
Logo nos seus primeiros minutos, a série Critical já mostra para o que veio. A equipe especializada em trauma é chamada pelos alto-falantes quando um novo paciente está a caminho. A partir deste momento, os médicos não param por um segundo, usando todos os equipamentos e vocabulário médico imagináveis.
A série acompanha a equipe e os pacientes no período que é conhecido na medicina como golden hour, a primeira hora depois do acidente traumático, na qual o paciente tem mais chance de sobreviver se receber o tratamento adequado. Por esse motivo, o relógio começa a contar no início do episódio e o público acompanha com angústia o tempo passando. Nesse sentido, Critical é uma versão médica da série 24 Horas.
Esta série britânica do canal Sky 1 estreou em fevereiro de 2015 e teve 13 episódios, sendo cancelada após a sua primeira temporada. A produção não tem só um, mas dois médicos na equipe. O criador da série, Jed Mercurio, foi médico e membro da força aérea britânica, se especializando em medicina aeronáutica. E o ator Prasanna Puwanarajah, que interpreta o anestesista Ramakrishna Chandramohan, foi um cirurgião formado em Oxford antes de entrar no mundo da atuação. Com especialistas assim presentes, não é surpresa que Critical pareça tão realista.
O que diferencia Critical de outras séries médicas é o foco na própria medicina. Na pressa de se salvar o paciente na primeira hora, sobra pouco tempo para qualquer drama. É possível ver um padrão claro nos procedimentos médicos, que são bem explicados, deixando o público por dentro do que está acontecendo. Ao final dos 13 episódios, você já sabe o que cada equipamento faz e quase se sente pronto para dar assistência aos médicos. Infelizmente, ás vezes isso torna os episódios repetitivos, com todos seguindo exatamente o mesmo formato. Critical não é uma série perfeita para se fazer maratona, sendo melhor aproveitada se assistida aos poucos.
Somente em alguns momentos entre procedimentos e, principalmente, no final dos episódios é que podemos ver a interação entre os médicos. Amizades, romances e momentos de descontração necessários para manter a sanidade em situações tão tensas. Essa descontração é importante até mesmo para o público, que também precisa de um momento para respirar. Então vemos a equipe comer balas que estavam nos pertences do paciente, um operador do aparelho de tomografia superprotetor com sua sala e até um dos médicos cantando Stayin’ Alive ao ressuscitar um paciente. Pequenos detalhes, mas que nos deixam mais próximos dos personagens.
Um dos pontos mais marcantes de Critical é que ela não é recomendada para quem não tem estômago forte. Especialmente quando o estômago e outros órgãos dos pacientes estão completamente expostos. A série não tem medo de mostrar detalhes de todas as operações, recheadas de muito sangue. Sempre que a equipe vai para a sala de cirurgia, se prepare para amputações, bombear o coração manualmente e furar o crânio para aliviar a pressão interna.
Os personagens, apesar de terem pouco tempo para serem desenvolvidos, são interessantes e os atores fazem um ótimo trabalho. O elenco é comandado por Lennie James (mais conhecido por seu papel como Morgan em The Walking Dead), que interpreta Glen Boyle, o novo lider da equipe de trauma. Catherine Walker é Fiona Lomas, uma cirurgiã que tem um passado com Boyle. E Peter Sullivan, que interpretou o Cardeal Sforza em The Borgias, é Clive Archerfield, o chefe do departamento que por vezes serve como antagonista, atrapalhando a andamento dos tratamentos por dar mais importância para as questões de administração do hospital.
No meio de tantas séries médicas que existem, o formato diferente de Critical faz com que ela não fique para trás. A ideia de focar nos casos é inovadora, se tornando perfeita para quem é mais interessado nos procedimentos e não quer ver temporadas de dramas. A série chega pela primeira vez ao Brasil exclusivamente na plataforma de streaming Looke. Conheça aqui: www.looke.com.br
https://www.youtube.com/watch?v=Idi4oHeNcpM