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Com a feira de boatos reaberta para negócios, a newsletter sem título do O Vício chega à sua décima edição, voltando à programação normal com rumores e informações de bastidores de Hollywood. Hoje, o foco são as produções de Batman: Parte 2 (2028) e The Adventures of Cliff Booth, mas também falarei sobre a reação on-line à notícia de que Sadie Sink não fazia ideia de quem era Jean Grey antes de conseguir o papel.
Esta é mais uma edição escrita e assinada inteiramente por mim (Ramon Vitor). Nossos números seguem sólidos, muito obrigado. Enquanto vocês estiverem comprando a ideia, estaremos por aqui.
Ainda nesta edição: Uma dica cultural de um clássico noir sobre o pior e o melhor que há na humanidade; detalhes da 2ª temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para; e uma fofoca interessante sobre os bastidores de produção da fracassada série da Mulher-Hulk.
De olhos bem fechados

A equipe de Matt Reeves tem sido muito eficiente em guardar os segredos de Batman: Parte 2, mas a famosa “rádio peão” é uma realidade em qualquer tipo de trabalho.
Você deve conhecer a fama que o estimado diretor tem de “controlador maluco” — o que eu acho um exagero, já que ele é apenas um profissional perfeccionista que quer se certificar de que as coisas saiam direito. Bem, o caso é que um figurante foi “reclamar” por aí sobre a rotina exaustiva no set, após uma cena de diálogo de Bruce Wayne ter ocupado uma diária inteira de filmagens.
Até aí, parece pouca coisa, mas o relato fica mais revelador quando o cenário é aberto. A cena em questão envolveria uma festa de Ano Novo em um salão nobre, onde a maioria dos participantes — membros da elite de Gotham — estariam usando máscaras! Você sabe com o que isso se parece, certo?
Não que alguém tenha confirmado com todas as letras, mas o conceito visual da Corte das Corujas neste filme parece seguir De Olhos Bem Fechados (1999), de Stanley Kubrick.
Bem, deveremos ter algumas imagens interessantes do set de filmagens na semana que vem. A equipe está isolando uma área em Liverpool para produzir uma sequência de perseguição. Já foram vistas por lá máquinas de neve, o Batmóvel, um helicóptero, alguns carros de cenário e uma máquina de capotagem.
A sequência em questão, que levará cerca de uma semana para ser produzida em externas, envolve a capotagem do Batmóvel, um tiroteio e uma perseguição de helicóptero. Coisas grandes estão previstas para Batman: Parte 2, que estreia em fevereiro de 2028.
Faz parte do meu show

Recentemente, Jeff Sneider reportou que, ainda este mês, Cliff Booth, a sequência de Era Uma Vez… em Hollywood (2019), passará por alguns dias de refilmagens — com direito a reconstrução de set e tudo. David Fincher não estaria satisfeito com o resultado de algumas sequências e teria solicitado até uma refilmagens mais extensivas.
Bem, no Hot Mic, o próprio Sneider fez questão de esclarecer que isso não é nada demais. Na verdade, qualquer pessoa que conhece bem o funcionamento do trabalho de David Fincher diz que isso faz parte do show dele.
Fincher faz isso em todo santo filme que dirige. É um verdadeiro evento canônico ele dizer que tudo está errado e tentar arrancar o máximo possível de orçamento extra para aprimorar a pós-produção. É exatamente nesse estágio que o trabalho está agora.
David Fincher é um cineasta com o perfil do já citado aqui Matt Reeves (na verdade, é o Reeves quem se espelha na carreira de Fincher). Se a Netflix der corda, ele passa dois anos na pós-produção polindo o filme.
Enfim, essa é uma situação com a qual a Netflix, até pelos anos que já tem de parceria com o cineasta, está muito acostumada a lidar. Não há motivos para pânico ou especulações de que Fincher vá romper seu contrato com a gigante do streaming. Ele realmente ama trabalhar com Ted Sarandos, já que recebe um volume de grana para produzir que não encontra em estúdios tradicionais e não sofre pressão alguma por resultados imediatos.
Se der tempo, The Adventures of Cliff Booth chega aos cinemas em 25 de novembro. O longa receberá uma janela cinematográfica de 2 semanas e o lançamento na Netflix está previsto para 23 de dezembro.
Se o diretor não conseguir concluir a pós-produção até lá, azar o da Netflix. O filme será adiado, pois Fincher não apressa nada para ninguém.
A luta continua

A 2ª temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para chega à HBO Max em novembro. Uma data exata vai ser divulgada em breve, mas a HBO já disponibilizou um teaser. Assista:
Cidade de Deus: A Luta Não Para é situada cerca de vinte anos após os acontecimentos do filme original, e mostra como a vida dos personagens se desenrolou nesse período, tomando como ponto de partida o trabalho de Buscapé (Alexandre Rodrigues) como fotógrafo.
O retorno de Matheus Nachtergaele como Cenoura é a principal novidade do elenco.
Horário Nobre

De ontem para hoje, levei um susto nas redes sociais com a reação massivamente negativa à declaração de Sadie Sink sobre nunca ter ouvido falar de Jean Grey antes de ganhar o papel. Bem, isso é mais normal do que você imagina. No mundo real, conheço mais gente que não sabe quem a Jean é — mesmo que já tenha ouvido o nome — do que gente que realmente a conhece.
Sadie Sink admite que NÃO CONHECIA Jean Grey antes de ser escalada em Homem-Aranha: Um Novo Dia
• A atriz confessou à @Variety que só pesquisou sobre a personagem após ver a empolgação dos fãs com os rumores na internet.
• Foi necessária uma reunião com Kevin Feige e Louis… pic.twitter.com/zVzyFBGgjd
— O Vício (@ovicio) August 7, 2026
E, cá para nós, ator nenhum precisa conhecer um personagem antes de pegar um papel. Robert De Niro não conhecia Travis Bickle antes de Taxi Driver, até porque o personagem foi criado do zero para o cinema. Sadie tem de se preocupar em construir a própria versão de Jean Grey. O que realmente preocuparia seria a equipe criativa dizer que não faz ideia de quem a personagem é.
Geralmente, toda e qualquer discussão sobre cinema ou TV conduzida pelos nichos de cultura pop é um festival de gente falando com propriedade sobre o que não entende. E este é mais um desses casos.
Bem, esse nem é o ponto focal deste tópico. Durante as reações, houve uma discussão muito grande sobre conflito de gerações, e aí eu me peguei pensando sobre a minha. Sou de 1998, tecnicamente faço parte do comecinho da Geração Z, a mesma de Sadie Sink. No entanto, a minha faixa etária compartilha de um efeito muito raro.
O terror analógico tem pegado forte na Geração Z, e o sucesso de Backrooms é um sintoma disso. Esse é um filme tocado por um garoto de 20 anos, que eu particularmente acho legal, mas ainda assim sinto distante do mundo analógico que eu vivi. Sim, quem nasceu mais ou menos perto de 1998 viveu um fenômeno que nenhum outro grupo experimentou igual.
Nós vivemos a reta final do mundo analógico e crescemos junto com a tecnologia. Tenho um primo de 18 anos que só se lembra de ver filmes por streaming. Eu ia à locadora de VHS com meu pai, depois fui à de DVD, vi as locadoras morrerem e tive que juntar dinheiro para comprar meu tão sonhado aparelho de Blu-ray, que mal uso hoje em dia.
Em 2010, passei um mês na Baía da Traição em uma casa que não tinha internet — tente imaginar isso hoje em dia. Ia comprar dois jornais, um de 1 real e outro de 25 centavos, todo dia cedinho em um mercadinho próximo à praça — não a mais famosa, uma menor que fica antes dela no sentido de quem vem da Praia do Tubarão. Eu estava agoniado para saber qual timaço o Vasco iria montar para o retorno à Série A naquele ano (Spoiler: não montou). Como já tinha comprado o jornal, eu lia tudo: das notícias mais desagradáveis às crônicas mais sem noção e divertidas possíveis.
Qual garoto de 20 anos hoje pegou em um jornal físico na vida? Qual garoto de 18 anos hoje sonhou em comprar um bom aparelho de Blu-ray para fazer coleção? Eles sabem o que é crônica? Essas coisas caíram em desuso, quase morreram, mas são muito vivas na minha memória. Vivas a ponto de eu lembrar de texturas e cheiros. Não são só coisas que me contaram ou que vi em imagens. Eu vivi isso.
Talvez por isso, quando assisti ao trailer de Primetime, o mais novo filme de Robert Pattinson, aquilo bateu tão forte em mim. Embora faça parte da demografia profundamente ligada ao avanço tecnológico, aquele contexto de TV da época em que Lost estava em alta é muito vivo para mim. É tratado como algo tão distante, mas eu sinto tão perto. Parece que foi ontem. Talvez seja assim que quem viveu nos anos 80 se sente com obras que reproduzem perfeitamente a atmosfera daquele tempo.
O diretor Lance Oppenheim é de 1996. Ele também viveu esse mesmo fenômeno e consegue trazer para a tela a memória analógica daquele tempo, temperada com um certo tipo de alucinação por estímulos que os tempos de hoje proporcionam. Gosto muito de como o trailer emula a estética da TV do início dos anos 2000. Alerta de filmaço. Assista você mesmo:
Fofoca é boa quando eu conto

Vocês devem ter lido mais cedo que a Marvel Television está se esforçando para encontrar um formato procedural para suas séries live-action no Disney+. Teoricamente, isso já foi tentado antes. A série da Mulher-Hulk tentou timidamente ser uma produção de advogados com casos da semana, mas acabou sendo um completo desastre — embora eu não faça parte do grupo que a odeia; acho até engraçadinha.
O curioso é que, por coincidência, recebi esta semana uma fofoca sobre os bastidores dessa série. Provavelmente não é nenhuma novidade no mundo digital, mas vou compartilhar mesmo assim, pois pode haver quem ainda não conheça a história.
Jessica Gao, a showrunner de Mulher-Hulk, ficou conhecida na indústria por ter assinado o roteiro do famoso episódio “Pickle Rick” de Rick and Morty, e também por ter se revoltado com o fato de Dan Harmon ter escolhido Susan Sarandon para o papel da Dra. Wong — o que representava uma inconsistência de etnia para a personagem.
Harmon gravou um podcast de 40 horas para pedir desculpas por esse episódio e, queira ou não, isso ajudou Gao a ganhar grande projeção, já que ela acabou dando várias entrevistas sobre o caso.
Enfim, não foi ela quem apresentou o conceito original de Mulher-Hulk, mas a Marvel Studios acabou a escolhendo para comandar o projeto. O problema? Ela jamais havia tido experiência como chefe de roteiro de uma produção com a complexidade da série do Disney+, e a equipe que montou ao seu redor supostamente não sabia como escrever uma narrativa de advocacia com casos semanais.
O desenvolvimento foi uma verdadeira dor de cabeça para Kevin Feige, que teve de interferir na escrita e nas decisões de produção muito mais do que gostaria.
Ninguém que tenha trabalhado diretamente com o chefe da Marvel Studios dá outra definição para Feige que não “um cara legal e compreensivo“, e é assim que a equipe de Mulher-Hulk enxerga o executivo até hoje. Ele era alguém que estava sempre presente, prestativo e tentando ajudar.A própria Gao também fala dele nesse mesmo tom.
Mas parece que há algo mal contado quanto à relação entre a showrunner e o executivo, pois existem relatos de que Gao teria ficado incomodada com as constantes interferências na produção, feitas após as primeiras exibições-teste desastrosas da série. Teria sido daí, inclusive, que surgiu a ideia de incluir o robô de IA K.E.V.I.N. na história (pelo amor do que você considera sagrado, leve este trecho apenas como rumor).
Caso não se lembre, no episódio final, a Mulher-Hulk quebra a quarta parede de sua própria série, atravessa a interface do usuário do Disney+ e confronta um robô chamado K.E.V.I.N., que vinha controlando sua história desde o começo.
Feige não se opôs à ideia de Gao. Ele autorizou que ela fizesse a piada. Mas a situação teria ficado tensa quando a showrunner pediu para colocar um boné no robô, para deixar a alusão a Feige ainda mais clara. E isso é verdade: a própria Gao assumiu em uma entrevista ao Hollywood Reporter ter dito a Feige, na frente de 20 pessoas, que se ele não a deixasse colocar um boné no robô, ela se demitiria. Na hora, Feige respondeu: “Bom, foi um prazer trabalhar com você, Jessica“.
Nessa mesma conversa, a roteirista disse que o tom da discussão foi bem-humorado, pois os dois gostavam de trocar piadas. Não teria sido algo a ferro e fogo, e o chefe da Marvel teria levado a situação na boa. Bem, o que se comenta agora, anos depois, é bem diferente. Kevin pode ter soado descontraído na frente da equipe, mas no íntimo não teria levado aquilo tão na boa assim…
É 2026. Jessica Gao não conseguiu aprovar mais nenhum roteiro na indústria desde Mulher-Hulk.
O mal que nos habita

Visualmente impecável no seu jogo de sombras e decupagem, e talvez com o melhor uso narrativo do preto e branco na história do cinema, O Mensageiro do Diabo (1955) é uma fábula atemporal e aterrorizante sobre o pior e o melhor da humanidade.
No auge da Grande Depressão, um pai desesperado rouba um banco para dar um futuro aos filhos, esconde o dinheiro com eles sob juramento e vai para a forca. Na cela antes de morrer, divide espaço com Harry Powell, um “pastor” feminicida que roda o país enganando, matando e roubando viúvas. Powell descobre sobre o segredo e sai da cadeia pronto para caçar essa nova família.
O desgraçado fala bonito. Um verdadeiro encantador de serpentes que cria uma legião de seguidores incapazes de questioná-lo. A Sra. Spoon, em específico, é uma alcoviteira nojenta. Poucos personagens na história do cinema me despertaram um ódio tão genuíno. Ela representa exatamente a massa que passa pano para o mal absoluto contanto que venha embalado em um discurso moralista.
Isso é algo cíclico: quando o mundo tá no caos, surgem os picaretas prometendo salvação. O filme é amargo durante boa parte da projeção. Mas ele não é pessimista, como descrito na época em que foi julgado como um fracasso.
Talvez estivesse muito à frente do seu tempo. Ou talvez as pessoas da época não tenham sacado Rachel Cooper como o antídoto perfeito para o amargor da primeira metade. Ela é uma mulher de fé genuína, mas o credo não é o principal aqui — pois, além dele, ela é naturalmente doce e exala um bem tão puro que é a única capaz de enxergar a podridão de Powell de cara. Enquanto os devotos usam a religião como ordem, Rachel entende a fé como acolhimento.
Flores lindas também nascem no charco. A verdade sempre vale a pena, mesmo num mundo afundado no cinismo. Não se entregar às urgências do mundo pode até te fazer parecer ingênuo como uma criança. Mas, no fim das contas, as crianças são os homens mais fortes. Elas suportam.
O Mensageiro do Diabo (1955) estava até o final do mês passado no Prime Video. Agora, está no MGM+. Não sou o rei do timing, eu assumo.
No dia mais claro

Semana que vem começa a cobertura para valer de Lanternas. Ainda não sei quando o embargo de críticas e primeiras impressões vai cair, mas haverá um movimento importante da turnê de imprensa no final de semana.
Em suma, teremos conteúdos com primeiras impressões, artigos sobre as revelações do primeiro episódio e algumas teorias do que pode vir a seguir. Serão meses animados.
“Todo aquele que venera o mal há de penar, quando o poder do Lanterna Verde enfrentar!“
Destaques rápidos da semana

- X-Men: Kit Connor é o Ciclope do MCU – Se junta a Sadie Sink e Samara Weaving, que estão confirmadas no elenco como Jean Grey e Emma Frost — namorada e amante de Scott.
- Vingadores: Doutor Destino e Guerras Secretas recebem roteiristas de Homem-Aranha: Um Novo Dia – Stephen McFeely, Michael Waldron, Chris McKenna e Erik Sommers. Essa talvez seja a equipe de roteiristas mais radioativa que a Marvel Studios já reuniu para um projeto. Some isso ao fato de que os diretores são os Irmãos Russo…
- Sequência de Jurassic World: Recomeço perde seu diretor – Gareth Edwards pediu as contas por causa de divergências criativas.
- God of War: Dave Bautista deve assumir o papel de Kratos na série do Prime Video – A produção vai ser retomada em outubro.
- Crítica de Batman: Cruzado Encapuzado (2ª temporada) – Melhor produção animada do Batman EM ANOS! Muito bom.
- Crítica de A Última Casa – Bem mais ou menos.
- Nárnia de Greta Gerwig passará por refilmagens após recepção mista em exibições-teste – Tensão na Netflix.
- Madden, Com Nicolas Cage e Christian Bale, ganha data de estreia no Prime Video – Dia 18 de novembro. Não estou botando fé.
- Paramount e Warner: Fusão não será concluída até março de 2027 – Por causa do julgamento do processo dos 12 estados dos EUA.
- Confira o calendário de episódios de Lanternas na HBO Max – Novos episódios sempre aos domingos, às 22h (no horário de Brasília).
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