente, nada disso seria possível sem uma performance simplesmente estelar de Jafaar Jackson, sobrinho de Michael. O jovem, um ator de primeira viagem, realmente entregou tudo aquilo que se esperava, e certamente deixaria seu tio muito orgulhoso. E sim, vai muito além do visual.

Os movimentos precisos, a atitude destemida, a bondade, a ingenuidade… tudo capturado em uma atuação que certamente será lembrada na temporada de premiações. Oscar? Não seria nenhum absurdo, especialmente depois da vitória de Rami Malek pelo trabalho como Freddie Mercury.

Colman Domingo como Joseph “Joe” Jackson, também vale a menção. O patriarca da família, que pode ser considerado a figura mais controversa na vida pessoal do filho, tem uma forte presença em cena, causando aquele típico sentimento de desconforto e revolta com decisões que impactaram Michael ao longo da vida adulta.

Confesso que a minha maior surpresa foi a participação limitada de Miles Teller como John Branca, empresário do artista que substituiu Joe e que, posteriormente, se tornou presidente da The Michael Jackson Company, sendo uma peça importante para a realização do longa-metragem.

Colman Domingo como Joe Jackson em Michael
Reprodução: Lionsgate e Universal

They Don’t Care About Us?

Infelizmente, nem tudo são rosas. O maior pecado de Fuqua, certamente influenciado por mudanças forçadas ao longo das filmagens, fica pela superficialidade de muitas situações que foram importantes na vida de Michael, transformadas em passagens rápidas e sem peso narrativo. E não estou dizendo apenas das polêmicas.

O meu maior incômodo certamente é a (falta da) batalha do cantor contra o vitiligo em um momento decisivo da carreira. Sim, entendo que a duração limitada te força a tomar decisões, mas será que não poderíamos ter 5 ou 10 minutos dedicados a isso?

Outro exemplo é a transmissão dos clipes musicais de Thriller na MTV, algo considerado histórico na época, reduzido a um telefonema em uma cena curtíssima nos escritórios da CBS.

Talvez possa não te incomodar, e seria fácil utilizar aquele velho argumento de “esse filme é feito para os fãs!” para justificar defeitos. Mas, como um fã, prefiro citar uma frase conhecida:

“Michael, eles não ligam para a gente”

Ingressos de Michael
Reprodução/Universal Pictures

Man in the Mirror

De qualquer forma, acredito sim que a recepção tão negativa seja exagerada. Sabemos que existem planos para uma sequência (com as cenas já prontas), e Michael realmente funciona como um primeiro capítulo da história completa.

O sucesso comercial é praticamente certo, com estimativas apontando para uma abertura global acima de US$ 150 milhões. Portanto, Fuqua e o roteirista John Logan precisarão fazer uma reflexão para o próximo passo: manter a abordagem de legado e celebração ou tentar equilibrar com o drama e a seriedade presentes na vida do Rei do Pop?

Até lá, apenas aproveite a viagem. Assista na maior tela que puder.

Leia mais sobre Michael:

Michael está em cartaz no Brasil.

Nota 8
Redator do O Vício. Bruno Gomes é especializado em cultura pop, com mais de 10 anos de experiência cobrindo filmes, séries e franquias de sucesso. Apaixonado por filmes de ação, acompanha todas as novidades do multiverso em tempo real.


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