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Eiichiro Oda é o criador de One Piece e um dos mangakás mais bem-sucedidos da história. Por 25 anos seguidos, o seu mangá traz uma aventura cheia de alegria, que conquistou uma comunidade unida de fãs ao redor do mundo.

Mangás muito longos chegam ao seu limite em algum momento, mas Oda ainda tem a capacidade de manter uma história de qualidade, mesmo após sucumbir à exaustão da publicação semanal. O mangaká iniciante que planeja criar uma série de apenas 5 anos estendeu sua carreira além do imaginado para terminar a sua longa jornada da melhor forma possível.

Inspirado por Dragon Ball

Desde a infância, Eiichiro Oda é um leitor apaixonado por mangás, principalmente pelos da Shonen Jump. Ele acompanhava mangás de comédias como KochiKame, de Osamu Akimoto, e também adorava Captain Tsubasa, de Yoichi Takahashi, que o inspirou a jogar futebol na escola.

Por mais talentosos que os seus ídolos fossem, Oda era cético em relação à existência de gênios, mas mudou de opinião após conhecer o mangá Ping Pong, de Taiyō Matsumoto. A sua paixão também se estendia às animações como Vickie, o Viking, um desenho europeu de 1974 que fez Oda se interessar por histórias de piratas e aventuras.

Quando ele era um estudante, Oda começou a praticar pintura a óleo, por influência de seu pai, que é um pintor profissional. Fazer pinturas o levou ao desejo de se tornar um mangaká, mas ele só queria seguir essa profissão inicialmente, porque achou que era um trabalho “fácil”.

No entanto, nenhum anime ou mangá inspirou tanto Oda como Dragon Ball, de Akira Toriyama. Durante a quinta série, ele leu o segundo capítulo de Dragon Ball, enquanto o mangá era serializado na Shonen Jump. A forma que Toriyama escrevia e desenhava mangá impressionou Oda de muitas formas.

Uma das características mais atrativas de Dragon Ball para ele era a forma que Toriyama desenhava personagens musculosos e mechas. Ele sempre descreveu seu ídolo como um deus. No falecimento de Toriyama, Oda prestou uma homenagem, escrevendo uma carta de despedida que ressalta a importância de Dragon Ball em sua vida.

Primeiros trabalhos

O primeiro mangá conhecido de Oda nasceu durante a sua época do ensino médio, uma one-shot chamada Fly Up Boy, feita para concorrer ao 69º Hop Step Award da Shonen Jump. Fly Up Boy nunca foi publicada, já que não ficou entre os primeiros colocados da premiação.

Em 1993, ele fez a sua segunda tentativa de publicação, com a one-shot Wanted. Sua história ficou em destaque, ganhando o 44º Tezuka Awards. Entretanto, ele se inscreveu pelo nome Tsuki Himizu Kikondo para esconder sua identidade, temendo que seus pais e professores reprovassem sua decisão.

Depois de se formar, Oda foi cursar arquitetura na Universidade Kyushu Tokai e pensou em seus próximos trabalhos para enviar à Shueisha. A paixão pelo mangá falou mais forte, então ele largou a universidade no ano seguinte. Em 1994, sua one-shot Ikki Yako ganhou o primeiro lugar da Hop Step Awards, e ele publicou seu mangá com o verdadeiro nome dessa vez.

Início de carreira

Para investir na carreira de mangaká, Oda se mudou para Tóquio, onde conheceu seu primeiro editor, Kaoru Kushima. Enquanto trabalhava como assistente, Oda preparava rascunhos de mangás, mas todos eles foram rejeitados. Ele não ouvia os conselhos do seu editor até publicar a one-shot Monster no Shonen Jump Autumn Special de 1994.

As críticas de Kushima começaram a fazer sentido quando Oda viu que Monster deixava muito a desejar em comparação ao trabalho dos mangakás profissionais. Kushima era severo porque sabia que Oda tinha um grande potencial. Sua insistência em cima desse iniciante garantiu que o primeiro mangá dele fosse um verdadeiro sucesso.

Em sua juventude, os veteranos viam Oda como uma pessoa honesta, extremamente rude e que dizia o que pensava direto na cara. Ele também era muito confiante em seu trabalho e achava que as críticas do editor eram exageradas. Porém, todos os outros editores que ele recorreu para apresentar seus primeiros rascunhos faziam as mesmas críticas de Kushima.

Entre 1994 e 1996, Kushina fez Oda trabalhar como assistente em três estúdios diferentes para sentir o peso da série semanal. Seu primeiro trabalho foi com Shinobu Kaitani nos últimos capítulos de Midoriyama Police Gang.

Como Oda gosta de comédia, seu editor também o levou ao estúdio de Masaya Tokuhiro, autor de Jungle King Tar-chan. Trabalhando ao lado de Tokuhiro, Oda aprendeu a importância da pontualidade e aperfeiçoou sua técnica em desenhar cenários e personagens. Em seu último trabalho como assistente, Oda ficou sob a supervisão de Nobuhiro Watsuki na publicação de Rurouni Kenshin.

De acordo com Oda, trabalhar como assistente ensinou a ele os fundamentos que seu editor lhe cobrava tanto. Depois de muitas tentativas e erros, ele escolheu sua próxima one-shot, uma história de pirata que tinha guardado desde a escola, Romance Dawn.

Essa história finalmente conquistou a aprovação de Kushima e chamou a atenção de muitos leitores. Nesse ínterim, Oda passou pela sua primeira troca de editores, com Takanori Asada.

O começo de One Piece

Reprodução/Shueisha

Graças ao sucesso de Romance Dawn, Oda teve a oportunidade de apresentar One Piece para a Shonen Jump. Asada viu que One Piece era uma história incrível, mas os seus superiores não concordavam. Mesmo que eles tenham sido rejeitados mais de uma vez, Asada passou meses insistindo pela aprovação deste mangá.

Kazuhiko Torishima, o famoso editor de Dragon Ball, não achava que One Piece iria dar certo. Indignado com essa crítica, Oda o desafiou, dizendo: “Se One Piece se tornar popular, tenha certeza de admitir a derrota”.

Depois que One Piece virou um dos pilares da Shonen Jump, Oda cobrou de Torishima a sua promessa em uma festa de ano novo. Então ele respondeu: Ok. Você ganhou Oda! Satisfeito?”

Asada e Oda ficaram tão empolgados que foram à banca de revistas ver que tipo de pessoa compraria o primeiro volume do mangá. Eles ficaram muito alegres quando viram um adolescente entre 12-15 anos comprando One Piece.

A dedicação de Oda

Durante sua trajetória, One Piece já bateu vários recordes, como ultrapassar a marca de 1000 capítulos semanais e entrar no Guinness Book com recordes impressionantes. Ficando atrás apenas de Superman, One Piece é uma das histórias em quadrinhos mais bem vendidas do mundo, com mais de mais de 500 milhões vendidas.

Em 2022, o mangá entrou em sua saga final, mas isso não quer dizer que a história está próxima do fim. Enquanto Oda não abordar tudo que deseja, One Piece vai continuar em publicação por quanto tempo for preciso. Contudo, toda a dedicação do mangaká lhe custou um preço muito alto.

Em muitas entrevistas, Oda já falou que acumulou muitos problemas de saúde em sua carreira. Isso só chamou a sua atenção quando a saúde começou a afetar sua rotina de trabalho.

Ele dorme 3 horas por dia, tem pressão alta e ignora as dores do corpo para trabalhar, então problemas de saúde são recorrentes em sua vida. Além disso, sua esposa e filhos moram em uma casa separada, e Oda visita eles apenas uma vez por semanas e nos feriados.

Atualmente, os capítulos do mangá vivem entrando em hiatos depois de apenas uma ou duas semanas, porque Oda não aguenta mais desenhar freneticamente sem um tempo para descansar. Como consequência do tempo, ele precisou acelerar muitos eventos do seu mangá. Agora ele lota páginas duplas com 14 a 15 painéis e, às vezes, seus capítulos duram apenas 10 páginas ou até menos.

Apesar das dificuldades, One Piece continua dominando o mercado de mangás devido à criatividade ilimitada de Oda.

A expansão de One Piece

Reprodução/Netflix

Antes de morrer, Oda quer que One Piece seja uma série lembrada por pessoas de todas as idades, gostos e países. Em 2023, essa expansão foi possível graças a série live-action da Netflix. Muitas dúvidas surgiram em cima deste projeto, já que adaptações live-action de animes não costumam dar certo, mas Matt Owens e Steven Maeda surpreenderam o público.

Eles criaram uma adaptação fiel a One Piece, que foi elogiada tanto pelos fãs do mangá quanto por pessoas que nem assistem anime. Será muito difícil para a série se estender tanto como o mangá ou o anime, mas uma temporada já foi o suficiente para realizar o sonho de Oda.

Leia mais sobre One Piece:

Trata-se é uma criação de Eiichiro Oda que começou sua serialização pela revista semanal Shonen Jump, publicada pela Shueisha, em 1997. Desde então, se tornou um sucesso comercial e crítico em todo o mundo, com muitos dos volumes quebrando recordes de impressão no Japão. A obra conta com 108 volumes até o momento. No Brasil, o mangá é publicado pela Panini.

Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.