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No meio da semana, o Hollywood Reporter chamou atenção para o trabalho que os estúdios estão fazendo para estabelecer suas bibliotecas de franquias. Superman (2025), por exemplo, será um dos vários grandes lançamentos de alta temporada a gerar uma despesa de US$ 400 milhões, somando produção, marketing e impostos. Como a indústria faz esse tipo de negócio ser viável?
Para chegarmos à resposta, precisamos entender duas coisas de uma vez por todas: primeiro, esqueça os cálculos baseados em bilheteria, pois, isoladamente, a arrecadação global da exibição não é mais parâmetro para medir o desempenho financeiro de um filme; segundo, Hollywood come, bebe e respira imagem, e uma franquia, se quiser se manter relevante, tem de estar viva no cotidiano do público.

Em alguns casos, o resultado da bilheteria é o que menos importa. Mais vale sair o novo filme e o público saber que aquela propriedade é viva, do que algo tão grande como Star Wars estar há 6 anos sem levar nada aos cinemas.
O valor frequente de US$ 400 milhões, embora assuste, não é uma novidade na indústria. Se você observar a lista que o Deadline produziu sobre os blockbusters mais bem sucedidos do ano passado, vai perceber que 7 do top-10 passaram disso. Deadpool & Wolverine (2024), inclusive, chegou perto da casa dos US$ 600 milhões de custo. Confira você mesmo:
- Divertida Mente 2 (2024)
- Custo total de US$ 500 milhões
- Receita de 1,15 bilhão
- Lucro de US$ 650 milhões
- Moana 2 (2024)
- Custo total de US$ 405 milhões
- Receita de US$ 820 milhões
- Lucro de US$ 415 milhões
- Deadpool & Wolverine (2024)
- Custo total de US$ 580 milhões
- Receita de US$ 980 milhões
- Lucro de US$ 400 milhões
- Meu Malvado Favorito 4 (2024)
- Custo total de US$ 405 milhões
- Receita de US$ 775 milhões
- Lucro de US$ 370 milhões
- Wicked (2024)
- Custo total de US$ 455 milhões
- Receita de US$ 685 milhões
- Lucro de US$ 230 milhões
- É Assim Que Acaba (2024)
- Custo total de US$ 153 milhões
- Receita de US$ 360 milhões
- Lucro de US$ 207 milhões
- Duna: Parte 2 (2024)
- Custo total de US$ 505,8 milhões
- Receita de US$ 690 milhões
- Lucro de US$ 184,3 milhões
- Kung Fu Panda 4 (2024)
- Custo total de US$ 297 milhões
- Receita de US$ 475 milhões
- Lucro de US$ 178 milhões
- Mufasa: O Rei Leão (2024)
- Custo total de US$ 435 milhões
- Receita de US$ 610 milhões
- Lucro de US$ 175 milhões
- Sonic 3: O Filme (2024)
- Custo total de US$ 341,4 milhões
- Receita de US$ 465 milhões
- Lucro de US$ 123,6 milhões
Alguns desses filmes teriam prejuízo se contassem só com bilheteria como receita. Mufasa: O Rei Leão (2024), por exemplo, levantou US$ 320 milhões com a exibição cinematográfica. Como custou US$ 435 milhões, deveria ter tido um prejuízo de US$ 115 milhões. No entanto, o live-action da Disney conseguiu arrecadar US$ 115 milhões com home entertainment, e mais US$ 175 milhões com acordos de licenciamento de TV e streaming.
Fator novo na indústria, o pacote de licenciamento de TV e streaming é uma renda recorrente, que ajuda a explicar como gastar tanto em um filme passou a ser viável. Quando você já tem uma biblioteca bem estabelecida, com vários filmes, a receita de licenciamento de todos eles tende a aumentar com o lançamento de uma nova sequência. Em outras palavras, um filme puxa o outro.
Acredito que já consiga visualizar a importância que uma forte biblioteca de franquia tem para o fluxo de caixa de um estúdio. Quanto mais filmes um estúdio tiver nessa biblioteca, mais possibilidades de acordos de licenciamento.
Outra consideração importante é que uma biblioteca bilionária como a de Jurassic World, por exemplo, aumentaria muito o valor da Universal Pictures em uma possível negociação de venda de estúdio.

Investir na biblioteca de uma franquia é, acima de tudo, um projeto a longo prazo. É importante ressaltar, no entanto, que o simples fato de gastar mais de US$ 400 milhões em um filme não garante o retorno financeiro, seja ele em curto ou longo prazo.
Em casos como o de Superman (2025), por exemplo, a aposta é mais arriscada. O filme de James Gunn é o começo — ou ressurgimento — de algo que quer ser — ou já foi — grande. Em crise, a Warner Bros. Discovery não tem muito o que fazer. A empresa precisa voltar a emplacar suas grandes franquias.
Embora todo mundo espere bilhão, se o novo filme do Homem de Aço superar a barreira dos US$ 700 milhões já vai ser motivo de festa para os executivos. Mesmo que a bilheteria, por si só, não cubra os custos, Superman (2025) precisa fazer o Homem de Aço voltar ao cotidiano do público, bem como precisa fazer as pessoas se importarem com o conteúdo do DCU.

Se tiver sucesso, a Warner vai ter uma super biblioteca que só a Disney é capaz de ter no momento, reunindo propriedades gigantes como Batman, Superman e Mulher-Maravilha em uma única pasta.
É possível construir bibliotecas de franquias fortes gastando bem menos que US$ 400 milhões por filme. A grande indústria, no entanto, gosta dos altos riscos por ser catalisada por um composto tóxico de ambição e vaidade.
Em Hollywood, dinheiro e imagem são deuses que andam de mãos dadas. Lá, não há como construir imagem sem dinheiro, e nem como fazer dinheiro sem uma boa imagem.






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