
A próxima publicação da “Coleção DC Deluxe: Lanterna Verde” será “A Noite Mais Densa”, o grande ápice da run de Geoff Johns no título do herói. O título da saga faz referência ao juramento dos Lanternas Verdes que diz “No dia mais claro, na noite mais densa, o mal sucumbirá ante a minha presença.” Johns pegou a segunda parte e criou a verdadeira Noite Mais Densa, imaginando qual seria a pior coisa que a Tropa dos Lanternas Verdes poderia enfrentar. Porém, o nascimento desta ideia se deu graças a uma história curta, criada pelo mestre Alan Moore, chamada “Tigres“. A história foi publicada originalmente em Green Lantern Corps Annual No. 2 no ano de 1986. Mas este não é o único legado de Alan Moore para o Lanterna Verde. Na mesma história, ele menciona/cria o personagem chamado Sodam Yat que é referenciado como o Lanterna Verde mais poderoso do universo graças às suas habilidades Daxamitas. Geoff Johns pegou essas duas histórias e as usou como base para escrever “A Guerra dos Anéis” e a “Noite Mais Densa”. Perceba que sem as ideias de Alan Moore, a vida do Lanterna Verde do setor 2814 poderia ser bem diferente.

A influência de Alan Moore no universo dos Lanternas começa quando ele escreveu para a “Tropa dos Lanternas Verdes” nos anos 80. Duas histórias tiveram um peso maior no desenvolvimento da run de Geoff Johns: “Mogo não comparece às reuniões“ e “Tigres”. A primeira é uma história sobre Bolphunga, um alienígena que viajou de planeta em planeta procurando pelos maiores guerreiros, a ideia dele é enfrentá-los em duelos. Nesta história, ele busca pelo Lanterna Verde Mogo, que é conhecido por ser o mais temido e misterioso Lanterna Verde. A razão para isso é que Mogo é o primeiro planeta a se tornar um membro da Tropa. Recentemente, Geoff Johns, Dave Gibbons e Peter J. Tomasi expandiram o papel de mogo. Ele é o responsável pelo controle dos anéis dos Lanternas mortos, assim, eles podem encontrar novos donos. Praticamente, ele é a alma da Tropa dos Lanternas Verdes. Sem ele, os anéis se perdem e a Tropa não tem como se recuperar. Todos os Lanternas viajam para Mogo para poder enfrentar seus grandes medos, já que ele pode alterar seu relevo para desafiá-los.
“Tigres,” outra história da Tropa dos Lanternas Verdes, é sobre Abin Sur, aquele que Hal Jordan sucedeu. Quando a nave de Abin Sur caiu em “Showcase #22”, publicada em 1959, é dito em “Tigres” que a radiação amarela causou o defeito da nave. A cor amarela já era um problema para o anel verde, que, mais tarde, se transformou na cor da Tropa Sinestro. Mas na história de Alan Moore, “Tigres,” é revelado que não era apenas a cor em si, mas uma semente muito mais profunda, uma impureza: o medo. Na edição, Abin Sur viaja para um misterioso planeta chamado Ysmault. Lá, ele encontra um mundo de horrores: monstros desproporcionais, com formas esquisitas, corpos mutilados e membros distorcidos. É um visual de terror (e Kevin O’Neill deveria ser parabenizado por fazer esse trabalho). Uma vez lá, Abin conhece o “Império das Lágrimas,” um lugar em que demônios, monstros e mentes perigosas ficam presos pelos Guardiões de Oa. Mas é este lugar que Abin deve visitar para encontrar nave e salvar uma criança alinígena que sobreviveu a um acidente. Ao pousar lá, ele encontra o Quill das Cinco Inversões, um alienígena. Depois de ajudar Abin a encontrar a criança, Quill conta uma profecia sobre uma “catástrofe final”, em que os inimigos dos Lanternas Verdes irão se levantar e destruí-los. Quill diz que Sodam Yat, um Daxamita conhecido como o mais poderoso Lanterna Verde perecerá em uma luta. O Lanterna Verde em forma de planeta, chamado Mogo, será o último a cair. Que Ranx explodirá uma bomba em seu núcleo. Depois disso, existirão apenas demônios dançando nas ruínas de Oa ao ritmo de tambores feitos com peles azuis. Abin eventualmente deixa o planeta, mas Quill já o envenenou com as duas maiores fraquezas dos Lanternas Verdes: medo e dúvida.

São esses dois temas que servem como base para a “Guerra dos Anéis” e “Noite mais Densa.” “A Guerra dos Anéis” é o segundo ato daquilo que Geoff Johns chama de “Trilogia do Lanterna Verde,” a primeira parte é “Lanterna Verde: Renascimento” onde o autor salva Hal Jordan de uma vida como “O Espectro“. A razão de sua queda foi uma impureza conhecida como Parallax, uma entidade que estava vivendo na bateria dos Lanternas Verdes. Depois de expulsar Parallax da bateria, ele volta ao seu posto e se torna o maior Lanterna Verde do Universo. “Guerra dos Anéis” segue um plot introduzido em Renascimento. Sinestro usa o medo para criar seu próprio grupo de seguidores, todos com capacidade de manusear os anéis amarelos. É a imposição de medo que faz eles criarem construtos e matar Lanternas Verdes. Medo e dúvida possuem papéis fundamentais aqui, pois os Lanternas tem medo da morte e dúvida é a porta para o medo. Em certo ponto, Hal e Kyle Rayner se tornam hospedeiros de Parallax, pois eles possuem medo em seus corações. Trabalhando juntos, Os Lanternas Verdes salvam o mundo da invasão.
Mas a “Noite Mais Densa” continua a visão profética que Alan Moore iniciou em “Tigres”. A profecia que Quill mencionou se torna verdade e a Noite Mais Densa cai sobre a Tropa. Aqui, os temas são inevitabilidade e morte. Em “Tigres”, Moore explora a ideia do destino como uma fraqueza, pois se alguém ouve um destino que não é satisfatório, o medo daquele futuro se transforma na sua destruição. Foi por medo que Abin Sur estava usando uma nave quando caiu na Terra. A inevitabilidade da morte é que dá forma para a Noite Mais Densa. Qualquer personagem que já deu de cara com a morte possui medo dela, e os Lanternas Negros exploram essa fraqueza para vencer. É apenas celebrando a vida que a Terra consegue derrotar os Lanternas da Morte. Foi este momento de fraqueza que causou a morte de Abin Sur e é isso que salva Hal Jordan. Ele usa sua força e resiliência para destruir Nekron, líder dos Lanternas Negros. Onde Abin falhou, Hal sobrevive.
Ok, não dá para afirmar que sem Alan Moore, o universo do Lanterna Verde seria menos interessante nos dias de hoje, mas é inegável que a suas contribuições para a mitologia e caracterização, trouxeram inspiração para o trabalho de Geoff Johns. Lembrando que a grande vantagem de trabalhar em um título dos “Lanternas Verdes” é o grande número de possibilidades. Eles tem um universo todo a explorar, que aumenta o número de possíveis situações e personagens para o infinito. Assim, o roteirista pode criar praticamente qualquer coisa, basta não ter medo. Alan Moore fez com que Abin Sur fosse muito mais que uma nota de rodapé na história do Lanterna Verde. Ele criou dois personagens interessantes da Tropa: Mogo e Sodam Yat. Por fim, ele abriu o horizonte para futuros roteiristas do Lanterna Verde. Assim como Hal Jordan, Alan Moore é um homem sem medo. Lembrando as palavras de Abin Sur em Showcase #22, quando passa a bateria para Hal Jordan:
“É nosso dever… quando um acidente acontece… passar a Bateria Energética… para outro que seja destemido… e honesto!”
John Broome escreveu esta fala em 1959, vinte e sete anos antes de Alan Moore escrever “Tigres”. Ele só não sabia que não estava falando apenas de um Lanterna Verde, mas também de um dos maiores roteiristas de quadrinhos.
Nota:

Se você ficou curioso para ler essas histórias, saiba que a Panini já as publicou no Brasil. O título era “Grandes Clássicos DC n° 9, recheada com histórias de Alan Moore. A edição tinha 304 páginas e a capa é esta acima. Na época, ela foi vendida por apenas R$ 36,90. “Apenas?” Sim, olha as histórias que ela continha:
- Para o homem que tem tudo
- Olimpíadas Noturnas
- Mogo não comparece às reuniões
- Dia dos Pais
- Breves Vidas
- Um mundo de Homens
- A linha da selva
- Tigres
- O que aconteceu ao Homem de Aço?
- Passos
- Na noite mais densa (que também é uma história de Alan Moore para os Lanternas Verdes)
- Barro Mortal
- A Piada Mortal
Infelizmente a edição já se encontra esgotada e acredito que a Panini não tem mais interesse de relançar este mesmo formato atualmente, visto que encadernados independentes já possuem histórias como Piada Mortal e as do Superman. Porém, acho que ela poderia aproveitar a fase de encadernados e lançar um do Lanterna Verde com os contos de Alan Moore (pode não ser o mais satisfatório, mas agradaria bastante os fãs dos Lanternas). De todo modo, com muita sorte, você pode encontrar esta edição em alguns sebos. Se achar, não deixe escapar! Recomendo também o nosso “Guia de Leitura do Lanterna Verde”, clique aqui e confira!




Comentários