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Hiroyuki Takei foi um dos mangakás iniciantes que entrou na Shonen Jump em uma das suas fases mais caóticas. Shaman King o ajudou a manter uma posição alta na revista ao lado de outras séries prestigiadas, mas o peso da concorrência e exigência obrigaram seu mangá a cair na beira do cancelamento.

As dificuldades dessa época deixaram muitas cicatrizes e fizeram Takei questionar se ele ainda tem algum renome no mundo dos mangás. Apesar de Shaman King não ter seguido o percurso que Takei desejava, ele ganhou motivação para continuar desenhando graças ao apoio dos seus fãs.

O início de Hiroyuki Takei como mangaká

A primeira vez que Takei foi impressionado por um mangá foi na quarta série, quando ele conheceu Magical B.T., de Hirohiko Araki. Desde então, ele começou a praticar com o objetivo de se mudar para Tóquio, onde residem as maiores editoras de mangás do Japão.

O seu primeiro mangá foi SD Département Store Series, que era uma fanzine criada ao lado de um escritor conhecido como EXIAD. Aos 20 anos, Takei precisou encontrar uma forma de ganhar dinheiro com mangás o mais rápido possível porque ele tinha que sustentar o seu filho recém-nascido. Por sorte, ele encontrou um anúncio para vaga de assistente requisitado para Tamakichi Sakura.

Desse modo, Takei conseguiu trabalhar com Tamakichi em Shiawase no Katachi e ganhou novas oportunidades por indicações. Em 1992, Kōji Kiriyama também contratou Takei como assistente na produção de Ninku. A experiência adquirida como assistente deixou o autor confiante para enviar o seu trabalho autoral ao Prêmio Tezuka, mas ele foi rejeitado na primeira tentativa.

Em 1994, sua one-shot Anna the Itako ganhou o próximo Prêmio Tezuka, e a menção honrosa o levou a conhecer Nobuhiro Watsuki. O seu terceiro trabalho de assistente foi com Watsuki em Samurai X na mesma época que Eiichiro Oda e Gin Shinga, que também eram assistentes. Eles trabalhavam 5 dias por semana, mas, às vezes, viravam a noite trabalhando para finalizar os capítulos a tempo.

Takei descreve essa época como uma fase nostálgica de sua vida, porque todos eles falavam sobre as suas paixões por mangá e como estavam motivados para entrar na Shonen Jump.

Tentativas e acertos na Shonen Jump

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Takei deixou o trabalho de assistente de lado para focar em suas histórias pessoais em 1996. Nesse ano, ele lançou as suas one-shots de estreia na Shonen Jump, Death Zero e Butsu Zone. A segunda one-shot foi refeita em 1997 para criar o seu primeiro mangá semanal (com mesmo nome) na revista.

Butsu Zone girava em torno de poderes relacionados às estátuas budistas, que é um tópico muito apreciado pelo autor. Contudo, esse mangá precisou ser cancelado no seu quinto mês por causa da posição baixa no ranque de popularidade. Embora Butsu Zone não tenha durado muito tempo, Takei conseguiu aproveitar alguns personagens e conceitos que já havia criado para desenvolver uma nova história, que foi Shaman King.

Em uma entrevista, Takei diz que não se lembra ao certo o que inspirou ele na criação de Shaman King, a ideia de xamãs simplesmente apareceu como um flash. A princípio, era muito prazeroso para ele desenhar o mangá, tendo um protagonista que reflete a sua pessoa e uma história que atenda os seus gostos pessoais. Mas, com o tempo, Shaman King ficou cada vez mais preso ao código shonen.

Por exemplo, Takei cita que só criou os personagens Tao Ren e Horohoro para manter o estereótipo da Shonen Jump. Nesse sentido, fica subentendido pelo autor que as exigências diminuíram o seu ânimo de desenhar mangá durante sua publicação.

Shaman King

A publicação de Shaman King ocorreu entre 1998 a 2004 na Shonen Jump. O mangá se tornou um dos principais pilares da revista no começo, mas ele foi obrigado a acabar com um final abrupto antes de concluir sua história. Esse cancelamento aconteceu por conta do desespero do departamento editorial em encontrar novos pilares fortes.

Quando Slam Dunk acabou em 1996, a Era de Ouro da Shonen Jump chegou ao fim, o que significa que a revista não tinha mais mangás tão lucrativos quanto antes. Os outros pilares da época como Samurai X não tinham o mesmo peso de Dragon Ball ou Slam Dunk, e os novatos como Yu-Gi-Oh! e One Piece precisaram de tempo para alcançar as vendas que atingem hoje.

Qualquer mangá que tivesse baixas na votação e não vendesse bastante era cancelado para abrir espaço aos novos títulos. Shaman King foi uma das vítimas dessa competição difícil, e a única escolha de Takei era encerrar o seu mangá ali mesmo. Os editores estavam com tanta pressa para terminar Shaman King que nem deram tempo para o autor finalizar o último arco direito.

Então Takei decidiu criar um final em aberto no capítulo 285, como se fosse ter uma sequência. Contudo, a oportunidade de criar um final digno para o mangá foi garantido pelo apelo dos fãs. A Shueisha cedeu aos pedidos e decidiu lançar os capítulos complementares da série em uma reimpressão de 2009. Essa edição veio com 15 capítulos, que finalizam o arco final de Shaman King.

No volume 32 do mangá, o autor solta uma nota sobre como isso o afetou: “Ocorreu-me que, embora eu continuasse dizendo a mim mesmo que estava bem, isso tem sido mais desgastante para mim do que eu imaginava. Minha próxima surpresa foi a quantidade de pessoas que escreveram pedindo a continuação da série. Eu estou tão agradecido. Eu gostaria de ir devagar, só mais um pouquinho antes de pensar no próximo passo. Eu ficaria feliz… se vocês esperarem pacientemente comigo.”

Outros projetos

Em 2009, Takei lançou um mangá em cooperação com Stan Lee chamado Karakuri Dôji Ultimo, criado para promover a nova revista da Shueisha, Jump SQ.II. Karakuri Dôji Ultimo foi concluído em 2015, com 12 volumes.

Na divulgação do mangá, Stan Lee diz: Estou profundamente honrado por esta grande oportunidade de colaborar com um premiado artista/escritor da estatura de Hiroyuki Takei. Espero entusiasticamente que a combinação de um estilo de narrativa americano mesclado com o aclamado estilo japonês de Takei-san resulte em nossa criação conjunta de Ultimo, apresentando um tipo original e emocionante de mangá que atrai fãs de histórias em quadrinhos ao redor do mundo.”

Depois de Shaman King, Takei lançou Jumbor Barutronica em 2007, um novo mangá focado em mechas que foi cancelado em 10 volumes. Porém, Jumbor retornou em 2010 como um mangá seinen mensal na revista Ultra Jump. O mangá continua em publicação, sendo ilustrado por Takei e escrito por Hiromasa Mikami.

Além disso, ele ficou responsável pela sequência de Dash! Yonkuro, um mangá de 1987 criado pelo falecido Zaurus Tokuda. Desde 2015, Takei ilustra Hyper Dash! Yonkuro para a revista mensal CoroCoro Aniki. No entanto, nos anos seguintes, ele migrou para a editora Kodansha devido aos problemas internos com a Shueisha.

Mudando para Kodansha

A Shueisha publicou duas séries derivadas de Shaman King na revista Jump X antes da Kodansha tomar os direitos da marca. A primeira foi uma prequel lançada em 2011, Shaman King: Zero, enquanto a segunda foi uma sequência lançada em 2012, Shaman King: Flowers.

Takei encerrou os dois mangás em 2014 porque a Jump X foi extinta pela Shueisha neste ano, então todas as obras publicadas na revista tiveram que se realocar em outro lugar ou foram canceladas. Mas, na Kodansha, Takei teve liberdade para criar novas séries de Shaman King sem a ameaça de ser cancelado.

O primeiro mangá novo e autoral de Takei na Kodansha foi Nekogahara (2015-2018), um mangá shonen que foi serializado na revista Shōnen Magazine Edge. Nesse ínterim, a Kodansha lançou a sequência de Flowers, intitulada Shaman King: The Super Star, que está em publicação desde 2018. O universo da série também se expandiu em 3 spin-offs ilustrados por Jet Kusamura: Red Crimson, Marcus e Shaman King a Garden.

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Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.