
O icônico escritor de quadrinhos Alan Moore é amplamente considerado como um dos maiores criadores desse meio, com notáveis obras como Watchmen, V de Vingança, Batman: A Piada Mortal, e muitos outros. No entanto, Moore é considerado também um sujeito teimoso, ranzinza, cabeça dura, e que sempre que tem oportunidade expressa sua insatisfação com outros criadores e editoras as quais era associado outrora.
Durante uma recente entrevista com a Vulture, o autor falou sobre o seu problema com os quadrinhos modernos, os super-heróis, e o público em crescimento. Após admitir que já não sentia o mesmo entusiasmo em escrever quadrinhos, Moore foi questionado sobre seu sentimentos a respeito do público de quadrinhos atual. O autor respondeu que ele acredita que a idade média do leitor hoje em dia é de 30-50 anos de idade. O que ele considera um mau sinal:
“As pessoas vem dizendo que desde meados dos anos 80, os quadrinhos ficaram mais adultos. Eu não acho que isso seja verdade. Eu acho que o aconteceu foi que apareceram meia dúzia de quadrinhos que pareciam ser voltados para um público mais maduro, e isso coincidiu com a idade emocional da maioria do público da época.”
Abordando especificamente os filmes de super-heróis que dominam os cinemas atualmente, e o poder duradouro dos personagens da Marvel e da DC, Moore disse o seguinte:
“O que esses filmes fazem de diferente além de nos entreter com histórias e personagens que foram feitos para entreter crianças de 12 anos de idade há 50 anos atrás? Devemos incorporar alguma coisa desses personagens? Isso é ridículo. Eles não são personagens que podem, possivelmente, existir no mundo real. Sim, eu fiz Watchmen. Sim, eu fiz Miracleman. Estas são duas grande obras de super-heróis inspiradoras, eu acho. Mas lembre-se: ambas são críticas da ideia dos super-heróis. Eles não foram feitos para serem um revigoramento do gênero.”
Moore resumiu seu argumento contra o estado atual dos quadrinhos de super-heróis, simplesmente chamando-os de “escapismo sem sal”.
“Os super-heróis da minha juventude tinham cães vestidos com capas e máscaras! É óbvio que eles representavam nada mais do que o poder da imaginação. Eu vejo essas figuras atuais como foco de um escapismo sem sal… Eu até entendo o desejo de fazer a sua infância durar para sempre, mas você não pode. Não tem nada de errado em gostar deste ou daquele, mas você não tem que carregá-los com você a vida inteira como uma espécie de armadura mágica.”
Recentemente, Moore anunciou sua intenção de se aposentar dos quadrinhos completamente. Seu mais recente trabalho, Jerusalem, foi lançado em 5 de setembro deste ano.





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