Uma das principais franquias da Ubisoft, Assassin’s Creed se prepara para a chegada de sua versão nórdica, intitulada Valhalla, mas aqui no novo texto do “Ainda Vale a Pena Jogar?” vamos falar sobre seus primórdios, mais precisamente, The Ezio Collection.
Para não ficar confuso ou embaralhado, decidi abordar cada jogo individualmente, e no fim, apresentar um balanço final dos pontos positivos e negativos.
ASSASSIN’S CREED II

Apesar da importância e popularidade de Altair no primeiro jogo, é inegável que a franquia atingiu outro patamar por conta de Assassin’s Creed II. Aqui, temos a apresentação do sistema que é utilizado até hoje, ainda que em uma forma “bruta”, sem tanta lapidação.
Na trama, acompanhamos o início da jornada de Ezio Auditore, que após ver sua família ser traída, decide buscar vingança contra aqueles conhecidos como Templários.
Ezio, aliás, continua sendo o único protagonista da franquia a ser jogável em múltiplos jogos (sem contar os trechos no presente com Desmond Miles). Aliado com a ambientação quase que impecável na Itália da Renascença, seu desenvolvimento é um dos mais cuidadosos já feitos pela Ubisoft, algo que criou uma forte conexão com os fãs.
E por falar em ambientação, esse talvez seja o ponto mais forte da experiência. Apesar de vários períodos históricos já terem sido explorados posteriormente, do Egito até a Grécia, a Itália continua sendo considerada o ápice por muitos. Você pode explorar locais famosos de Florença e Veneza, mas também visita Toscana e até mesmo Vaticano, em um mapa surpreendentemente extenso, com várias atividades secundárias. Tudo isso aliado à trilha sonora brilhante de Jesper Kyd, algo que ainda faz muita falta na atual fase da franquia, que preferiu apostar no som ambiente.
Aliás, acredito que é totalmente válido dizer que o país ganhou muitos turistas justamente pela aparição no jogo.
Obviamente, temos pontos negativos, mas que considero vítimas da época da produção do jogo. Um deles é o combate, extremamente limitado, engessado, e sem muitas alternativas. Houve uma melhora considerável na continuação, “Assassin’s Creed Brotherhood“.
O sistema de parkour também ainda não havia atingido seu ponto certo. Leva um certo tempo para se acostumar com certas partes do mapa, especialmente Veneza. Enquanto isso, se prepare para levar alguns tombos no meio da rua (ou na água).
Explorando um longo período da vida de Ezio (de 1474 até 1499), as passagens no tempo são um pouco confusas. Caso não fique bem atento, pode achar que tudo aquilo está acontecendo em questão de dias ou semanas. Um detalhe curioso é que isso retornou em “Assassin’s Creed Origins“, onde a longa passagem de tempo só é percebida por conta da idade de Cesarião, filho de Cleópatra e Júlio César.
Algo que se tornou tradicional, temos participações de várias figuras históricas, incluindo Leonardo da Vinci e Rodrigo Bórgia (também conhecido como Papa Alexandre VI), mas ao contrário da liberdade criativa que existe com Barba Negra em “Assassin’s Creed IV: Black Flag“, aqui ainda é possível notar que os produtores tiveram mais cuidado em algumas decisões, talvez na tentativa de aproximar tudo da realidade.
Novamente, considero esses pontos vítimas do tempo de produção do jogo. Nada que um pouco de paciência não resolva.
ASSASSIN’S CREED: BROTHERHOOD

Começando logo em seguida aos eventos de “Assassin’s Creed II”, Assassin’s Creed: Brotherhood continua a jornada de vingança de Ezio Auditore contra os Templários, e desta vez na cidade de Roma, completamente dominada pela influência da Família Bórgia, comandada por Rodrigo Bórgia (principal vilão do jogo anterior), e seu filho, César Bórgia, comandante do exército.
Após ver seu tio Mario ser assassinado e a Vila Monteriggioni brutalmente atacada, Ezio fica gravemente ferido, mas é salvo à tempo e levado até Roma para reconstruir a Irmandade dos Assassinos.
Um ponto interessante é que, ao contrário do anterior, a Ubisoft decidiu dar mais atenção ao trecho no presente. É possível sair do Animus a qualquer momento e ter diferentes interações com seus aliados. Além disso, também acompanhamos a evolução das habilidades de Desmond, tudo graças ao “Efeito Sangria”. Ou seja, de acordo com a progressão das memórias de Ezio, Desmond fica mais próximo de sua personalidade, e começa até mesmo a ter algumas visões.
A jogabilidade continua bem parecida, ainda que alguns ótimos elementos tenham sido acrescentados. Agora, Ezio consegue criar uma sequência de assassinatos. É possível que isso tenha sido feito por conta da melhoria na inteligência artificial dos inimigos, que agora podem atacar de diferentes maneiras, e até ao mesmo tempo, exigindo mais habilidade e velocidade nos comandos.
No caso de Assassin’s Creed II, Ezio enfrentou no máximo soldados arqueiros, mas agora existem inimigos com Bestas e até armas de fogo. Em determinado ponto da história, você também receberá uma pistola especial de Leonardo Da Vinci, muito útil caso queira evitar confrontos diretos.
Como citado mais acima, Roma está sob comando da Família Bórgia, e cabe ao líder dos Assassinos acabar com isso. É necessário destruir as torres que estão sendo comandadas pelo exército, e quando isso acontece, o local se torna uma “subsidiária” dos seus aliados. Agora, você pode recrutar cidadãos para se juntar à Irmandade, ainda que de forma limitada. Ao longo do jogo, Ezio pode chamar esses aliados quase que a qualquer momento nas missões, especialmente para tirar inimigos do caminho. Também é possível envia-los em missões secundárias ao redor do mundo, rendendo pontos de experiência, novas armas, e equipamento.
Assim como na Vila Monteriggioni, é necessário comprar estabelecimentos em Roma até que a cidade esteja 100% reconstruída. Além dos retornos de alguns conhecidos dos fãs, incluindo Ferreiros, Médico, Comerciante de Artes e Alfaiate, agora existem túneis de viagem rápida espalhados pelo mapa, aquedutos e até mesmo pontos turísticos icônicos, como o Coliseu, que podem ser adquiridos, aumentando sua renda e influência.
Aliás, aqui você também terá a possibilidade de comprar e distribuir prédios entre facções: Ladrões, Mercenários e Cortesãs. Dependendo das suas escolhas, pode criar estratégias diferentes ao longo do gameplay.
Falando sobre o enredo em si, toda a construção ao redor da Maçã do Éden é excelente, especialmente quando temos a aparição de Juno, e junto com elas, detalhes da queda da Primeira Civilização (algo que continua sendo explorado na atual fase da franquia). Por outro lado, confesso que a “teia” envolvendo Ezio, Rodrigo Bórgia e César Bórgia não funciona tão bem quanto deveria.
O líder do exército pouco convence como grande ameaça, e a forma com que a batalha final é conduzida evidencia ainda mais esse ponto. E no caso de Rodrigo, considerei sua participação extremamente frustrante, principalmente após todos aqueles confrontos de Assassin’s Creed II.
Pintor, inventor e melhor amigo de Ezio, Da Vinci está de volta, e agora desempenhando um papel mais importante. Além de criar novos materiais ao protagonista, temos missões dedicadas ao seu desaparecimento (mas não vou entrar no campo dos spoilers), e especialmente às suas invenções (em posse do exército romano). Como bônus, Ezio recebe um para-quedas de presente, que pode ser utilizado para amortecer grandes quedas ou até mesmo assassinar inimigos desprevenidos antes de chegar ao chão, o que é bem legal.
ASSASSIN’S CREED REVELATIONS

Pela primeira vez na franquia, temos um salto temporal, e começamos com Ezio Auditore com idade mais avançada, naquela que seria sua última missão como Assassino. Desta vez, O Mentor precisa ir até Istambul para encontrar cinco chaves de Masyaf, local que guarda importantes segredos de Altair, protagonista do jogo original.
Por falar em Ezio, aqui temos a sua melhor versão disparada, extremamente sábio, paciente, bem diferente daquele jovem impulsivo que conhecemos em Florença. Sempre em contato com sua irmã Claudia através de cartas, podemos acompanhar todos seus pensamentos ao longo da trama, incluindo suas duvidas, mas especialmente, o desejo de aproveitar o resto de sua vida como uma pessoa normal, fora da Irmandade.
Ao contrário do que aconteceu em “Assassin’s Creed Brotherhood“, a história consegue se manter nos trilhos a todo momento, e os trechos envolvendo Altair enriquecem ainda mais sua experiência. Aqui, certamente temos a conclusão perfeita, e absolutamente épica, dos protagonistas mais marcantes da franquia.
Desmond retorna como figura principal nos trechos do presente, que se já eram considerados fracas, ficam ainda piores, incluindo sequências em primeira pessoa sem nenhum sentido (lembra de Assassin’s Creed: Black Flag? Pois é, parece que a ideia surgiu aqui). Aliás, o gancho deixado no final de AC: Brotherhood é simplesmente jogado pela janela, se limitando basicamente à uma única linha de diálogo.
No que diz respeito à jogabilidade, continuamos com um sistema muito parecido aos anteriores, incluindo algumas novidades como produção de bombas, deslizar em tirolesas, e a utilização da Lâmina Bico de Águia, que aumenta o alcance dos seus movimentos.
Mas, também tivemos o sistema de defesa dos seus esconderijos em Istambul, totalmente entediante e desnecessário. Basicamente, você só o conhece pelo fato do jogo “te forçar” em uma das missões principais. Do contrário, aparece apenas se sua visibilidade ficar no máximo por um bom tempo (algo quase impossível). Além disso, a Ubisoft também decidiu remover a jogabilidade com cavalos, que tiveram certa importância em AC II e AC: Brotherhood. Em trechos específicos da história, podemos controlar carroças, mas só.
Agora fora da Itália, Ezio se encontra em uma Istambul com uma sede estabelecida dos Assassinos, sem a enorme pressão dos Templários. De qualquer forma, você ainda pode destruir torres inimigas, retomando assim um território valioso. Istambul, que aliás, pode até não ter o mesmo charme de Florença ou Roma, mas continua sendo uma ótima ambientação, ainda que o jogo não te faça ter muita curiosidade para explora-la.
Presença constante nos anteriores, Leonardo Da Vinci não aparece em nenhum momento. Ao invés disso, tivemos duas introduções de destaque: Sofia, futura esposa de Ezio, que lhe ajuda na busca pelas cinco chaves, e o carismático assassino Yusuf, que infelizmente teve seu arco encerrado de uma maneira. no mínimo, decepcionante.
De um jeito parecido com Brotherhood, AC: Revelations também sofre com seus vilões. Agora, a revelação do “mastermind” acontece bem tarde na trama, e não deixa de ser bastante previsível. Mas, devo confessar que o confronto final conseguiu ser bastante interessante, e muito mais criativo do que aquele contra César Bórgia.
CONCLUSÃO

Acompanhando a jornada de Ezio Auditore, “Assassin’s Creed: The Ezio Collection” traz ótimas ambientações, trilha sonora marcante, e o próprio legado deixado para a atual fase da franquia. E mesmo com alguns problemas de jogabilidade, além dos trechos pouco inspirados de Desmond Miles, a coleção ainda se prova um conteúdo praticamente obrigatório aos fãs da franquia.
Ah, e lembre-se que essa coleção também inclui dois curtas-metragens, intitulados “Lineage” (prelúdio de AC II) e “Embers” (continuação de AC Revelations). É totalmente recomendável que você assista os dois para ficar ainda mais por dentro da história de Ezio. Infelizmente, as versões dentro do jogo não contam com legendas em português, mas é bem fácil encontrar nas redes sociais.
- A jornada de Ezio Auditore
- Trilha Sonora
- Ambientação
- Legado deixado para a nova fase da franquia
- História um pouco abaixo do esperado em 'Brotherhood'
- Trechos no presente com Desmond






Comentários