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Na matéria O Mercado de RPG em 2016 – Lançamentos, pré-vendas, e financiamentos já foram listados todos os títulos apurados que figuraram no ano passado. Nela é possível ver que houve diversos lançamentos e novidades, no entanto, é possível abstrair da lista apenas vagamente os detalhes que os dados apontam.
Nesta matéria, o objetivo é diferente. Os dados coletados serão filtrados e apresentados de forma gráfica para que fique claro coisas como quantidades de lançamento, valores médios, quantidade de páginas e outras informações relevantes. Futuramente, o que for levantado poderá ser usado para uma comparação objetiva com os anos posteriores.

Primeiro, algumas das conclusões (veja a metodologia mais abaixo) que foram encontradas observando os gráficos:

  • Foram lançados 34 livros e aconteceram 17 financiamentos no ano.
  • O maior livro lançado foi Numenera, da New Order Editora, com 410 páginas.
  • A editora que mais trouxe títulos foi a New Order Editora, com 7 títulos
  • A editora que mais lançou livros no ano foi a Jambô, com 6 livros.
  • A editora que mais fez financiamentos foi a Retropunk, com 3 financiamentos
  • Seria preciso gastar 2327,8 para adquirir tudo o que foi lançado
  • Seria preciso gastar 1111,0 para participar de todos os financiamentos
  • A maior parte dos títulos do ano foram nacionais, somando 25
  • Os financiamentos coletivos totalizaram R$ 390.810,00
  • O financiamento com maior arrecadação foi Shadow of the Demon Lord, da Pensamento Coletivo com R$ 107.713
  • A editora que arrecadou mais em financiamentos foi a Retropunk, com R$ 120.711
  • O preço médio dos livros foi de R$ 69,90
  • O preço médio dos livros nacionais foi de 59,90
  • Livros nacionais costumam ser mais baratos, tanto no valor final quanto no preço por página.
  • Em média, livros básicos foram 7,7 reais mais caros que suplementos
  • O livro com maior custo benefício preço/página e características físicas foi Fate, da Solar
  • Das editoras com maior quantidade de lançamentos, a Jambô praticou o preço/página médio mais barato.
  • Mas para livros com mais de 200 páginas, quem ganhou no menor preço foi a Redbox
  • A Retropunk trouxe mais livros capa dura e coloridos
  • Mas a New Order trouxe mais livros capa dura, coloridos com mais de 200 páginas

A seguir, uma explicação da metodologia utilizada, e por fim, os gráficos gerados. Os dados levantados estão todos em uma planilha que pode ser encontrada AQUI, e são de uso livre para qualquer interessado, bastando citar a fonte.

As análises foram divididas em algumas sessões, se não por consistência, por conveniência da organização. Nem sempre todos os itens levantados estarão sendo utilizados nos gráficos. Apesar de terem sido listados lançamentos digitais, a matéria se foca nos lançamentos físicos, e portanto em muitos das análises deixa de lado o material que não foi impresso.

A não ser que seja explicitado o contrário, quando for citado os “financiamentos de 2016”, estarão incluídos tanto os projetos de financiamento que ocorreram no ano passado, quanto os livros resultantes de financiamentos de anos anteriores e que foram lançados em 2016. Isso é feito devido o reconhecimento de que mesmo tendo sido lançados, a lógica de livros financiados antes de 2015 ainda assim não se enquadra com a dos outros lançamentos. Livros alcançados como metas extras nos financiamentos só serão considerados para a análise caso já tenham sido lançados, já que estavam além do escopo inicial do projeto. Já em pré-vendas, estarão enquadrados todos os títulos que não foram viabilizados a partir de um financiamento coletivo.

Foram contabilizados apenas livros básicos e suplementos com no mínimo 40 páginas. Revistas, aventuras e acessórios não entram na contagem. Assim, determinou-se um universo de 45 itens.

As análises abaixo não foram feitas por um profissional da área de contabilidade ou estatística. Portanto, não podem ser levadas como algo 100% concreto. Além da metodologia poder apresentar incoerências ou não ser a mais apropriada, como os dados foram levantados à mão, são passíveis de erro humano. No entanto, acredito que os resultados, se não forem 100% congruentes com a realidade, podem ser usados como um indicio de como foi o mercado nacional de RPG em 2016.

Além disso, esse é um trabalho em construção, que será aprimorado com o passar do tempo para que se possa registrar e manipular os dados com mais facilidade e eficiência. Espera-se que no futuro esse material seja lançado com maior velocidade, precisão e também com mais análises relevantes.

Parte 1 – Categorias dos livros

Em 2016, a quantidade de pré-vendas e financiamentos foi idêntica, embora mais livros tenham sido viabilizados através de financiamento coletivo. Tanto em Shadow of the Demon Lord, quanto no Compêndios de Savage Worlds, mais de um título foi viabilizado. No primeiro, nenhum livro foi lançado, sendo contabilizado, portanto, apenas o objetivo principal do projeto. Já no segundo, acabaram sendo lançados dois Compêndios, o de Horror e o de Superpoderes. Com o de ficção científica sendo viabilizado, mas publicado apenas em 2017.

A nova edição do Livro Básico de Savage Worlds acabou sendo fora da curva, pois apesar de ter sido pensado para pré-venda, já podia ser adquirido no financiamento dos compêndios e algumas metas dos compêndios melhoraram a produção, trazendo capa dura e cores. Aqui, no entanto, foi incluído como pré-venda.

Apesar do que possa se pensar, em 2016 houve uma movimentação maior de títulos nacionais do que de estrangeiros. Nem todos os nacionais conseguiram ser viabilizados através de financiamento coletivo, contudo.

Os dados levantados apontam para uma quantidade razoável de RPGs que prescindiram do apoio de editoras. Contudo, dada as condições do RPG no Brasil, ainda é um pouco complicado dizer que tais títulos são indies, enquanto outros que foram “apadrinhados” por outras editoras não são.

Editoras e estúdios que contaram com apenas uma publicação ficaram agrupadas na categoria “outras”. Estando entre elas a Devir, antes a maior editora de RPG do país, e hoje contando apenas com a publicação do Bestiário de Pathfinder.

Segundo os dados levantados, a New Order ganha por pouco da Jambô no quesito publicações. Esta fica à frente da Retropunk, Pensamento Coletivo e Redbox pela mesma margem.

Das editoras com maior quantidade de publicação, a Redbox e a Devir não se valeram de nenhum financiamento coletivo. Enquanto isso, a Retropunk fez uso do modelo de forma a trazerem 4 livros. De forma semelhante, todos os livros da Solar tiveram envolvimento com financiamentos coletivos. Da New Order, que foi a que mais trouxe livros no ano, apenas dois foram fruto de financiamento.

A maioria dos sistemas que figuraram em 2016 possuiu apenas um livro publicado. No entanto, os nacionais 3D&T, Tormenta RPG e Old Dragon apresentaram mais de uma publicação, com o campeão sendo Old Dragon. Savage Worlds, Fate e L5A, estrangeiros, também tiveram mais de um material publicado.

Para este cálculo, o RPG Caracterização foi desconsiderado.

A quantidade de livros básicos supera a de suplementos. Para essa avaliação, a Caixa Introdutória de Shadowrun foi considerada como um suplemento, enquanto Chopstick, que traz as regras completas do Fate Acelerado foi considerado um livro básico.

Os dados mostram o que sempre se costuma falar. Existe uma predominância de livros básicos e uma quantidade menor de publicação de suplementos. No entanto, a disparidade acaba não sendo tão grande quanto se poderia pensar. Contudo, esses dados não servem para apontar a proporção das vendas entre um e outro.

Para este cálculo, o RPG Caracterização foi desconsiderado.

Apesar de possuir um número absoluto maior de suplementos, proporcionalmente os suplementos nacionais são minoria. Enquanto os títulos nacionais tiveram uma taxa de 36% de suplementos, os estrangeiros foram 42,1% dentro de sua categoria.

Houve quase o mesmo interesse no lançamento de suplementos. Esses dados, contudo, não apontam para margens de venda.

Para este cálculo, o RPG Caracterização foi desconsiderado por se enquadrar em uma categoria diferente dos outros livros não-básicos lançados.

 

Parte 2 – Financiamentos

 

Houve mais livros lançados a partir de financiamento do que projetos de financiamento lançados no ano. Enquanto a Solar realizou apenas um financiamento este ano, publicou dois outros livros que foram viabilizados através do modelo. O mesmo aconteceu com a New Order, que fez o seu financiamento e também lançou um livro que havia sido viabilizado desta forma.

De longe, a maior atividade de financiamento se deu através de auto-publicação, conseguindo 8, quase metade dos 18 financiamentos que aconteceram ao longo do ano. Entre as editoras, a Retropunk foi a que mais realizou financiamentos em 2016, contando com 3.

Houve um total de R$ 390.810,00 reais investidos em financiamentos coletivos de RPG em 2016. O livro que arrecadou mais foi Shadow of the Demon Lord, conseguindo 107.713. Entre os livros nacionais, Mighty Blade 3 foi o campeão, com R$ 11.592. E foi a Retropunk quem conseguiu arrecadar mais com seus financiamentos, levando R$ 120.711.

 

Parte 3 – Valores

Neste cálculo foram desconsiderados Bukatsu e Birl, pois existem apenas em versão digital. Sijor também foi deixado de lado, pois diferente dos outros livros, não se tinha como verificar o preço real do livro, já que a recompensa de seu projeto de financiamento custava 220,00 e trazia também uma série de outros itens. A Caixa Introdutória de Shadowrun ficou de fora, por não conter o livro básico.

Os dados apontam que a média de preço dos livros nacionais acaba sendo bem menor do que a de livros estrangeiros, com quase 50 reais de diferença. Enquanto os suplementos costumam ter um preço ligeiramente inferior aos livros básicos.

Esses gráficos, no entanto, não diferenciam as características físicas dos livros, E nem a quantidade de páginas. Uma análise baseada também na quantidade de páginas será feita adiante.

Dos livros nacionais, o livro de maior preço é A Caixa Básica de Old Dragon, custando 119,00 enquanto o mais barato fica sendo Cidade Neon, de 27,90.

Entre os estrangeiros, o de valor mais alto é Numenera, custando 159 reais, enquanto o mais barato fica sendo Desafiantes, de 25.

Como é possível observar nos gráficos, o preço mínimo dos livros básicos é menor do que o de suplementos. Isto acontece devido aos “mini-jogos” lançados esse ano, tanto estrangeiros, quanto nacionais.

Pelos gráficos, logo se vê que os livros nacionais possuem maior presença em faixas de páginas menores. De 0-100 páginas foi onde possuíram a maior distribuição, contando com 9, quatro a mais do que os livros  estrangeiros. A faixa de 100-200 foi onde obteve a maior diferença. Enquanto houveram 8 livros nacionais nessa faixa, os internacionais contaram apenas com 1. A partir daí, no entanto, os livros estrangeiros dominam. Tendo o dobro de ocorrências na faixa 200-300, além de possuir 5 itens com mais de 300 páginas, enquanto nenhum livro nacional alcançou essa margem em 2016.

É possível observar que em média os livros nacionais são ligeiramente (no caso da faixa 50-100) em outros casos bem mais baratos (de 200-300), se observando pelo preço médio. No entanto, em geral os livros nacionais ficam mais próximos do limite mínimo da faixa, tendo menos páginas.

Curiosamente, a variação de preços em livros nacionais é bem maior do que a dos estrangeiros, que acabam tendo preços mais consistentes e mais aproximados. Na menor variação de preço encontrada nos livros nacionais, a da faixa (200-300), o valor do maior item é o dobro do menor. Entre os livros estrangeiros isso acontece apenas na faixa (0-100), no entanto a média muito mais próxima do valor máximo, 49,90, aponta que o 25 é uma exceção.

Neste cálculo, não foram considerados Birl, Sijor, Bukatsu e a Caixa Introdutória de Shadowrun.

Curiosamente, os valores levantados apontam que em três das faixas de páginas, os suplementos acabam tendo uma média de valor menor do que os livros básicos. Isso não diz muito, no entanto, já que os livros básicos tendem a ser maiores e podem ter um preço por página menor.

Outro dado interessante é que proporcionalmente, há uma quantidade quase idêntica de livros básicos e suplementos com mais de 300 páginas. Enquanto os suplementos desta categoria são 12.5%, os básicos são 12%.

Neste cálculo, não foram considerados Birl, Sijor, Bukatsu e a Caixa Introdutória de Shadowrun.

Não há grandes surpresas aqui além da explicitação dos valores. Como é normalmente suposto, os livros estrangeiros possuem uma média maior de páginas, enquanto o mesmo acontece com os livros básicos.

No gráfico, o menor suplemento aparece com 64 páginas, enquanto o menor livro básico aparece com 16. No entanto, isso acontece apenas devido os critérios utilizados para a seleção dos suplementos. Enquanto todos os livros básicos figuram na lista – inclusive jogos bem pequenos – só foram incluídos suplementos a partir de 40 páginas, o que faz com que aventuras curtas, e outros materiais pequenos, como Amor e Sexo no Nono Mundo, de 12 páginas, não seja incluídos.

Os dados levantados apontam que em média os livros nacionais possuem uma relação preço/página menor do que os estrangeiros, enquanto o mesmo acontece com os suplementos em relação aos livros básicos. É interessante observar também a disparidade entre os valores mínimos e máximos dos livros nacionais.

Das obras analisadas, Veridiana acabou sendo a com um preço/página menor, custando 30 reais e possuindo 16 páginas, enquanto Ghaluni RPG, foi o menor, custando 35 reais por 200 páginas. Ambos são nacionais.
Entre os estrangeiros, o Livro do Jogador de Numenera acabou possuindo o valor mais alto, custando 50 reais por 64 páginas, enquanto o livro básico de Fate acabou sendo o com um menor preço/página, custando 80 por 300 páginas.

Neste cálculo, não foram considerados Birl, Sijor, Bukatsu e a Caixa Introdutória de Shadowrun.

Os valores levantados apontam que em média as páginas de um livro estrangeiro costumam custar mais caro do que a de livros nacionais, além de tenderem a serem maiores, o que aumenta o seu valor total.

Em ambos os casos, o preço da página tende a cair conforme se aumentam a quantidade de páginas. Sendo que há uma quebra brusca quando se passa do limite de cem páginas. A partir daí, a diminuição no valor segue mais modesta e aparentemente estável.

Novamente se verifica que os livros nacionais possuem preços bastante dispares, com grandes variações entre o menor valor e o maior valor.

Mas é preciso se atentar que existem características além da quantidade de páginas que fazem variar o preço por página dos livros. Apesar de serem mais caros, os livros estrangeiros são os que costumam possuir capa dura, impressão colorida e papel diferenciado. Essa análise acaba não cobrindo estes pontos.

Neste cálculo, não foram considerados Birl, Sijor, Bukatsu e a Caixa Introdutória de Shadowrun.

Das editoras com maior quantidade de títulos, é a New Order quem prática o maior preço por páginas médio. Com 0,498, ela está pouco mais de 4 centavos acima da Pensamento Coletivo, Redbox e Retropunk. Neste quesito, a Jambô se sai melhor do que as concorrentes, praticando 0,38 centavos por página.

Analisando apenas os livros com mais de 200 páginas, é possível perceber que a New Order é a que mais trabalhou com obras acima desse limite. Novamente, ele é a que praticou o valor mais alto, embora tenha sido praticamente idêntico ao da Retropunk (uma diferença de 0,001 centavo).

Quando se observa apenas os livros a partir de 200 páginas, três das editoras (New Order, Pensamento Coletivo e Redbox) tiveram uma queda de 0,7 centavos no preço médio da página. Já na Retropunk a queda foi apenas de 0,3, enquanto a Jambô o valor médio se manteve idêntico.

Considerando apenas os valores de livros coloridos e de capa dura, a situação acaba se invertendo em algumas medidas.

A New Order, antes a que possuía um maior preço/página se torna a terceira mais barata e sua posição é ocupada pela Pensamento Coletivo. Houve mudança no preço/página de todas as editoras, menos da Retropunk, que se manteve igual por ter trabalhado apenas com livros coloridos e em capa dura.

Curiosamente, o preço/página médio da New Order diminuiu, indicando que seus livros brochura e ou preto e brancos são em média mais caros do que os capa dura e coloridos.

Dos livros analisados, o com o maior preço/página foi o Compêndio de Horror, da Retropunk, enquanto o com o menor preço/página foi o Bestiário de Pathfinder.

Das editoras, foi a Retropunk quem trouxe mais livros capa dura e coloridos. No entanto, considerando os com mais de 200 páginas, foi a New Order quem obteve a maior quantidade.



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