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O filme da Capitã Marvel chega aos cinemas finalmente no próximo dia 7 (quinta-feira), mas poucos conhecem exatamente a trajetória de Carol Danvers nos quadrinhos, principalmente por que muito antes da Capitã Marvel existiu a Miss Marvel, e ainda antes dela… o Capitão Marvel! Vamos entender essa história?

A história do Capitão Marvel (sim, Capitão) começa em 1967 na revista Marvel Super-Heroes #12 (por Stan Lee, Gene Colan e Frank Giacoia) trazendo um dos heróis mais estranhos já vistos. O Capitão alienígena da raça Kree, Mar-Vell, vem à Terra para decidir se o planeta merece ou não ser destruído por seu povo (a Terra já havia chamado atenção dos Krees após o Quarteto Fantástico ter derrotado alguns de seus emissários). O comandante de Mar-Vell, Coronel Yon-Rogg, estava apaixonado pela namorada do herói e decide sabotar sua missão com o objetivo de matá-lo.

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Na edição seguinte, escrita por Roy Thomas, Yon-Rogg tenta matar Mar-Vell mas por engano acaba matando acidentalmente um cientista humano chamado Walter Lawson, que estava se dirigindo a seu trabalho numa base militar secreta. Mar-Vell então assumiu a identidade de Lawson e seguiu para o local, onde conheceu a chefe de segurança, uma jovem chamada Carol Danvers – que imediatamente desconfiou dele. Claro que as tentativas de assassinato de Yon-Rogg não param por aí, e ele ativa um antigo robô sentinela Kree para matar todos no local. Obviamente, Mar-Vell ativa o seu traje de batalha Kree e acaba salvando todos no local, recebendo então sua alcunha de “Capitão Marvel”, por ser considerados por todos como um herói. O primeiro ano de publicação do personagem focava exclusivamente nesse plot, com Mar-Vell espionando a Terra para os Kree, mas ainda assim protegendo o planeta.

Eventualmente, Roy Thomas e Gil Kane decidiram renovar o personagem. A atualização ocorreu em “Captain Marvel #16”, onde Mar-Vell ajudou a impedir um plano de Yon-Rogg e outros Krees elevados de derrubarem a Suprema Inteligência Kree. Yon-Rogg escapa para a Terra e Mar-Vell convence a Suprema Inteligência Kree a deixá-lo caçar o vilão. Assim, o ser dá ao herói um novo traje e os seus famosos Nega-Braceletes. No caminho para a Terra, porém, Mar-Vell fica preso na Zona Negativa.

Na edição seguinte (por Roy Thomas, Gil Kane e Dan Adkins), um novo status quo chega para o personagem, quando o jovem Rick Jones encontra os Nega-Braceletes, podendo então trocar de lugar com o Capitão Marvel na Zona Negativa quando chocava um bracelete no outro. Essa foi, na verdade, uma tentativa de Roy Thomas em aproximar o personagem do Capitão Marvel da Fawcett Comics (onde o garoto Billy  Batson gritava “Shazam!” para se transformar no herói). Assim, Rick Jones é arrastado para a Zona Negativa quando Mar-Vell vem para o mundo real, e vice-versa. Finalmente livre, o Capitão Marvel tem o seu confronto final com Yon-Rogg, que acontece em Captain Marvel #18, que acaba sendo também um importante momento na história de Carol Danvers.

Yon-Rogg descobre uma poderosa máquina Kree conhecida como Psico-Magnetron e tenta usá-la para assumir o controle do Império Kree; e Carol Danvers – que o estava investigando – é feita prisioneira pelo vilão. Mar-Vell chega para enfrentar o inimigo, e durante a batalha Carol é acertada no ombro por um tiro da arma de Yon-Rogg. Com um Mar-Vell enfurecido lutando, o Psico-Magnetron fica instável e explode, aparentemente matando Yon-Rogg no processo. Após o fim da batalha e tendo salvado Carol, o Capitão Marvel passou a ter novas aventuras, agora não mais ligado à base militar. Eventualmente, Jim Starlin entra para assumir o título, levando o personagem para aventuras cósmicas que se tornaram verdadeiros clássicos da Marvel, e trazendo um vilão que se tornaria o verdadeiro nêmesis de Mar-Vell: o Titã Louco, Thanos. Quanto a Carol Danvers, a personagem simplesmente desapareceu dos quadrinhos do herói.

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Então, eis que em 1976 os leitores são apresentados a uma nova heroína em Ms. Marvel #1, por Gerry Conway, John Buscema e Joe Sinnot. Na história, vemos que Carol Danvers largou o seu trabalho de segurança militar e voltou às suas raízes como escritora, trabalhando para J. Jonah Jameson na revista “Mulher”. A edição traz ainda a origem da super-heroína, revelando que a explosão do Psico-Magnetron liberou altas doses de radiação, que passaram por Mar-Vell, fundiram-se ao seu DNA Kree, e em seguida entraram em Carol lhe dando os mesmos poderes do Capitão Marvel. O roteirista Chris Claremont, que na época escrevia X-Men, assumiu os textos da HQ da personagem, aproveitando para introduzir novos personagens que mais tarde se tornariam importantes nos X-Men, como Rapina e Mística. A edição Ms. Marvel #23 marcou o prematuro fim da série, embora Carol tenha se juntado aos Vingadores no encerramento do quadrinho. Infelizmente, sua inclusão no grupo duraria pouco tempo, já que na infame, polêmica e controversa “Avengers #200” a personagem saiu da equipe.

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Nas edições que antecedem esta em questão, Carol misteriosamente aparece grávida. Na #200 ela dá a luz, e seu bebê rapidamente se torna um adulto. O fato é que o “bebê” na verdade é Marcus, filho do vilão Immortus, que se apaixonou por Carol enquanto estava preso na dimensão do Limbo. Acontece que Marcus, que não poderia nunca sair do Limbo, usou uma máquina para fazer Carol se apaixonar por ele, levou-a ao Limbo e implantou-se no útero da heroína, apenas para “nascer” dela na Terra e o amor dos dois ser possível. Sim. Pois é. No final da história, Carol (apaixonada por Marcus) decide ir com seu amado (que lembrando novamente, nasceu dela) para morarem felizes para sempre no Limbo. Os Vingadores por algum motivo acharam isso completamente normal e a heroína saiu da equipe.

Obviamente a história revoltou não apenas os fãs como até mesmo escritores, e em Avengers Annual #10 foi dada a Chris Claremont a oportunidade de “consertar” a situação. Claremont optou pelo caminho mais fácil e revelou que a vida do casal no Limbo foi extremamente curta com Marcus morrendo por algum motivo aleatório, fazendo com que Carol retornasse para a Terra em seguida. Mas não pense que o escritor foi bonzinho com a personagem. Em seu retorno, a Miss Marvel tem seus poderes absorvidos pela mutante Vampira, quase morrendo no processo. Sem poderes, Carol foi levada a morar com os X-Men, onde recebe uma visita dos Vingadores e os repreende por terem deixado que ela fosse embora com Marcus (que supostamente teria usado um máquina para hipnotizá-la).

Infelizmente, Carol perdeu não apenas seus poderes para Vampira, mas também sua personalidade e muitas de suas memórias. Enquanto morou com os X-Men aprendendo a lidar com sua perda, Carol foi sequestrada junto com os heróis mutantes pela maligna Ninhada. A Ninhada submeteu Carol à experiências que eventualmente desbloquearam na mulher um novo poder à base de energia, fazendo com que ela se tornasse uma nova heroína cósmica chamada Binária em “Uncanny X-Men #164“. Na época, a personagem decidiu permanecer no espaço como um membro dos Piratas Siderais. Isso colocou Carol Danvers no limbo editorial por mais de uma década.

Nos anos 90 a personagem finalmente retornou à Terra, e quando os Vingadores reformaram a equipe após a saga “Massacre”, Carol se uniu novamente à equipe. Agora chamando-se de Warbird, ela desenvolveu um problema com bebidas alcoólicas que fez com que os Vingadores se reunissem para decidir seu futuro em Avengers #7 (por Kurt Busiek e George Pérez). A personagem conseguiu superar seu problema e servir bem a equipe.

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Quando os Vingadores se reformularam novamente após os eventos de “Vingadores: A Queda”, Carol foi uma das primeiras heroínas a se juntarem à nova equipe, adotando novamente a alcunha de Miss Marvel. Durante a “Guerra Civil” super-humana, Carol ficou do lado do Homem de Ferro e das forças pró-registro, mais tarde sendo escolhida pelo próprio Tony Stark para liderar uma nova equipe no título “Poderosos Vingadores”. No entanto, sua liderança não durou muito tempo, já que após a “Invasão Secreta” dos Skrulls, Norman Osborn acabou sendo visto como um herói e tomou o controle da SHIELD. Durante esse tempo, Osborn criou sua própria equipe de Vingadores Sombrios utilizando vilões disfarçados, onde a vilã Rocha Lunar se passava por Miss Marvel. Eventualmente, após a saga “O Cerco”, Carol tomou sua identidade de volta.

Apesar de suas origens remontarem diretamente do Capitão Marvel, Carol Danvers nunca havia utilizado sua alcunha. Até que em 2012, surge “Capitã Marvel #1”, por Kelly Sue Deconnick e Dexter Soy, onde incentivada por seus amigos, Carol decide finalmente utilizar o nome super-heroico que pertenceu a Mar-Vell. Como Capitã Marvel, Carol logo se tornou inspiração para o povo de Nova York, tendo até mesmo um fã-clube.

Em “Ms. Marvel #1” por G. Willow Wilson e Adrian Alphona, somos apresentados a Kamala Khan, uma adolescente americana de ascendência paquistanesa que foi exposta pela névoa da terrigênese vista na saga “Infinito”, ganhando poderes inumanos. Assim que descobre seus novos poderes – que envolvem uma espécie de mudança física e reestruturação genética – Kamala se transforma na Miss Marvel, da qual a garota é fã, e mais tarde decide usar de forma definitiva a alcunha outrora utilizada por sua heroína.

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Recentemente, a Capitã Marvel esteve em muito destaque nos quadrinhos por estrelar ao lado do Homem de Ferro a saga Guerra Civil II, onde um Inumano com poderes de prever futuros acontecimentos surge no Universo Marvel. Para Carol, seus poderes devem ser utilizados para evitar crimes. Para Tony, algo desse tipo é extremamente perigoso e delicado. O desenvolvimento e crescimento da personagem nos quadrinhos já vem sendo algo notório há um bom tempo, em preparação ao seu vindouro filme.

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