Já faz um bom tempo que um projeto envolvendo a Liga da Justiça Sombria está em desenvolvimento na Warner, embora nunca tenha conseguido sair do papel. Inicialmente um filme dirigido por Guillermo del Toro que acabou indo parar no limbo, o projeto acabou se transformando em uma série com produção de J.J. Abrams para o HBO Max, mas desde então não tivemos mais informações.
Uma equipe composta por elementos sobrenaturais do Universo DC, essa equipe já conseguiu sair dos quadrinhos pelo menos para adaptações animadas, ganhando dois filmes: Liga da Justiça Sombria e Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips. No vídeo de hoje, traçamos o histórico da magia e do sobrenatural dentro do Universo DC, que levou finalmente à criação dessa equipe.
A Magia na Liga da Justiça

Embora esse nunca tenha sido seu foco principal, a Liga da Justiça tem uma longa história com magia que remonta aos anos 60. Alguns de seus primeiros grandes inimigos foram magos das trevas, como Felix Fausto, que fez sua primeira aparição no primeiro ano da equipe.
Nos anos 70, Zatanna – que é uma feiticeira genuína que lança seus feitiços falando palavras ao contrário – se juntou à equipe, e eles geralmente têm algum em magia desde então. As várias formações da JLA dos anos 90 incluíam Zauriel e Etrigan, um anjo e um demônio literais, respectivamente.
Vertigo

Nos anos 90, com uma nova onda de quadrinhos de terror se tornando sucessos de público e de vendas na DC graças ao selo Vertigo, foi o momento para fazer mais títulos com temas sobrenaturais com seus super-heróis. Um dos mais notáveis foi o elseworld “Batman e Drácula: Chuva Rubra“, no qual o Cavaleiro das Trevas enfrentou o Príncipe das Trevas e se tornou ele próprio um vampiro.
A Vertigo foi construída em torno do sucesso de Monstro do Pântano, de Alan Moore, e Sandman, de Neil Gaiman. Embora houvesse um distanciamento com o passar das edições, esses títulos começaram extremamente enraizados no Universo DC. O Monstro do Pântano chegou a encontrar o Batman, enquanto Sandman apresentou Morpheus encontrando alguns membros da Liga da Justiça, como o Caçador de Marte. Cada vez mais, os elementos sobrenaturais e mágicos sangravam para os super-heróis da DC.
O Pacto das Sombras

Em meados dos anos 2000, parecia que finalmente seria hora de personagens sobrenaturais fazerem sua presença ser sentida no lado dos super-heróis do Universo DC. Até que, finalmente, alguém teve a ideia de pegar alguns dos heróis existentes do universo DC que estavam à margem do sobrenatural e uni-los. Era como a Liga da Justiça, mas… sombria.
Mas calma. Ainda não chegamos lá. Esse grupo se chamava “Pacto das Sombras” e, sendo honesto, parecia menos como a Liga da Justiça e mais como uma versão mágica do Esquadrão Suicida. O grupo era bem obscuro, contando com Retalho, um vigilante místico usando um traje feito de trapos esfarrapados que absorviam almas; Demônio Azul, um dublê de filmes cujo traje de diabo de alta tecnologia foi amaldiçoado por um demônio real e permanentemente ligado ao seu corpo; e Mestre da Noite, que era o mais obscuro, tendo tido exatamente apenas quatro aparições nos 35 anos anteriores, uma das quais em 1969.
O astro da HQ, no entanto, era ele… o maior detetive do mundo. Não, não esse. o OUTRO maior detetive do mundo. O Detetive Chimp era, bem, exatamente o que seu nome sugere: um chimpanzé que escapou do circo e bebeu da fonte da juventude, ganhando assim uma inteligência incrível e um talento especial para resolver crimes. Qual é, quem não ama um macaco sarcástico que resolve mistérios e que diz a todos em alto e bom som que é mais esperto que o Batman?
A Liga da Justiça fica Sombria

Em 2011, a DC reiniciou toda a sua linha, encerrando todas as séries que publicavam – incluindo as que estavam em execução desde a década de 1930 – e lançando um universo totalmente novo e 52 novos quadrinhos. Um dos objetivos declarados dos “Novos 52” era diversificar a linha.
Assim, havia espaço para três títulos diferentes da Liga da Justiça. Enquanto dois deles eram bastante padrão, com a Liga da Justiça se concentrando nos pesos pesados e a Liga da Justiça Internacional fornecendo um lar para a lista B, o terceiro título era algo diferente. Era, enfim, a Liga da Justiça Sombria, dando continuidade ao estilo de aventuras visto em quadrinhos como Pacto das Sombras, mas agora com um nome que o colocava no centro do Universo DC.
A HQ foi lançada com roteiros de Peter Milligan, um veterano do selo Vertigo que, dentre outras coisas, escrevia Hellblazer. A Liga da Justiça Sombria trazia exatamente o tipo de mistura de super-heróis e sobrenatural que os leitores queriam há anos, e dessa vez com personagens de peso.
Rostos familiares

No lançamento dos Novos 52, a lista da Liga da Justiça Sombria era composta por personagens estabelecidos, especialmente porque a DC obliterou a parede que separava os personagens da Vertigo do Universo DC. A reunião original de heróis sobrenaturais foi desencadeada quando a feiticeira Magia foi separada de sua hospedeira humana, June Moone. Ela enlouqueceu, desencadeando sua realidade alterando a magia em escala mundial e provocando vários eventos que variaram de assustadores a pesadelos, com uma contagem de corpos bem grande. Desnecessário dizer que a Liga da Justiça tentou intervir, mas como o Superman tem fraqueza à magia, a Liga decidiu que talvez fosse melhor deixar outra pessoa lidar com isso.
A “outra pessoa” neste caso era Zatanna, a feiticeira que estava associada à equipe desde os anos 70. No momento em que o primeiro arco terminou e Magia estava novamente ligada a June, uma nova equipe foi formada para lidar com os eventos sobrenaturais que a Liga da Justiça não poderia. E eles estavam certos, já que logo depois, Cain (sim, o irmão do Abel) acordou e começou a reunir um exército de vampiros.
Além de Zatanna, a equipe contava por John Constantine. Eles se juntaram a Desafiador, o fantasma de um acrobata de circo assassinado que poderia possuir corpos humanos. Em seguida tivemos Shade, o Homem Mutável, um esquisitão interdimensional com um colete alucinógeno e superpoderoso que poderia alterar a realidade. E, é claro, Madame Xanadu, uma vidente taróloga que os guiava em suas missões com visões horríveis do futuro.
Novos esquisitos

Inicialmente, a configuração da Liga da Justiça Sombria era que eles eram uma “não-equipe” – uma reunião solta de especialistas em ocultismo que achavam que seguiriam caminhos separados assim que não houvesse tantos Dráculas causando tumulto. Uma vez que ficou claro que não havia escassez de ameaças sobrenaturais ao universo, eles se tornaram um ramo oficial da Liga da Justiça. Embora a equipe continuasse a trazer personagens fortemente identificados com a linha Vertigo, também havia alguns rostos relativamente novos.
Os novos personagens mais notáveis, para certos valores de “novo”, incluíam a versão da DC do monstro de Frankenstein, que por conveniência foi chamado apenas de “Frankenstein”. Originalmente introduzido em 2008, o Frankenstein da DC foi um aventureiro viajante por quase 200 anos, lutando contra várias forças do mal e trocando partes de seu corpo, o que em um ponto resultou nele recebendo o braço direito (e a espada flamejante) do arcanjo Miguel. Pois é.
Nova equipe

A primeira série da Liga da Justiça Sombria terminou em 2015, mas depois que um crossover chamado No Justice envolveu a equipe se dividindo em três forças-tarefa menores para lidar com um problema que ameaçava toda a realidade, a necessidade de um ramo focado no lado místico das coisas se manifestou mais uma vez. Assim, uma segunda temporada da Liga da Justiça Sombria foi lançada com a equipe criativa de James Tynion IV e Alvaro Martinez.
Desta vez, porém, a equipe foi liderada por um dos maiores nomes do Universo DC, com certa familiaridade com mitos e magia: a Mulher Maravilha. Zatanna permaneceu como a conexão com a versão anterior da Liga – com John Constantine permanecendo em órbita em um papel coadjuvante – mas a equipe também incluiu Monstro do Pântano e Morcego Humano, que, embora não seja uma criatura sobrenatural, ainda era assustador o suficiente para se qualificar.
Eles também recrutaram outro herói com experiência em lidar com o sobrenatural, que ligou a HQ a uma das outras encarnações anteriores dessa ideia: o Detetive Chimp.
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